<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322</id><updated>2011-10-06T15:11:42.789-03:00</updated><category term='citações'/><category term='glórias'/><category term='apresentação'/><category term='lembranças'/><category term='lamentações'/><category term='pessoal'/><category term='inspiração'/><category term='palmeiras'/><category term='cinema'/><category term='futebol'/><category term='oculto'/><title type='text'>meet me at the back of the blue bus</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>78</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-9124978833477009951</id><published>2011-06-12T02:29:00.000-03:00</published><updated>2011-06-12T02:30:46.020-03:00</updated><title type='text'>uma nova era</title><content type='html'>então, a nova versão está pronta.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;www.cronicasmassarianas.com&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um novo blog juntando os três que eu tinha antes. esse aqui continua no ar, com os textos antigos disponíveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aguardo vocês por lá!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-9124978833477009951?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/9124978833477009951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=9124978833477009951&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9124978833477009951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9124978833477009951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/06/uma-nova-era.html' title='uma nova era'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-911734285147857879</id><published>2011-06-10T04:09:00.002-03:00</published><updated>2011-06-10T04:39:54.980-03:00</updated><title type='text'>da responsabilidade</title><content type='html'>&lt;i&gt;enquanto a nova versão do blog não fica pronta, mais um texto diferenciado - esse é mais um desabafo que qualquer outra coisa.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sempre fui um absoluto poço de irresponsabilidade e nunca me importei com isso. é uma dessas questões de sangue, que habitam em você e te fazem ser de um jeito irreversível. não que nunca tenha destruído relacionamentos, me causado apuros gravíssimos ou me feito perder dinheiro que eu não tinha. não que uma dezena de garrafas de cerveja não esteja empilhada ao lado da minha cama nesse momento porque eu simplesmente não ligo pro fato dela estar ali e não faço o mínimo esforço pra pelo menos colocá-la em cima da pia. mas o fato é, &lt;i&gt;eu sou assim, fazer o quê?&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e aí são vinte e três anos e a reta final da faculdade. daqui a seis meses eu saio do mundo dos &lt;i&gt;universitários &lt;/i&gt;e entro pro mundo oficial dos &lt;i&gt;trabalhadores. &lt;/i&gt;claro, sempre é possível explodir como escritor, cineasta, jogador de pôquer, produtor de filmes pornôs, pastor ou artista moderno até lá e evitar que a vida medíocre e rotineira me assole diariamente e destrua a maioria das coisas que eu ainda gosto de fazer, mas essa é uma possibilidade utópica. não porque tudo isso seja inalcançável, mas porque a minha falta de responsabilidade não deixa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;basicamente, existe esse projeto de curta-metragem que é o meu último trabalho na faculdade, uma espécie de tcc, apesar de não ser exatamente isso. eu sou um criador megalomaníaco, o que faz com que ele seja &lt;i&gt;totalmente inviável com os equipamentos de uma universidade pública. &lt;/i&gt;eu sei disso, e eu sempre soube, mas na minha cabeça sempre foi um detalhe irrisório perto do meu ego, do meu orgulho e da absoluta certeza que eu tenho da minha capacidade de realizá-lo. com dinheiro, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dinheiro se ganha com editais ou patrocínios. muito mais provável que seja com a primeira opção. fui lá e fiz o que mais nenhum aluno do curso pensou em fazer, inscrever o projeto num programa de incentivo fiscal do governo do estado de são paulo. duas fases. recebi um e-mail dizendo que a primeira tinha sido aprovada, com um login e uma senha pra encaminhar a parte final e decisiva em busca do ouro. resultado? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu esqueci. abri só hoje o glorioso site e me deparei com &lt;i&gt;envio de projetos até 6 de junho. &lt;/i&gt;suicídio, aí vamos nós?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os semestres da faculdade tem se tornado mais e mais destrutivos com o passar do tempo e nesse daqui, o penúltimo, eu tenho saído e voltado bêbado pra casa de madrugada praticamente todos os dias. qualquer vestígio de vida saudável já desapareceu, sendo que minhas duas opções de janta são ou x-bacon no trailer-boteco em uma praça aqui perto ou lasanha de microondas. só ando de óculos escuros pra esconder as olheiras. tenho vários telefones de garotas na agenda do meu celular que eu nunca liguei e nem lembro do rosto. e assim segue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;até quando? provavelmente &lt;i&gt;esquecer do edital que podia tornar seu filme realizável e resolver sua vida &lt;/i&gt;seja passar de todos os limites. mas eu já tinha pensado nisso quando fui preso na itália por &lt;i&gt;disturbar a paz.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é engraçado que, depois de tudo isso, hoje provavelmente foi a primeira quinta-feira em muitos meses que eu não fui em nenhuma festa. fiquei em casa, vendo meu time de baseball tomar uma surra e saindo a cada quinze minutos pra fumar um cigarro. e recebi um sms da minha mãe, ali pela meia-noite, que dizia &lt;i&gt;não vai sair sem agasalho hoje, hein. &lt;/i&gt;a vida não é incrivelmente irônica?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu nunca tive responsabilidade entre as minhas qualidades. já cansei de ouvir &lt;i&gt;você é uma pessoa incrivelmente doce - &lt;/i&gt;e provavelmente é verdade quando se trata de alguém que eu me importe de verdade - mas eu acho que esses adjetivos sempre se anulam. e, no fim, não adianta, as garrafas vão continuar se empilhando.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-911734285147857879?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/911734285147857879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=911734285147857879&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/911734285147857879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/911734285147857879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/06/da-responsabilidade.html' title='da responsabilidade'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-502449936774330916</id><published>2011-05-25T03:31:00.002-03:00</published><updated>2011-05-25T04:04:19.061-03:00</updated><title type='text'>da "democracia"</title><content type='html'>esse é um tipo de texto que não se costuma ver por aqui, mas levando-se em conta que, a) é o último antes do blog sofrer mudanças radicais em toda sua estrutura e, b) precisava dizer isso em algum lugar, vamos em frente:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não preciso explicar pra ninguém que no último final de semana aconteceria em são paulo a famosa &lt;i&gt;marcha da maconha, &lt;/i&gt;mas que após uma proibição judicial ela acabou sendo maquiada e transformada em uma &lt;i&gt;marcha pela liberdade de expressão. &lt;/i&gt;nem que esse protesto - pacífico - acabou sendo violentamente reprimido pela muito bem-preparada (alerta de ironia) polícia do estado de são paulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não vou também entrar nos méritos de que essa é uma marcha organizada puramente pela classe média, universitários que nunca tiveram falta de alimento na vida e lutam pelo seu direito de fumar um baseado enquanto o mundo tem questões infinitamente mais importantes a se resolver. como disse o rapper GOG, &lt;i&gt;antes de pensar em legalizar a droga tem que legalizar o arroz e feijão. &lt;/i&gt;nem na fragilidade de um movimento que é tão sem culhões que foge da polícia assim que ela aparece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o importante é a repressão. um protesto em defesa de alguma coisa, uma voz, uma palavra que requer um direito, uma manifestação jamais pode ser reprimida. e não faz a mínima diferença o que ela - enquanto de forma pacífica - defenda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e então, o argumento da direita reacionária: &lt;i&gt;não foi repressão, estávamos apenas defendendo a democracia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pois bem: eu sempre me considerei uma pessoa de extrema esquerda, a favor de absolutamente tudo ser legalizado, de adoção de crianças por casais gays a aborto, de drogas a qualquer outra coisa que você imagine, além de todas as outras idéias tradicionais de &lt;i&gt;esquerdistas de universidade &lt;/i&gt;que todos estão cansados de ouvir. o problema é quanto &lt;i&gt;a esquerda usa o mesmo discurso reacionário da direita e acha que isso está certo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mais ou menos um mês atrás, houve um show de uma banda em uma festa da unicamp, &lt;a href="http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/05/relatos.html"&gt;em um lugar onde tantas outras festas épicas já aconteceram.&lt;/a&gt; dessa vez, um problema aconteceu: a organização do evento retirou o microfone da banda e impediu que ela continuasse tocando após ter considerado uma letra homofóbica. apesar dos protestos de todo o público presente, a decisão estava tomada. a decisão de reprimir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;questionada, o que disse a organização da festa? &lt;i&gt;não foi repressão, estamos apenas defendendo a democracia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não vou entrar nos méritos de que &lt;a href="http://letras.terra.com.br/los-cones/1829931/"&gt;a letra não tem absolutamente nada de homofóbica&lt;/a&gt;, nem de que aquele é um espaço onde todos tem a capacidade de refletir sobre o que consideram certo ou errado em sua formação universitária e, em grande maioria, humanística. não faz a mínima diferença. o fundamental é: houve repressão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que eu quero dizer com isso tudo? simples. que buscar um mundo justo, igualitário e democrático sendo que, quando se tem o poder também se reprime, é de uma hipocrisia atroz. não adianta lutar para que sua voz não seja calada quando também se cala a voz alheia na primeira oportunidade. a briga é pela liberdade de todos, não apenas pela liberdade que convém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me assusta ver quem luta por liberdade agindo dessa forma. a direita reacionária todos nós conhecemos, os universitários que lutam contra ela &lt;i&gt;deveriam &lt;/i&gt;ser a esperança. mas, aparentemente, são todos iguais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fica o meu manifesto por um mundo no qual todos possam opinar, marchar, cantar e defender o que quiserem, seja as drogas, seja a prostituição, seja o comunismo, seja o nazismo. e que não importa se você é branco, negro, heterossexual ou homossexual, a lei se aplica da mesma forma. sem especialidades. uma só lei, não leis diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas que, sendo isso impossível, ao menos não se combata repressão com mais repressão, nem exclusão com mais exclusão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-502449936774330916?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/502449936774330916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=502449936774330916&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/502449936774330916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/502449936774330916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/05/da-democracia.html' title='da &quot;democracia&quot;'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3590466065353021261</id><published>2011-05-16T01:01:00.002-03:00</published><updated>2011-05-16T02:22:55.245-03:00</updated><title type='text'>da nostalgia, parte III - a cidade mais bonita do mundo.</title><content type='html'>o ônibus pra roma sairia às seis da manhã e nevava muito. muito, mesmo. uma tempestade e centímetros e mais centímetros no chão. só tinha um par de tênis, que por sinal não era dos mais adequados pra situação. meus pés afundavam conforme eu andava rápido e a neve ia entrando pelas beiradas, deixando as meias encharcadas. eu não teria como trocá-las por um tempo considerável. péssimo sinal, péssima notícia.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas acabei esquecendo disso. peguei o avião no aeroporto de roma e logo estava vendo aquela maravilha debaixo de mim enquanto o pouso começava a ser executado. praga. acho que nenhuma cidade eu tinha sonhado tanto em conhecer. horas e horas no google vendo fotos da arquitetura, dos prédios, lendo sobre os museus, sobre as cervejas, sobre a vida noturna. e de repente, eu estava lá. a cidade também coberta de neve, menos oito graus nos termômetros. um mapa na mão e um albergue pra chegar. dois dias pela frente pra explorar o máximo possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o começo foi difícil. não fazia idéia de como chegar no albergue, não falava uma palavra de tcheco - não falo até hoje, claro. perguntei - obviamente em inglês - pra uma moça em frente a uma estação de metrô e ela foi de uma simpatia inacreditável, praticamente me conduzindo até a plataforma onde eu deveria ir e explicando cada mínimo detalhe da jornada que eu teria pela frente. era de belarus. não faço a mínima idéia do gentílico de alguém que nasce em belarus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, veio a primeira noite. eu e o amigo que tinha viajado comigo escolhemos um bar no guia da cidade e resolvemos ir até ele. beber a melhor e mais pura cerveja tcheca, por favor. mas antes mesmo, no caminho, encontramos um grupo de pessoas andando sem rumo pelas ruas e trocamos nomes e nacionalidades. o grupo era composto por noruegueses, predominantemente, mas também tinha um macedônio, um grego e mais outras coisas que eu não vou nunca me lembrar. uma das norueguesas era uma morena muito bonita. o suficiente pra nos juntarmos ao movimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a idéia excepcional era andar de bar em bar. em cada bar, uma cerveja, e então o próximo. o mais perto do anterior. passamos por vários bares até chegar no destino final, já umas quatro da manhã, que era uma espécie de discoteca, com uma longa pista de dança e algumas mesinhas daquelas acolchoadas num canto afastado. todos os demais foram pra pista e eu fiquei ali bebendo com a norueguesa bonita. ela me falou que não fumava, só chupava pastilhas de nicotina. eu pedi uma e experimentei. era muito ruim. falamos sobre a noruega, falamos sobre o brasil. falamos sobre ser um escritor. acabou sendo uma noite excelente, e isso é bem mais singelo do que vocês podem estar pensando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;obviamente, eu não lembro o nome dela. não lembro nem os nomes das brasileiras que conheço pela noite, de uma norueguesa seria bem mais difícil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e eu não tinha tido tempo de tirar o tênis o dia todo. meus pés doíam muito na hora de voltar pro albergue. devia ter acontecido algo de errado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;as tardes eu aproveitava pra conhecer os museus e os pontos turísticos, tirar fotos da cidade, comer os pratos típicos. fui no museu do comunismo, no de tortura medieval. mas o principal é o do castelo de praga, que era a sede do reino da boêmia. um verdadeiro e real castelo medieval, intacto, com várias lembranças e objetos de séculos e mais séculos atrás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o problema foi que eu cheguei atrasado por lá e não tive tempo de ver tudo. fui comunicado na metade do percurso que estava fechando e eu tinha que sair. porra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na segunda noite, meu amigo, que era gay, desapareceu. mais tarde eu descobriria que ele conhecera um tcheco e deve ter passado o resto do tempo em pura diversão carnal. ótimo pra ele. mas eu aproveitei pra me afundar de verdade na noite daquela cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fui num cassino. o valor mínimo pra se jogar pôquer era 1400 coroas tchecas, o que equivale a uns 130 reais, eu acho. entrar com a quantia mínima numa mesa é normalmente suicídio, visto que seus oponentes com muito mais fichas vão normalmente te obrigar a ficar em all-in em todas as mãos. enfim, era o que eu tinha e o que eu podia fazer. e as outras pessoas da mesa realmente tinham uma quantidade assustadora de dinheiro em jogo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;comecei muito bem, ganhei várias mãos e percebi que nenhum deles jogava muito bem. já tinha praticamente triplicado minhas fichas iniciais e estava imaginando que ia sair daquele cassino rico, com dinheiro transbordando dos bolsos. foi quando resolvi blefar na hora errada. o adversário tinha um par de áses e só pagou todas as minhas apostas, sem aumentar nenhuma. me pegou, realmente. direitinho. voltei pra um pouco menos que o meu dinheiro inicial. resolvi ir embora antes que as coisas piorassem. acho que errei. quase com certeza errei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;saí na rua. nevava pra caralho e era começo de madrugada. num canto, uma mulher sentada, gordinha, uns quarenta anos me pediu um cigarro. eu dei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;do you want sex?&lt;br /&gt;no, thanks.&lt;br /&gt;a blowjob?&lt;br /&gt;no, thanks.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;meus pés realmente doíam demais. andar tinha se tornado uma tarefa muito complicada. mas a madrugada só começava e eu esperava realmente ir fundo naquela cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um bar de esquina, bem vagabundo. vazio. nenhuma alma. entrei e perguntei quais cervejas eles tinham. só budweiser. não a tcheca, a americana. fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;andei mais e cheguei numa rua cheia de puteiros. a maioria deles parecia muito cara, muito cheia de glamour. não valia a pena. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fui até o fim daquela rua, virei à esquerda, numa outra pequena viela quase sem iluminação, e vi um outro puteiro. esse sim, parecia de bom tom. entrei. dançarinas na casa dos quarenta anos, todas bastante acabadas, com jeito de terem sido muito torturadas pela vida. uma ou outra era mais jovem e bonita. peguei uma mesa de frente pro palco, assim via a melancolia daqueles shows feitos com música brasileira antiga e ruim. pedi uma cerveja. não demorou e uma das garotas veio sentar ao meu lado. uma morena muito bonita também, talvez tanto como a norueguesa. devia ter uns vinte e cinco anos, usava um decote gigantesco e uma saia muito curta, como manda o cenário. era russa. falava muito pouco inglês, a comunicação era difícil, mas conversei um pouco com ela. ofereceu o programa. acabei só dando uns beijos e passando a mão nos lugares necessários. fui embora depois de outra cerveja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me arrastei pelas ruas daquela cidade linda cobertas de neve enquanto me esforçava pra me locomover de um jeito minimamente decente. era diferente demais das noites daqui. as ruas principais cheias, em frente aos cassinos, em frente aos bares, em frente aos puteiros grandes e caros. as luzes, as construções imponentes. as sombras de todas as guerras e revoluções que já mancharam demais aquele chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;acordei sem conseguir andar no dia de ir embora. era uma dor sobrenatural. com uma extrema dificuldade, fui até o ponto de ônibus e cheguei ao aeroporto. perdi o avião, não tinha como me mover numa velocidade aceitável. fui direto pro ambulatório. meus pés em carne viva, com um cheiro horroroso. jogaram as minhas meias no lixo, desinfetaram tudo, encheram de gase, de medicamentos, me deram meias novas. setecentas coroas tchecas. mais que eu perdi no cassino, mais do que me custaria a russa. com certeza teriam sido dois investimentos bem melhores do meu dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;saí de lá ainda com muita dor e comprei um postal pra garota pela qual meu coração batia mais forte na época. escrevi que era a cidade mais incrível do mundo, que tinham sido dias ótimos, mas que mandar aquele postal pra ela foi o que realmente fez eu vencer a dor nos pés e chegar até ali, no aeroporto, pra voltar pra roma. chamei ela pra sair assim que eu voltasse pro brasil, no mesmo lugar que tínhamos ido antes de eu ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nós nunca mais saímos depois que eu voltei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu garanto que logo, logo verei de novo aquela cidade. sem dor nos pés. e vou recuperar meu dinheiro no cassino. e vou terminar de ver o museu do castelo. e vou ter outras pessoas pra mandar postais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2a129927f071726d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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simplesmente piorando. talvez o ponto principal tenha sido quando, ali pelos onze anos, meu quarto passou a ser equipado com televisão e internet. a escola não era mais importante, acordar às seis era um mero detalhe. varava a madrugada assistindo qualquer coisa inútil que estivesse disponível em qualquer canal, nem que fosse um programa religioso, e deixava pra dormir ou nas aulas ou na tarde seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desde essa época, eu posso dizer que nunca fui dormir antes da meia-noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas é na adolescência, ou mais precisamente no começo da vida adulta, que você entende o status de &lt;i&gt;criatura da noite. &lt;/i&gt;as festas, os bares, qualquer outro motivo que te faça chegar em casa só com o dia raiando. uma rotina que se inverte completamente. eu nunca consegui pensar de manhã. sou lesado, sou devagar, não consigo conversar com as pessoas, não consigo nem me mover direito. na madrugada, tudo isso se inverte completamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu gosto das manhãs, mas quando eu estou na rua, voltando pra casa, e elas começam a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e aí eu vejo &lt;i&gt;os embaixadores da manhã&lt;/i&gt; aparecendo no céu, disseminando suas formas pela luz, demonstrando o que é o passar dos dias e do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;até ouço pássaros cantarem enquanto sento em frente à minha casa e acendo o último cigarro. é um momento de reflexão. de tudo que aconteceu nas últimas horas, enquanto tudo era escuro e a lua enchia o lugar por onde agora passam os embaixadores. normalmente, eu tenho motivos para estar tranqüilo. a cama espera, mas talvez eu precise fazer um miojo. tem água, mas talvez eu tome mais uma cerveja. e o despertador só vai me chamar tocando &lt;i&gt;arnold layne &lt;/i&gt;ali pelas três da tarde, porque, afinal, eu sou um vagabundo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, mais, eu sou uma criatura da noite. só dou um oi e converso por alguns minutos quando a luz começa a tomar conta, porque depois tudo é quente, chato, claro e visível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;boa mesmo é a cumplicidade da escuridão. e quanto menos luzes nos postes, melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2013429161951588935?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2013429161951588935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2013429161951588935&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2013429161951588935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2013429161951588935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/05/dos-primeiros-raios.html' title='dos primeiros raios'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8133434396932507553</id><published>2011-05-06T06:37:00.004-03:00</published><updated>2011-05-06T06:45:56.211-03:00</updated><title type='text'>relatos</title><content type='html'>seis e trinta e seis da manhã.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;seis parece um número emblemático pra esse dia. afinal, meu time perdeu por seis a zero. nunca tinha visto isso acontecer antes. não que eu me lembre, pelo menos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sai do bar já bastante bêbado após ver essa situação tão vexatória. fui a uma festa. fui a outra festa. rodei pela noite. ah, as noites. como elas são fundamentais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são tão fundamentais que eu cheguei em casa às seis e trinta e seis da manhã. e salvaram minha vida de ter pesadelos com o resultado do meu time. só com o do meu time, porém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma loira deliciosa na segunda festa. sem nenhum exagero, que fique claro. realmente, realmente deliciosa. decido chegar usando a cantada que tinha até então cem porcento de aproveitamento na minha vida, a do filme &lt;i&gt;blue valentine. &lt;/i&gt;quem já viu, deve reconhecer:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;eu tenho uma teoria nessa vida.&lt;br /&gt;que é?&lt;br /&gt;quanto mais bonita uma garota é, mais louca ela é. isso significa que você deve ser completamente insana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aproximo a minha boca da dela. tento o movimento derradeiro. ela se esquiva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;então, só tem um problema&lt;br /&gt;que é?&lt;br /&gt;eu gosto da mesma coisa que você&lt;br /&gt;?&lt;br /&gt;de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porra. porra. porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo passa e duas horas depois eu estou com um amigo esperando uma menina que queria dar pra ele com a amiga dela. elas não aparecerem. nós vamos pro posto comer um lanche e beber mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;amanhece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8133434396932507553?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8133434396932507553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8133434396932507553&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8133434396932507553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8133434396932507553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/05/relatos.html' title='relatos'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2787309454289628360</id><published>2011-04-25T02:43:00.006-03:00</published><updated>2011-04-25T03:08:18.294-03:00</updated><title type='text'>notícias de nada, parte II</title><content type='html'>enquanto eu estava na itália, costumava sempre tomar uma cerveja alemã chamada aventinus. é escura - e eu raramente gosto de cervejas escuras - e com um gosto muito particular, que se devia ao fato dela ser feita de caldo de nozes, ou avelã, ou banana ou qualquer outra coisa atípica que eu não consigo me lembrar. o problema mais grave era realmente o preço, seis euros, bem acima da média pra uma long neck. mas valia a pena, já que aquele líquido foi minha pequena paixão por um tempo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sábado, eu acabei encontrando essa cerveja numa loja de bebidas importadas. vinte e sete reais a long neck. com esse dinheiro, eu tomo nove itaipavas da garrafa grande no meu bar de todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não comprei, mas fiquei consideravelmente tentado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esse mês de abril me parece estar mais quente que o do ano passado. lembro de uma semana com duas festas, uma na quarta e uma na quinta, que o tempo tinha caído muito. todo mundo de blusa. eu de blusa, coisa rara por esses lados. dessa vez, não tem como passar um dia sequer sem o ventilador ligado. não tem como dormir sem ele estar ligado. é incrível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o ventilador é uma grande paixão minha, e não é só por um mês, como a maioria das minhas paixões. ele é necessário por um bom tempo e descartável só por um período mínimo do ano. talvez as paixões sejam medidas pelo quanto elas são descartáveis ou não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;também foi sábado que eu decidi que passaria o dia todo sem fumar. nenhum cigarro. nem comprado, nem filado. passei umas horas angustiado no bar, mas acabei saindo vitorioso. preciso aprender a subjugar e dominar meus vícios e meus erros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;saí do cinema e tinha quatro ligações perdidas no meu celular. eram da menina da festa de quinta passada. lembrei o nome porque ela mesma tinha escrito na agenda do aparelho, mas demorei pra me tocar de quem era. queria sair, eu disse que não podia e que talvez ligue no próximo fim de semana. o engraçado é que absolutamente nenhum dado que ela sabe sobre mim é verdade. só o número de telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;talvez meses de abril acabem entrando pra minha lista de pequenas paixões. eles sempre são fantásticos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2787309454289628360?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2787309454289628360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2787309454289628360&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2787309454289628360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2787309454289628360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/noticias-de-nada-parte-ii.html' title='notícias de nada, parte II'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2053777910168060163</id><published>2011-04-19T04:19:00.005-03:00</published><updated>2011-04-19T11:43:03.241-03:00</updated><title type='text'>das manhãs seguintes</title><content type='html'>&lt;i&gt;claro que eu vou me destruir. sozinho a gente é ridículo. quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. avacalha e se esculhamba.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;marcos não sabia bem o que fazer, então convidou aquela garota pra jantar. ela tinha algumas coisas diferentes de todas as outras, uma tatuagem de pássaro na parte lateral da cintura - mulheres tatuadas são infinitamente mais atraentes, fato da humanidade - um sorriso amarelo, coisa de quem fuma muito e não vai no dentista há mais de um ano, e um olhar que absolutamente dizia &lt;i&gt;eu não tenho medo. eu quero. e eu quero muito.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mais que a tatuagem - que deixa as garotas infinitamente mais atraentes, fato da humanidade - o jeito dela era conquistador. e ele mal sabia o nome dela, só tinha decorado o pássaro na sua cabeça a cada noite quando ia dormir, como também o incrível par de pernas. a calça que marcava lindamente a bunda, que o fazia acordar excitado todas as manhãs. e o jeito que ela tragava o cigarro. no canto da boca, com um quê de sarcasmo. quase como dizendo &lt;i&gt;olha, o que você está esperando pra substituir esse meu canudo de nicotina com outra coisa? você sabe que eu gosto mais. você sabe que eu quero. e eu quero muito.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no jantar, ele descobriu que ela se chamava mariana. ele já tinha descoberto isso antes, só não conseguia se lembrar por causa da tatuagem - que deixa as garotas infinitamente mais atraentes, fato da humanidade. mas marcos não era uma boa pessoa e nunca tinha sido. havia levado pra casa um número suficiente de garotas na vida sem ter ligado na manhã seguinte, havia feito um número que a sociedade reprovaria de tatuagens, havia construído um conceito anormal de vida e de moral. só que, ele bem sabia, nenhuma dessas garotas fumava no canto da boca. nenhuma tinha pássaros tatuados - e mulheres tatuadas são muito mais atraentes, fato da humanidade - na região lateral da cintura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mariana acordou ao lado de marcos, na cama. ela sorria, embora não soubesse o que dizer. deu uma volta por aquele apartamento desconhecido, tomou água e olhou o relógio. oito da manhã. com certeza já havia claridade do lado de fora. com certeza já algumas pessoas se direcionavam ao trabalho. metrô funcionando, ônibus em movimento. escovou os dentes compartilhando a escova, esse fato tão de &lt;i&gt;estamos semi-casados. &lt;/i&gt;mas não só não estavam como nem sabiam os sobrenomes um do outro. nem sabiam as datas de nascimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;muito menos, sabiam os telefones.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;marcos não sabia que mariana havia tatuado aquele pássaro para simbolizar a liberdade, porque havia lido essa codificação num site na internet e achado suficientemente bonito e significativo - mas sabia que mulheres tatuadas são muito mais atraentes, fato da humanidade. não sabia que ela nunca tinha namorado, apesar de ser tão bonita e sedutora - e que nem sequer era maior de idade. não sabia que ela gostava de arroz e feijão, que nas festas preferia vodka a cerveja, que não gostava de homens ligeiramente gordos nem de cabelos compridos. não sabia que ela não costumava engolir, tinha aberto uma exceção só pra ele. nem que era a única noite que estava fumando carlton em vez de free.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se ele soubesse, diria &lt;i&gt;mas que porra de mudança é essa? vira gente e fuma direito, caralho. mas quanto a engolir ou não, continue assim, por favor.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mariana não sabia que marcos fumava porque não aguentava os fardos da vida, que queria morrer cedo porque, apesar do número de garotas que já havia levado pra casa, as poucas que tinha conseguido gostar - ou amar, palavra pesada demais - eram pequenas princesas procurando um amor infinito ou ao menos duradouro o suficiente pra que o dinheiro atasse as crenças ímpares dos casais. que eram pequenas princesas incapazes de entender o significado de tatuagens, de óculos escuros, de marcas de bebidas ou, mais importante, de formas de beijar. que eram pequenas princesas que surtavam após finais causados por elas próprias. não sabia que nas festas ele preferia a mais podre cachaça, porque ela também era mais destrutiva. e que ele até fumava cigarros ao contrário nos momentos mais difíceis, soltando a fumaça pelo filtro, porque invariavelmente a morte assim pega muito mais cruelmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tinham comido lasanha de quatro queijos, tomado refrigerante - a primeira vez na vida de marcos em tanto tempo que ele nunca saberia dizer - e ido para aquele pequeno apartamento. um apartamento que não era limpado há muito tempo, que tinha teias de aranha, que tinha uma televisão que não saía dos canais de esportes havia meses. ele não gostava de abrir a janela. ele fumava ali dentro, lucky strike red, cigarros de verdade. só tinha cerveja na geladeira, água só vinda da torneira. e uns beijos quentes, mãos nos peitos, mãos na bunda, mãos em todos os lugares. e sexo, ela não era virgem, mas também não era uma das meninas que ele queria desvirginar. ela tinha aquela tatuagem de pássaro na lateral da cintura - e mulheres tatuadas são muito mais atraentes, fato da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e na manhã, nada fazia sentido. o gosto de porra na boca de mariana, a vontade de acender um lucky strike red de marcos. e ele deu um pra ela, &lt;i&gt;fume aí, mesmo tendo escovado os dentes com a minha escova (puta que pariu, hein, pensava), vai ajudar. &lt;/i&gt;ela fumou, mas tossiu, porque antes era só acostumada com free e, uma vez, carlton. o fato de ela ser uma garota rodada e que engolia não significou nada pra ele - mesmo sem saber de nada da verdade - e o fato de ele ter feito o que ninguém costumava fazer tinha significado muito pra ela. &lt;i&gt;porque porra eu tenho que sair com garotas inexperientes, &lt;/i&gt;ele tinha no fundo do cérebro. &lt;i&gt;taí um cara de verdade, jogou tudo na minha garganta, &lt;/i&gt;ela tinha no fundo cérebro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas não tinham trocado sobrenomes. não tinham trocado nem telefones.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tinham impresso algumas coisas um na cabeça do outro. ele sabia que ela tinha uma tatuagem de pássaro na lateral da cintura - o que deixa as garotas muito mais atraentes - que ela tinha uma puta bunda e que ela engolia. ela sabia que ele fumava lucky strike red, que ele tinha uma casa suja e que ele costumava avançar o sinal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele com certeza queria ela de volta na cama dele. ela com certeza gostaria de voltar pra cama dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas não tinham trocado sobrenomes. não tinham trocado nem telefones.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e às dez da manhã, ela foi pra aula. ele deu um foda-se, acendeu um lucky strike red e fumou até o fundo dos pulmões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vida que passa. amores que nunca seriam. e porra, ela realmente engolia. e ela realmente tinha uma tatuagem na lateral da cintura - o que faz as garotas muito mais atraentes, fato da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;--------------------&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;1. quem acertar de que filme é o diálogo lá em cima, ganha um "parabéns, você é realmente foda."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;2. terceira pessoa e nomes fictícios, né. meus últimos dois textos viscerais em primeira pessoa renderam um "vai se foder" nos comentários. obviamente, deletados. (só porque as pessoas tinham se reconhecido nos textos, claro. se você não sabe quem eu sou e me odeia, mande eu me foder, à vontade.)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;3. são cinco e meia da manhã e eu estava bebendo desde às seis da tarde. só pra constar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;4. garotas tatuadas são muito mais atraentes - fato da humanidade.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2053777910168060163?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2053777910168060163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2053777910168060163&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2053777910168060163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2053777910168060163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/das-manhas-seguintes-parte-i.html' title='das manhãs seguintes'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3582782660368078584</id><published>2011-04-16T02:22:00.004-03:00</published><updated>2011-04-17T03:43:08.137-03:00</updated><title type='text'>da inconsciência</title><content type='html'>lembro de ter levado dois tiros, não sei de quem nem o porquê. cai no chão imaginando o que fazer, desesperado, achando que poderia sobreviver. então, aos poucos, o sangue foi se esparramando mais e mais, a dor aumentando, e eu desisti. &lt;i&gt; foi só isso? como será que são as coisas depois daqui? fracassei, simplesmente.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;acordei. assustado, porque tinha sido daqueles sonhos extremamente reais, que parecem ser verdade até o último momento. olhei em volta, vi que era minha cama, que era meu quarto. que eu não tinha levado nenhum tiro. e que vinha pela frente mais um dia da minha rotina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;peguei carona com um amigo meu em uma cidade estranha e labiríntica. ele perdeu o controle do carro, subiu em cima de outro, passou e voltou pra estrada, mas desgovernado, pegou a calçada e caiu num rio. as mesmas palavras. as mesmas sensações, antes e depois de voltar à lucidez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na noite passada foi o pior de todos: eu com certeza estava consideravelmente bêbado e andava cambaleando pelo meio da rua quando derrubei o meu cigarro. abaixei pra pegar e nisso fui atropelado. ainda me arrastei um pouco pelo asfalto, mas estava completamente destruído e quebrado. de novo, eu não queria morrer. e lutava. e, na hora do inevitável, eu acordo e volto ao mundo real. ao meu quarto. à tranquilidade. &lt;i&gt;não foi dessa vez.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu nunca acreditei no poder de sonhos, que eles possuem alguma coisa de premonição, de sorte ou de realidade. lembro de uma vez ter sonhado que jogava pôquer, tinha uma dama e um dois, ia all-in e ganhava muito dinheiro. eu, que absolutamente nunca jogaria com essa mão, resolvi testar o poder premonitório do sonho e, jogando no dia seguinte, repeti a ação. perdi. perdi sem nenhuma chance.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porém, esse fato de estar continuamente sonhando com a morte tem me incomodado. talvez pelo fato de eu realmente ter medo dela: como ateu, eu não acredito em paraíso, nem em inferno, nem em espíritos, em punições, em mundo eterno, em nada. eu acredito no pó. e eu tenho a teoria de que se morre duas vezes - a primeira, quando seu corpo deixa de ter vida, a segunda, quando os últimos resquícios da sua existência desaparecem da terra. definitivamente. como se você nunca tivesse passado por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu ainda não fiz nada digno de nota nesses vinte e três anos de passagem pelo mundo. nada que faria alguém, daqui a 100 anos, saber que eu existi. eu não cuido nem um pouco da minha saúde. bebo todos os dias, fumo pra caralho e bacon é minha refeição favorita. talvez tudo isso seja um aviso. um &lt;i&gt;olha só, carlos, é hora de começar a mudar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu já acreditei em sonhos uma vez, indo all-in de dama e dois. dessa vez, vou para o outro lado, pensar que eles estão simplesmente errados, sendo irônicos com os meus medos e rindo fundo do meu ateísmo, da minha pressa por fazer algo marcante e dos meus hábitos nada ortodoxos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3582782660368078584?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3582782660368078584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3582782660368078584&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3582782660368078584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3582782660368078584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/da-inconsciencia.html' title='da inconsciência'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8248660982337926121</id><published>2011-04-10T03:32:00.005-03:00</published><updated>2011-04-10T04:05:55.824-03:00</updated><title type='text'>da nostalgia, parte II - a velha bota.</title><content type='html'>demorou quase uma semana pra nevar depois que eu cheguei lá. tinha acabado de sair de um museu, fazia muito mais frio do que nos dias anteriores e eu comecei a perceber aqueles flocos brancos caindo, pintando minha jaqueta preta, fazendo o rosto ficar pouco a pouco gelado. e eu nem pensei duas vezes em reagir como todo brasileiro reage nessa situação - pegar a câmera, tirar fotos, fazer vídeos. esperar as ruas ficarem cobertas pra fazer guerra e tentar escorregar de bunda. até perdi uma calça por causa disso, a tinta toda acabou saindo. acho que valeu a pena.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gostava muito de pegar os trens noturnos. lá escurecia bem mais cedo, coisa do tipo quatro e meia da tarde, e quando eram seis ou sete horas a falta de luz já era tão assustadora como é à meia noite aqui. aí esses trens iam passando por pequenas cidadezinhas, a maioria delas eu não faço idéia de como se chamavam. eu ficava imaginando vilarejos de cinco, dez mil habitantes, e aquelas estações construídas a não sei quantos anos. toda aquela escuridão, todo aquele breu, os habitantes que deviam ser agricultores ou pequenos comerciantes locais assistindo televisão e esperando um próximo dia. essa rotina eterna no meio do nada. e eu passando por ali, à noite, solitário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sempre quis saber quem limpa os trilhos quando eles estão cobertos por centímetros e centímetros de neve, de madrugada. deve ser um dos trabalhos mais incríveis desse mundo. com certeza essas pessoas seriam excelentes escritores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a estação central de roma toca incessantemente a música tema de &lt;i&gt;a doce vida. &lt;/i&gt;eu não aguentava mais ouvir aquilo quando passava umas quatro ou cinco horas esperando trem nela, mas depois que eu voltei até já cheguei a colocar o dvd do filme só pra relembrar de um lugar que eu teoricamente não suportava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cheguei em firenze num domingo de manhã, era muito cedo, umas cinco horas. minha preocupação central, além de conhecer a cidade, era comprar souvenirs pra enviar pra uma garota louca pelo local. fiz o melhor que eu pude e mandei num pacote já no dia seguinte. não sei se me deixa mais triste o fato de nunca ter chegado ou de que, mesmo que tivesse, não teria adiantado nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;posso dizer que nunca deixei de ser eu mesmo só por estar longe de casa. e eu bebia até mais do que aqui, e acabava bebendo muita tequila, principalmente por ter vários mexicanos andando junto comigo. minha quantidade de amnésias alcóolicas por lá é imensa e é daí que vem um dos maiores enigmas da minha vida - acordar no meu quarto no já no dia seguinte descobrindo dois nomes de italianas anotadas num rascunho no meu celular e uma calcinha na minha mochila. acho que nunca vou descobrir o que realmente aconteceu naquele dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, principalmente, eu não deixei de ser eu mesmo por aquelas coisas inerentes à vida. as características pessoais óbvias sobre a sua personalidade, como confundir as datas de sexta e sábado na hora de comprar passagem pra algum lugar e, na hora de embarcar, perceber que tinha errado tudo. &lt;i&gt;carlos sendo carlos &lt;/i&gt;na essência mais pura da desatenção e da irresponsabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não sei o que fica de mais encantador nessa história toda. talvez seja alguém que tinha pizza como comida preferida passando a não aguentar mais ver pizza na frente. talvez seja tornar seu idioma principal quase secundário e desprezado na sua cabeça, uma das sensações mais incríveis de liberdade que existem. talvez a noção de o quanto uma cultura de um lugar longe pode ser tão diferente. talvez uma conversa com uma velhinha simpática de napoli me dizendo o quanto é bom morar naquela cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;só queria poder voltar a comer um pão italiano com queijo pecorino e salame numa cidadezinha do alto das montanhas coberta de neve. mas, um dia, &lt;i&gt;i'll be back. &lt;/i&gt;ou melhor, &lt;i&gt;io ritornerò.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8248660982337926121?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8248660982337926121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8248660982337926121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8248660982337926121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8248660982337926121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/da-nostalgia-parte-ii-velha-bota.html' title='da nostalgia, parte II - a velha bota.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7845432903316338078</id><published>2011-04-05T12:41:00.001-03:00</published><updated>2011-04-05T12:41:30.639-03:00</updated><title type='text'>notícias de nada</title><content type='html'>&lt;div&gt;madrugada de segunda pra terça-feira. não fui dormir ainda porque a minha casa de apostas preferida não liberou os valores de amanhã. se demorar demais, vou acabar tendo que acordar cedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz a lenda que às oito da manhã tem aula. mas a professora não faz chamada. é uma professora bem bonita, aliás. mas ela não faz chamada. fui uma vez só no semestre todo, já é tarde, teve festa, tô com muito sono. óbvio que eu não vou aparecer por lá. ela não faz chamada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um grande viva pros professores que não fazem chamada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quarta é aniversário da minha mãe. pensei em fazer uma surpresa qualquer e voltar pra minha cidade. uma ou outra pessoa no mundo merece isso. ela é a principal delas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bebi conhaque hoje. odeio conhaque. a primeira vez que eu vomitei por causa de bebida foi com conhaque. o cheiro de conhaque me embrulha o estômago eternamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenho tossido pra caralho e sentido umas dores estranhas no lado esquerdo das costas. outro dia tinha umas manchas de sangue no lençol quando eu acordei. não faço idéia de onde vieram. minha hipocondria me diz que deve ser câncer. mas eu não vou no médico, foda-se. mais uns cigarros, mais uns dias, mais umas festas e tanto a dor como a tosse somem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;continuo esquecendo os nomes das meninas das festas. não faço idéia do porquê, mas eu lembro tudo sobre elas - curso que fazem, o que gostam, filmes que querem ver, cor dos olhos, marca do cigarro que fumam. só nunca lembro do nome.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o lanche do bar hoje tava melhor do que nunca. o cidadão caprichou e encheu de bacon e de queijo. quase nem consegui terminar de comer. estômago tá pesado até agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;escrever, beber, tentar esquecer, comer, fumar, conversar, esquecer, pegar ônibus, escrever, dormir, escrever. mundo que não pára. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7845432903316338078?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7845432903316338078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7845432903316338078&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7845432903316338078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7845432903316338078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/noticias-de-nada.html' title='notícias de nada'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1463203130597319517</id><published>2011-04-01T04:32:00.004-03:00</published><updated>2011-04-01T05:12:03.899-03:00</updated><title type='text'>do ódio e das coisas singelas.</title><content type='html'>cai uma tempestade lá fora. tenho cerca de um quilômetro pra andar, mas, sinceramente, não me importa. eu não sou o tipo de pessoa que tem medo de água. eu não sou o tipo de pessoa que usa guarda-chuva.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;voltando da primeira das duas festas de hoje, eu tinha esse comecinho de texto na cabeça. &lt;i&gt;coisas que falem o bastante sobre quem você é. &lt;/i&gt;meu clichê clássico, óbvio. eu também queria dizer que existem alguns lugares amaldiçoados, onde invariavelmente coisas ruins acontecem. é verdade que em um ou dois dos locais nos quais eu normalmente vou em festas o histórico é completamente tenebroso. se eu aparecer em um deles, é um fato que ou eu vou pegar alguma menina muito feia, ou eu vou dar um vexame e vomitar no chão, ou eu vou ver cenas que eu jamais gostaria de ver envolvendo pessoas que eu gosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas, eu não faço idéia do porquê, eu continuo frequentando esses lugares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;talvez porque todo mundo esteja neles. talvez porque eu precise beber e é a opção que existe. talvez porque simplesmente o mundo e o destino insistam em me levar pra esse tipo de situação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que importa é que tudo isso desmoronou nas horas que vieram a seguir e eu fui lentamente sendo tomado por um ódio descomunal das coisas e das pessoas. aquele ódio que faz você esquecer de tudo que te envolve e sair esmurrando postes e árvores e fumar cigarros ao contrário, uma vez que dessa forma quase com certeza a morte vem mais rápido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ódio e amor são dois sentimentos irmãos gêmeos. eu acho que a maioria esmagadora das pessoas não conhece nenhum dos dois. e se você conhece um, certamente conhece o outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a primeira festa obviamente foi tão tenebrosa como são todas aquelas desse primeiro lugar. a segunda, porém, foi em um dos meus preferidos. onde nunca nada de ruim aconteceu. quer dizer, aconteceu, mas talvez por culpa minha. só que, sabe-se lá como ou porque, minha teoria acabou completamente quando tudo ruiu e se demonstrou muito pior que qualquer expectativa humana me traria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;teorias não servem pra porra nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a culpa é toda minha. sempre foi, sempre será. as pessoas estão em constante mudança, eu sou o mesmo. é difícil admitir, mas eu cometo os mesmos erros. eu conheço as pessoas e espero que elas se mantenham sendo aquilo que eu conheci por dias, por meses, sabe-se lá por quanto tempo. elas não se mantêm. talvez porque sejamos todos novos demais. talvez porque elas não façam idéia de quem são. talvez porque elas precisem fingir o tempo todo. foda-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gritar nunca vai adiantar de nada, nem se conhecer, nem estar sempre bêbado, nem amar ou odiar alguém. nem esfaquear, nem esquartejar, nem queimar cigarros nos olhos das pessoas que você acha que merecem isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sou o tipo de pessoa que não usa guarda-chuva, eu sou o tipo de pessoa que não se importa com a maioria das pessoas mas dá o seu melhor pelas raríssimas que se importa, eu sou o tipo de pessoa que acha que alguns assassinatos são justificáveis, eu sou o tipo de pessoa que escreve um texto singelo às cinco da manhã mesmo com o coração tomado de ódio, eu sou o tipo de pessoa que ouve o quanto se é romântico e idealista de uma amiga mesmo sabendo o quando é difícil aceitar isso. mas eu sei que eu só bebo e fumo tanto porque eu não consigo encarar o tamanho do meu coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se eu estiver gritando, ameaçando queimar cigarros nos olhos de alguém, dando pontapés em latas de cervejas vazias, esmurrando árvores espinhosas e saindo cheio de sangue disso, é só lembrar: o amor e o ódio são sentimentos irmãos gêmeos. não tenho culpa que quase ninguém conheça nenhum dos dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas é difícil pra caralho ver todo mundo mudando, deixando de ser as pessoas com as quais você se importava, e continuar sendo sempre o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1463203130597319517?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1463203130597319517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1463203130597319517&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1463203130597319517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1463203130597319517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/04/da-sinceridade-ii.html' title='do ódio e das coisas singelas.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2236489141083242470</id><published>2011-03-25T01:33:00.003-03:00</published><updated>2011-03-25T02:02:35.433-03:00</updated><title type='text'>dos pesos que eu carrego</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;i&gt;essas pessoas vivem com tanta paixão como um sinal de trânsito.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;existe uma coisa nessa vida que é absolutamente fundamental: conhecer as ruas. principalmente à noite, quando as luzes dos postes funcionam mal e os carros quase já não passam mais por esquina nenhuma. conhecer a sensação de andar por calçadas esburacadas de chinelo, bêbado, tentando se equilibrar, com uma mulher na cabeça e outra no coração, com seu último cigarro no fundo do maço, com o peso de mais um dia no qual a vida, aparentemente, não colaborou em nada com você.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;viver dentro de um apartamento, assistindo comédias românticas e comendo chocolates, estudando matérias desinteressantes, sonhando com um amor eterno, com uma família bonita, com filhos que tirem boas notas. se preocupar com a saúde, com o penteado, com as roupas. dormir cedo e acordar cedo. comparecer em todos compromissos. nunca se atrasar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma existência robótica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma existência mais vazia que um saco furado de areia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, eu só posso dizer: peguem seus sentimentos, suas paixões, suas dores, seus gostos, seus pensamentos, e os entreguem à escuridão. ela provavelmente vai saber dizer quais são os seus pesos. porque você é um ser humano tão complexo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todas as noites, eu me deito e não consigo dormir. a cabeça gira, gira, gira, gira, gira, gira. é um turbilhão de idéias. é uma multidão de coisas que eu preciso escrever. que eu preciso fazer. que eu preciso resolver. são as pessoas importantes pra mim. é o meu futuro. é o meu passado. é o meu presente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo gira. não tem como parar, não tem como se aquietar, não tem como ser menos intenso. gira, gira, gira, gira, gira, gira. &lt;i&gt;foi você que errou&lt;/i&gt;, ela me diz. &lt;i&gt;foi você, foi culpa sua de novo.&lt;/i&gt; mas eu discordo dela, da voz maldita que insiste lá do fundo da minha cabeça. eu digo &lt;i&gt;não, dessa vez, pelo menos, não foi culpa minha. eu fiz o possível. &lt;/i&gt;mas aí, a filha da puta pega pesado. &lt;i&gt;o seu possível nunca vai ser suficiente.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu e a voz concordamos em alguns pontos. a ingratidão, essa pantera, que se manifesta das formas mais incríveis imagináveis. a mediocridade. a intolerância. e tudo gira. gira, gira, gira, gira, gira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu conheço as ruas. principalmente à noite, quando as luzes dos postes funcionam mal e os carros quase já não passam mais por esquina nenhuma. conheço a sensação de andar por calçadas esburacadas de chinelo, bêbado, tentando me equilibrar, com uma mulher na cabeça e outra no coração, com meu último cigarro no fundo do maço, com o peso de mais um dia no qual a vida, aparentemente, não colaborou em nada comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;posso dizer que eu vivo com paixão. até o limite. nas ruas, longe dos apartamentos. na embriaguez e na ressaca. no amor que se transforma lentamente em ódio. na necessidade de ser aceito e de ser entendido pelas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu conheço as ruas. apresento a quem tiver coração suficiente pra conhecê-las também.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2236489141083242470?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2236489141083242470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2236489141083242470&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2236489141083242470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2236489141083242470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/dos-pesos-que-eu-carrego.html' title='dos pesos que eu carrego'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6173693082846868035</id><published>2011-03-19T01:54:00.003-03:00</published><updated>2011-03-19T02:14:48.630-03:00</updated><title type='text'>pão de queijo, cigarros e o fracasso</title><content type='html'>não bebi hoje. cheguei em casa umas 7 da manhã, coloquei o celular pra despertar às 11 e não acordei. só ali pelas 3 da tarde, assustado, que eu vi que horas eram e me levantei da cama.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas não fazia nenhuma diferença - eu não tinha absolutamente nada pra fazer o dia todo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vinte e três anos vividos. uma faculdade quase terminada, um livro publicado que ninguém leu, um filme que ninguém assistiu, uma coleção de amores mal resolvidos, uma centena de porres, quedas e amnésias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a vida vai lentamente passando e você vai ficando pra trás. quais são as perspectivas? um apartamento em são paulo, um emprego medíocre numa produtora, escravidão. um bar na sexta-feira ou no sábado, alguma garota bonita que durma na sua cama por umas duas semanas até vocês se encherem de defeitos e intolerância.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu acordei hoje, fui no posto de gasolina, comprei um pão de queijo e um maço de cigarros. meus óculos escuros escondendo a ressaca, meu cabelo despenteado. peguei o ônibus e vim pra minha outra casa. precisava de descanso depois de ter passado praticamente quatro dias bêbado. comer batata frita, assistir um jogo de tênis da tv, ouvir os resumos dos seriados da semana. olhar a janela. deitar com o notebook na cama, perceber que mais uma semana passou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma semana, infinitos litros de cerveja e mais de uma centena de cigarros mais perto do fracasso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o engraçado é que hoje eu não bebi. não tinha pensado em nada disso nos outros dias todos da semana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me dêem uma outra cerveja salgada, uma mesa e uns amigos pra conversar. me dêem um jogo de futebol, mulheres destruidoras pra se lamentar e falar mal, uma noite que nunca termina. me dêem outra cerveja. e outra. e outra. e outra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o mundo pode continuar girando lá fora, mas o fracasso passa a parecer tão distante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6173693082846868035?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6173693082846868035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6173693082846868035&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6173693082846868035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6173693082846868035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/pao-de-queijo-cigarros-e-o-fracasso.html' title='pão de queijo, cigarros e o fracasso'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4025127435441921065</id><published>2011-03-16T02:14:00.004-03:00</published><updated>2011-03-17T20:51:38.823-03:00</updated><title type='text'>da nostalgia, parte I</title><content type='html'>&lt;div&gt;acho que eram os tempos da quinta série, quando nós simplesmente chegávamos na sala de aula e tínhamos orgulho de ser a famigerada &lt;i&gt;turma do fundão&lt;/i&gt;. éramos eu e mais três amigos em um dos lados, quatro meninas do outro, uma proporção perfeita. todos pré-adolescentes tentando roubar o primeiro beijo de alguém, loucos com o cine privê e seu softporn nas madrugadas de sábado, discutindo algum game novo enquanto a professora explicava a lição de matemática e nos sentindo os grandes contraventores por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes, surgiam as guerras de bolinhas de papel. também existiam algumas outras brincadeiras que eram as preferidas do grupo, como a de encher um papel de pó de giz, enrolar e mandar pra alguém como se fosse um bilhete. gargalhadas instantâneas. em dias de muita inspiração, alguém tinha uma idéia brilhante e ousada - &lt;i&gt;vamos colocar doce de leite na maçaneta da porta?&lt;/i&gt; - glória instantânea.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;daquelas quatro garotas, duas enlouqueciam os rapazes - uma delas mulata e com o corpo todo extremamente desenvolvido pra uma menina de onze anos, a outra nem tanto, mas, nas nossas cabeças, muito bonita de rosto. elas eram os alvos eternos. a brincadeira era um revezamento para passar a mão na bunda das duas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que realmente me assustou quando eu comecei a lembrar disso foi o quanto nós não tínhamos mais nada para nos preocupar e o quanto aquilo era importante pra nós. traçávamos planos de cobertura complexos, você vai na frente, passa a mão, ela vai virar pra te bater, eu venho andando por trás e passo também. as mentes eram malignas. e a idéia normalmente funcionava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu não acho que elas ficavam muito bravas com aquilo. costumavam dar uns dois socos no braço e todos voltávamos a ser amiguinhos e conversar no fundo da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e nos sábados de manhã, nós íamos jogar futsal. era o time da sala, meu pai de técnico. nenhum de nós passava perto de ser bom naquilo, pelo contrário - era comum placares do nível de 14 a 0 contra a nossa poderosa esquadra. mas ninguém se importava, a doçura de estar ali, com as camisas vermelhas e brancas das quais eu orgulhosamente vestia a dez, era maior que qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;entre passadas de mão na bunda, sábados de futsal e idas pra diretoria, os dias iam passando. nenhum de nós sabia o futuro. nenhum de nós sabia como era ter uma namorada, ter responsabilidades, estudar, ter sentimentos muito mais complexos que os pelo vídeo-game, pelo palmeiras e pelas revistas playboy. nenhum de nós percebia o tempo passando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;numa festinha de aniversário, alguém chutou uma bola que foi parar do outro lado do muro. ninguém entendeu o que tinha acontecido, mas uma tensão maior começou a aparecer. um início de briga. acusações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;óbvio que tudo terminaria bem, com bolo e brigadeiros, mas era o começo do fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a gente deve ter sido amigos por mais um ou dois anos. depois, nunca mais vi nenhum deles. nem sei se as meninas realmente ficaram bonitas. uma vez ou outra vi o perfil de algum numa rede social aleatória e me decepcionei violentamente. axé, bombas, abadás. mundo triste.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas naquela época, nós nem sabíamos das diferenças. só queríamos jogar futebol, mandar pó de giz pras pessoas que não eram do nosso grupo e passar a mão na bunda das meninas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do que mais se precisava?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4025127435441921065?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4025127435441921065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4025127435441921065&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4025127435441921065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4025127435441921065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/da-nostalgia-parte-i.html' title='da nostalgia, parte I'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7701434077437997341</id><published>2011-03-11T03:24:00.003-03:00</published><updated>2011-03-11T13:27:34.921-03:00</updated><title type='text'>das vitórias</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;i&gt;mulheres, o esporte é apenas uma introdução, favor não se assustarem.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;existem dois times pelos quais sou doentiamente apaixonado - um de futebol, chamado palmeiras, e um de futebol americano, chamado oakland raiders. são dois times com passados gloriosos, vencedores de inúmeros títulos, considerados inovadores e responsáveis pelos avanços de seus esportes, considerados sempre à frente de seus tempos. seja na quarta, no domingo, ou em qualquer outro dia, em hipótese alguma eu deixo de assistir algum jogo deles. se os dois estiverem em campo no mesmo horário, dou um jeito de botar duas tvs, uma ao lado da outra.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o fato é que esses dois times, há muito tempo, deixaram de ser vitoriosos. quando eu era criança, vi o palmeiras ganhar alguns títulos, mas os raiders, desde que comecei a acompanhá-los com toda essa intensidade, nunca sequer tiveram um ano com mais vitórias que derrotas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você está lá, vendo essas duas esquadras que falam tanto pro seu coração, lado a lado, jogando, perdendo. perdendo sem reação. com o topo da tabela tão distante. com a possibilidade de ser campeão já impossível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eis que, subitamente, você aprende a perder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aprender a perder e se acostumar com derrotas não é fácil. a vida é cheia delas pra qualquer um, principalmente pra quem sempre tenta jogar. jogando toda quarta e domingo, ainda mais num time que se desabituou a ganhar, é quase que uma convivência irreversível com a derrota constante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você tem que saber que a vitória nunca é fácil. o outro time pode ser muito pior, mas ele conhece suas táticas melhor que você a dele. ainda mais quando você é o tipo de pessoa que sai de casa e esquece as chaves na maçaneta. do lado de dentro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é estranho demais tentar conhecer as pessoas. você tem seus princípios morais, você tem suas convicções sobre a vida e a morte. sobre o amor e o ódio. sobre quaisquer outras duas coisas opostas que você queira colocar aqui. você se conhece, sabe como você age em qualquer situação, sabe que em festas em lugares fechados, vai entrar só pra ir até o bar, pegar uma cerveja, voltar pro lado de fora e ficar fumando eternamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porém, para que as pessoas saibam também como você age é outra história. para que elas te aceitem. para que elas olhem para você e te conheçam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e ninguém, não importa o quanto tenha estudado, o quanto seja conhecedor dos poderes da mente ou de qualquer coisa do tipo, vai te conhecer. eles não vão ter passado pelas mesmas coisas que você. eles não vão ter sentido as mesas coisas que você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sentir é fundamental. sentir é tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sentir a solidão. sentir o sangue escorrendo das suas mãos. sentir suas fraquezas.  sentir seus erros. sentir o incondicional fato de estar sempre errado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de estar derrotado outra quarta, outro domingo, outra segunda, outro dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e então, olhar para os seus times. olhar e refletir. para os seus times, para as pessoas que você já amou. para as pessoas que você já quis muito mais que uma noite, para uma paixão de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são coisas do coração. coisas impossíveis de explicar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os times que você torce. as mulheres que você quer. os lugares que refletem sua alma. a sua personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por que você tem que ser a pessoa que fuma no lugar escuro? por que você tem que ser a pessoa que não vai pra pista de dança? por que você tem que tomar outra dose?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;talvez você simplesmente não escolha seus times. talvez eles escolham você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas o fato é que, com toda tradição, um dia eles voltarão a ganhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7701434077437997341?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7701434077437997341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7701434077437997341&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7701434077437997341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7701434077437997341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/das-vitorias.html' title='das vitórias'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2131906483120661888</id><published>2011-03-09T02:53:00.004-03:00</published><updated>2011-03-09T04:54:40.319-03:00</updated><title type='text'>manual para evitar um enlouquecimento precoce</title><content type='html'>escrever é libertação.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenha sempre um modo de libertar seus fantasmas. se você não for bom com palavras, tente com rabiscos sem sentido num caderno, com gritos no chuveiro ou com malabarismo no semáforo. o importante é que, de alguma forma, você consiga se expressar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e que as pessoas ouçam seus gritos. não importa quantas, mas alguém precisa ouvir. se você rasga seu coração com palavras ou com rabiscos sem sentido num caderno, todo esse sangue precisa escorrer em algum lugar. precisa cair nos olhos de alguém, incomodar, ter um gosto amargo. tão amargo quanto é pra você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, depois do exorcismo, não se importe mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou, pelo menos, tente não se importar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nunca perca uma oportunidade de estar bêbado. enquanto você estiver bêbado, com certeza não estará se importando. ou, se estiver, não vai se lembrar no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esqueça os empregos, o mercado de trabalho, o dinheiro, o índice de desemprego e todas as outras putarias similares. se alguém vier te falar sobre isso, acenda um cigarro e dê uma sincera baforada diretamente nos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você deve ter um talento. confie nele, confie de verdade. sabe, a maioria das pessoas não têm um talento, não servem nem mesmo pra ser uma boa companhia tomando uma cerveja no bar. mas, se você está lendo isso, eu acredito que você tenha um talento. nem que seja ser um bom leitor. e bons leitores são necessários. é possível fazer muita coisa com todo o sangue coletado de corações rasgados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não se importe com os homens pra quem as mulheres que você já se envolveu dão agora. não se importe com o fato que você é melhor que eles em todos os sentidos. não se importe com o fato que elas provavelmente não tem tantas saudades suas como você delas. é tudo uma questão de ingratidão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;marque seu corpo quando você tiver alguma certeza. ninguém precisa ver, mas é fundamental que aquelas coisas que te dizem tanto andem com você, caiam no chão com você e levantem com você. que elas façam parte do seu corpo como fazem da sua alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esqueça as verdades do mundo. existem as suas verdades. simplesmente encontre um modo que elas convivam pacificamente com as outras. assim, você não corre riscos de, mesmo estando são, ter um ou dois dias de fúria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nunca espere que as pessoas sejam gratas a você. por qualquer coisa. principalmente, quando envolve paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando você puder, sente no seu canto, com tranqüilidade, com um cigarro, com uma cerveja. cumprimente com um leve sorriso as pessoas que você respeita. fala sobre cinema e futebol com elas. e simplesmente saiba que, a partir dali, cada gole e cada tragada é um novo prazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2131906483120661888?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2131906483120661888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2131906483120661888&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2131906483120661888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2131906483120661888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/manual-para-evitar-um-enlouquecimento.html' title='manual para evitar um enlouquecimento precoce'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2117523093875097157</id><published>2011-03-03T23:42:00.003-03:00</published><updated>2011-03-04T01:55:36.914-03:00</updated><title type='text'>da sinceridade</title><content type='html'>você sempre foi fã de finais felizes, apesar de eu nunca ter acreditado na possibilidade de um deles.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você nunca foi capaz de lidar com os meus vícios no álcool e na nicotina, apesar de eu sempre ter te deixado clara a existência de ambos. sabe, eu sempre bebi porque eu sou assim. não adiantava nem eu, nem você lutar contra isso. está no meu sangue. está na minha alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a cada cigarro que eu fumava, mesmo com você a metros de distância, eu te sentia ainda mais impossível. eu via seu olhar de reprovação mesmo que você nem mesmo estivesse olhando pra mim. e só me sobrava encher meu copo, tomar outra dose. só me sobrava acender outro cigarro. cada vez mais e mais você se tornava um sonho utópico pra mim, apesar de todo o passado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu te disse que eu escrevia melhor com o álcool e as drogas. você não acreditou. obviamente, era coisa da minha cabeça. eu devia estar subestimando todos os escritores fodas do mundo. eles não precisavam de álcool, certo? eu, um fracassado, é que precisava. eu, perdido entre teus sorrisos, no meio das lembranças do teu corpo, no meio das lembranças das tuas palavras de amor, tentando tragar e tentando esquecer, eu, um fracassado, é que precisava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não acho que você conheça muitos deles. nem eu conheço. não chego perto de conhecer, mas te digo que queria ter bebido com todos eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você sempre foi fã de finais felizes, apesar de eu nunca ter acreditado na possibilidade de um deles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;finais felizes não existem, sabe? existem começos e meios felizes. mas mesmo que eu nunca tivesse bebido até cair numa noite, mesmo que eu nunca te tivesse te mandado mensagens ilegíveis no celular, mesmo que eu não tivesse sido eu mesmo, nós não teríamos tido um final feliz. finais felizes não existem. ainda mais pra opostos como nós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu vou acender outro cigarro e tragar até meus pulmões não aguentarem mais. eu vou potencializar meus defeitos, aqueles que você odeia. eu vou beber cachaça no gargalo até vomitar as tripas. e eu vou fazer tudo isso porque eu nunca tive coragem. eu nunca tive coragem de olhar fundo nesses teus olhos tão lindos e dizer metade da verdade - mesmo com meu braço dizendo que o medo não existe. mesmo com eu vivendo tentando me convencer dessa mentira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por mais que eu queira mudar - não por mim, mas por você - nada disso vai ser suficiente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nenhum de nós conhece o amor de verdade. são palavras vazias. são palavras medonhas, irrisórias, que podem durar uma semana, um ano, três anos ou dez anos, mas simplesmente, um dia, não farão mais sentido. sei o que é dizer eu te amo pra alguém, e você, apesar de ser tão simpática, bonita e divertida, aparentemente não sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você sempre foi fã de finais felizes, apesar de eu nunca ter acreditado na possibilidade de um deles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu vou pro bar tomar outro porre - até vomitar. e você não vai me entender. você nunca, nunca, nunca vai me entender. eu queria, do fundo do meu coração, que você me entendesse, mas sei que não é possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;finais felizes não existem. um dia, você vai me dizer que eu sempre estive certo quanto a isso. você vai esquecer seus contos de fadas, seus ideais, seus sonhos de todas essas coisas que não existem, sua felicidade, sua confiança na terapia e outras enganações humanas. talvez você tome um porre de vodka pura. talvez você fume um maço de cigarros. talvez você se lembre de tudo que eu já te disse. talvez você se lembre do medo. quem pode dizer? eu não. você, certamente, menos ainda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas finais felizes, realmente, não existem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2117523093875097157?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2117523093875097157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2117523093875097157&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2117523093875097157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2117523093875097157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/03/da-sinceridade.html' title='da sinceridade'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3857255485490259597</id><published>2011-02-27T01:36:00.003-03:00</published><updated>2011-02-27T02:02:06.233-03:00</updated><title type='text'>midnight walker, o assassino implacável</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=znJGiSqfbas"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=znJGiSqfbas&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;midnight walker, o assassino implacável, chega ao beco atrás de um pequeno bar. montes de lixo estão empilhados, lixo com cheiro de álcool e vômito. a futura vítima está de joelhos, indefesa - já sabe que não existe nenhuma chance de misericórdia. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;isso é entre você e quem me contratou, meu caro. eu só estou sobrevivendo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são três tiros, um absoluto ritual. os dois primeiros no peito, o terceiro na cabeça. midnight walker sempre alveja os mesmos lugares. a precisão é perfeita e o som da arma é como o de uma águia que avista sua presa. o sangue escorre, se mistura com os sacos pretos de lixo em um contraste cuja beleza se assemelha à de whisky recém colocado no copo. puro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;midnight walker, o assassino implacável, chega ao bar à frente de onde terminou seu último serviço. pede um whisky. puro. ao vê-lo no copo, reluzente, se lembra do sangue escorrendo e se juntando aos sacos pretos de lixo. acende um cigarro e vê a fumaça lentamente se dispersar entre todas as figuras perdidas naquele lugar que é quase uma igreja onde as pessoas vão para cultuar a solidão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vê três dessas figuras, três amigos. no centro, o melhor pianista de jazz que já se ouviu tocar nesse mundo. costumava entregar a alma em cada canção. à direita, o detetive dos narcóticos na cidade. poderia entregar midnight walker aos colegas quando quisesse, mas nunca o fizera. prezava a amizade e o caráter daquele que carregava a arma junto ao coração. à esquerda, o escritor que perdera tudo por causa de uma mulher. tinha talento, mas sua vida fora arrancada por uma boca com batom vermelho e uma voz sensual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;três copos de whisky, três cigarros. quatro, com os de walker. jazz no fundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nenhum deles tinha para onde ir. todos tinham suas esposas, famílias e vidas, mas nenhum tinha verdadeiramente para onde ir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o pianista costumava dizer &lt;i&gt;sabe, walker, eu acho que a solidão é como a música. ela está no meu sangue, eu não posso tentar fazer outra coisa além de tocar. &lt;/i&gt;e assim ia embora enquanto sua esposa colocava as crianças para dormir e limpava os cinzeiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;midnight walker, o assassino implacável. talvez ele só quisesse saber porque precisava ser daquele jeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;esse texto é baseado na música cujo link está logo acima. trata-se de uma semi-sinopse pra um roteiro em desenvolvimento. e porra, escrever um noir é bom demais.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3857255485490259597?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3857255485490259597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3857255485490259597&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3857255485490259597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3857255485490259597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/02/midnight-walker-o-assassino-implacavel.html' title='midnight walker, o assassino implacável'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-9118768271922392632</id><published>2011-02-19T00:41:00.002-02:00</published><updated>2011-02-19T01:22:08.110-02:00</updated><title type='text'>do orgulho e algo mais</title><content type='html'>jorge acordou cedo naquela sexta-feira pensando em resolver algumas coisas urgentes - a papelada do xerox dos documentos pra dar entrada no estágio, chamar o encanador pra resolver os problemas do chuveiro, abastecer a geladeira com cerveja, já que o líquido fundamental da vida tinha acabado. no caminho entre uma coisa e outra, passou na farmácia e comprou algumas camisinhas. a paula, assistente da professora de fotografia, tinha aceitado sair com ele. &lt;i&gt;ver um filme e comer alguma coisa, claro, por que não?&lt;/i&gt; mas pra ele, a noite não podia acabar ali.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o fato é que as mentes de homens e mulheres são muito diferentes, e ela, apesar de ter uma tatuagem na lombar - o que para os homens é completamente um chamativo especial e um aumento na porcentagem de sucesso noturno - jamais tinha pensado em qualquer coisa depois do restaurante japonês naquela noite. e no fim daquela conversa tímida, coisa de duas pessoas que não se conhecem quase nada e nem sabem que tipo de música o outro gosta, eles se olharam um pouco espantados e trocaram sorrisos amarelos antes do jorge levar ela de volta pra casa e passar a madrugada se lamentando e vendo tênis na televisão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;alguma coisa de errado, porém, existia naquilo tudo. jorge não entendia o porquê da paula ter aceitado sair com ele, &lt;i&gt;afinal, ninguém sai com um cara semi-desconhecido só pra comer sushi e tomar vinho, certo? &lt;/i&gt;e na aula de fotografia da semana seguinte, ele chegou nela, conversou e falou do jantar. ela disse que foi muito bom, mas que não poderia repetir na sexta seguinte porque o namorado ficara com ciúmes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando jorge ouviu a palavra &lt;i&gt;namorado, &lt;/i&gt;as coisas subitamente fizeram sentido: ela queria ficar com ele, queria jantar de novo e ir além do sushi, conhecer o chuveiro problemático do apartamento que nenhum encanador podia consertar, mas tinha problemas morais, intelectuais ou sabe-se lá mais o que com isso. e um orgulho imenso foi despertado dentro de jorge, ele &lt;i&gt;precisava &lt;/i&gt;usar as camisinhas com paula, era quase uma obrigação, uma tarefa a ser levada até as profundezas das catacumbas para estar concluída. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e assim seguia o trabalho: jorge saiu com a fernanda, com a flávia, com a ingrid, com a heloá e com a cristiane. dois ou três meses passaram. algumas ele conheceu na balada, algumas eram de outros cursos da faculdade. uma delas tinha tatuagem na lombar, uma piercing no umbigo, todas falavam demais e reclamaram do chuveiro. nenhuma delas era paula e as camisinhas originais foram pro fundo de uma gaveta e foram substituídas a cada ocasião na carteira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;enquanto isso, nas aulas de fotografia, jorge e paula conversavam cada vez mais. todos os dias, iam tomar café numa cantina separada dos demais no intervalo. ele sentia que os sorrisos dela se tornavam mais naturais e até descobriu que a banda preferida dela era radiohead.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o tempo é engraçado. no final do semestre, paula viajou. ficou longe do namorado, abalou o relacionamento. não de jorge - conversavam no msn quase todos os dias. ela também gostava do cartier-bresson, do jean renoir e de fórmula um. odiava westerns. jorge nunca entendeu porque todas as mulheres odeiam westerns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com o caminho facilitado, jorge chamou paula pra sair já na primeira semana da volta à faculdade. trocaram o restaurante japonês pela pizzaria, mas dessa vez, ela também queria algo mais depois de lá. e ele não sabia se o que mais importava era o orgulho, a necessidade de provar pra si mesmo que podia ter a mulher que quisesse, ou se era o fato de estar com aquela mulher específica, aquela que gostava quase das mesmas coisas que ele e contava piadas tão idiotas capazes de fazer com que  ele desse risada sem saber porquê. que ria com sinceridade quando ele falava mal de todos os imbecis que habitavam o mundo em volta dos dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; e a camisinha foi pro lixo, usada e embrulhada em papel higiênico. eles tentaram tomar banho juntos, mas o chuveiro não colaborou. ele passou os dedos sobre a tatuagem na lombar e perguntou o porquê de um dragão de duas cabeças ali. e acabaram dormindo. sem saber de nada do dia seguinte ou de depois, e, principalmente, sem se importar com qual seria a camisinha da próxima vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-9118768271922392632?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/9118768271922392632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=9118768271922392632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9118768271922392632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9118768271922392632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/02/do-orgulho-e-algo-mais.html' title='do orgulho e algo mais'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-818820839821665713</id><published>2011-02-12T03:06:00.003-02:00</published><updated>2011-02-13T03:13:07.639-02:00</updated><title type='text'>dos retornos I</title><content type='html'>quando ela entrou na sala, ele não pôde deixar de notar: ela estava mais gostosa que nunca. não sabia dizer se era a pele clara, os peitos gigantes, as pernas bem definidas ou o sorriso tímido, mas era diferente da última vez. ele sempre se sentira muito bem ao lado dela, orgulhoso de segurar nas mãos e andar por qualquer lugar com os corpos colados, mas dessa vez parecia ainda mais absurdo. talvez fosse só a visão dele. ou a imaginação.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fazia meses que não se viam e nem sequer tinham se falado nesse tempo. tudo ia muito bem quando ele teve que ir embora, serviço temporário na bolívia. país triste e pobre, ele não tinha muito o que fazer além de fumar uns cigarros, beber e arrumar uma ou outra prostituta de vez em quando. e juntar dinheiro. &lt;i&gt;porra, a gente tava tão bem quando surgiu essa transferência. podia sentir que ela tava feliz, que ela dormia na minha cama e era de verdade quando me abraçava com força. &lt;/i&gt;bolívia. era como se alguma cabra satânica enterrada no quintal impedisse a felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas tudo foi muito estranho naquela festa de retorno. todos os amigos na sala do apartamento dele, e ela lá, sorrindo, conversando com todo mundo mas evitando cruzar olhares com ele. não sabia o que fazer, e na cabeça vinha um turbilhão de pensamentos sobre como abordar. talvez ele devesse chegar direto e dar um belo beijo, talvez ele devesse tentar conversar e perguntar se ela tava namorando. ou ficar bêbado antes. ou esperar ela ficar bêbada. ou todas as opções anteriores. simplesmente não sabia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aos poucos, a cachaça foi substituindo a cerveja e a música ficando mais alta. um cara estranho, amigo de um amigo, começou a dançar em volta dela. foi a gota d'água. pediu licença, chegou e pegou na mão. deu um sonoro &lt;i&gt;oi. &lt;/i&gt;o álcool já começava a fazer efeito e ele nem perdeu tempo perguntando o que ela tava fazendo da vida, se ainda trabalhava na imobiliária ou se os pais tavam bem. chegou colando e falando no ouvido. &lt;i&gt;pensei em você todas as noites enquanto tava lá. todas. nas suas mãos, nos seus abraços, na sua voz, nos seus peitos. por dentro e por fora.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois de um pequeno choque, começaram a conversar. em menos de meia hora, já estavam no quarto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a trepada foi boa, mas ele sem dúvida esperava mais. parecia faltar alguma coisa, alguma magia que existia antes. ele não entendia porque, afinal, ela estava mais gostosa que nunca. vê-la ali, a luz do amanhecer de novo entrando pela janela e iluminando seu corpo, batendo em cada curva, foi deveras incrível. mas durou pouco. dez minutos depois, voltara a dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;disse que ligaria no dia seguinte e chamaria pra um jantar mais cinema, mas acabou esquecendo. ligou três dias depois. ela estava ocupada e só poderia na outra semana. quando a data chegou, deixou uma mensagem de texto que ela não respondeu. se encontraram no supermercado uns dois sábados depois, pediram desculpas um ao outro e marcaram o esperado jantar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com aquele silêncio constrangedor, um esperava pra dizer o que pensava ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;sabe aquilo que eu te disse de pensar em você todas as noites? era verdade.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;eu sei. eu também pensava em você.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele sabia que era mentira. sabia em todas as vezes que, enquanto ele bebia e fumava em algum bar boliviano, ela devia estar dando pra alguém. outro cara olhando naqueles olhos e escutando aqueles gemidos doces que deviam ser só dele num mundo justo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas foram pro apartamento dele, deram uma trepada mais ou menos e dormiram abraçados. ele ficou de ligar no dia seguinte, mas acabou esquecendo e ligou só três dias depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-818820839821665713?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/818820839821665713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=818820839821665713&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/818820839821665713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/818820839821665713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/02/dos-retornos-i.html' title='dos retornos I'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6932659290177831065</id><published>2011-02-09T02:31:00.003-02:00</published><updated>2011-02-09T02:47:29.435-02:00</updated><title type='text'>gualdo tadino</title><content type='html'>o trem vai seguindo seu caminho entre pequenas cidadezinhas de três ou cinco mil habitantes. cidadezinhas rurais, paradas no tempo e no cultivo de oliva, uvas, vinho ou alimentos básicos quaisquer. ouço a voz anunciar &lt;i&gt;próxima parada: gualdo tadino. &lt;/i&gt;olho em volta da estação e não vejo nada. quais são os fantasmas desse lugar?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;algumas horas antes, eu estava numa caótica roma. a piazza del popolo lotada de pessoas, pessoas das mais diversas origens e ocupações. um violinista tocando a música tema de &lt;i&gt;o poderoso chefão &lt;/i&gt;enquanto estudantes sentam e descansam olhando os poucos raios de sol. muito poucos. ao norte, a neve é cruel. na montanha. ela cai e destrói seus pés. dez centímetros de poesia acima do chão, dez minutos na enfermaria. quais são os fantasmas dessas montanhas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a luz é muito mais curta. uma hora e meia a menos de sol, uma hora e meia a mais de solidão, de escuridão que pede para você caminhar por entre as pracinhas medievais sem saber para onde está indo. imagino quantas pessoas devem estar bêbadas em gualdo tadino. quantos bares existem ali. o que as pessoas fazem, afinal? talvez a noite aqui seja ainda mais ameaçadora, mas só porque todos devem ter ainda mais medo dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos nesse continente já tiveram reais motivos pra ter medo do escuro. eles já viveram séculos com reais motivos pra ter medo de tudo. talvez os fantasmas estejam em todo lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gualdo tadino. 121 habitantes por quilometro, descubro depois. quase o mesmo número dos meus pensamentos por segundo naquele trem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo está distante. o destino. as pessoas importantes, os feitos importantes, a sua alma. talvez o coração esteja junto com você, mas ao mesmo tempo ele te lembra que pode não estar. com os pés afundando na poesia, com o seu cigarro eterno, com as construções tão diferentes. é bonito demais, mas você sabe, os fantasmas estão em todo lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ah, os fantasmas. talvez estando lá você fique longe dos seus. é o mais importante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é ótimo estar de volta, mas é péssimo voltar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6932659290177831065?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6932659290177831065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6932659290177831065&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6932659290177831065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6932659290177831065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2011/02/gualdo-tadino.html' title='gualdo tadino'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6843692921502971911</id><published>2010-12-31T02:17:00.003-02:00</published><updated>2010-12-31T20:58:48.911-02:00</updated><title type='text'>goodbye cruel summer</title><content type='html'>então, eu estou indo pra europa. volto no meio de fevereiro. não sei nesse tempo qual será a frequência que terei acesso à internet, mas tentarei aparecer por aqui quando for possível. se não, nos veremos quando já estiver de volta ao cruel verão brasileiro.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que as mulheres européias, a neve, as bebidas, as ruas e as noites do velho continente tragam muita inspiração e material para textos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;obrigado pela compreensão, caríssimos/as leitores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6843692921502971911?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6843692921502971911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6843692921502971911&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6843692921502971911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6843692921502971911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/12/goodbye-cruel-summer.html' title='goodbye cruel summer'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5178443124914135015</id><published>2010-12-21T03:16:00.003-02:00</published><updated>2010-12-21T03:39:45.853-02:00</updated><title type='text'>play it again, humphrey</title><content type='html'>&lt;i&gt;you must remember this&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a kiss is just a kiss&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a sigh is just a sigh&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;these fundamental things apply&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;as times go by&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;humphrey bogart chega no bar de todos os dias, acende um cigarro e pede a primeira dose de scotch. ele espera que ingrid bergman, lauren baccal ou qualquer uma que seja a femme fatale da vez sente ao seu lado. ela vai arruinar definitivamente a vida dele. se é que ainda existe alguma coisa a ser arruinada.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu entro no carro de um amigo tentando me dirigir ao lugar mais decrépito possível na cidade contendo mulheres e bebidas. vestidos vermelhos curtíssimos sem nada por baixo. cerveja de oitenta centavos a latinha, mais amarga que a vida de todos aqueles atendentes do bar. conversas e aulas de português. &lt;i&gt;puta que pariu, eu estou ensinando essas garotas a falar difícil. o que acontece depois disso? &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que une as duas cenas é a trilha sonora: jazz noir. o saxofone tocando com uma melancolia que não se vê nem nos rostos mais deprimidos desse mundo. a fumaça presente dentro da música. as imagens que pulam pra fora de cada acorde, de cada sopro, de cada batida. eu, o meu cigarro, bogart, o cigarro dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;é decrépito. repete comigo, de-cré-pi-to. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;como? declépito? clépito?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;é. isso.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você só desce até o inferno quando não tem mais nenhuma esperança de achar nada de útil no céu. quando as mulheres do céu perdem tempo demais com os anjinhos, as bebidas do céu não passam de refrigerantes de limão e o ar que você respira é tão puro que dói os pulmões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nada disso serve. você precisa de coisas fortes pra esquecer das porradas do dia-a-dia. você precisa de vestidos vermelhos sem calcinha e sem cérebro pra esquecer das blusas que enconbrem os mistérios tão resguardados com tanto conteúdo e suas vozes cheias de palavras bonitas que machucam no fundo no coração. você precisa encher seus pulmões de substâncias tóxicas destruidoras pra enfumaçar o que seus olhos e ouvidos te mostram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;vindouro é uma ótima palavra.&lt;br /&gt;como usa? o ano que vem será vindouro, isso tá certo?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;claro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bogart sempre soube. apareceu pra mim e me convenceu a escrever um noir, inclusive. tenho certeza que depois que a ingrid bergman ou a lauren baccal iam embora do bar, ele saia de lá, desiludido, com mais uma noite destruida e sem ter nenhuma opção além da falta de cérebro e do mundo decrépito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a cerveja de oitenta centavos, no fundo, é mais gostosa que o whisky, não é, humphrey?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;olha, você vai escrever sobre mim?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;talvez.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;diz que eu era muito bonita e inteligente. e que você me conheceu aqui na boate e nós tivemos um romance.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;claro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu sou uma boa pessoa. vocês sabem que sim, certo? fazem anos que eu não consigo dizer um &lt;i&gt;eu te amo&lt;/i&gt;, mas garanto que não é culpa minha.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5178443124914135015?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5178443124914135015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5178443124914135015&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5178443124914135015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5178443124914135015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/12/play-it-again-humphrey.html' title='play it again, humphrey'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4559357514526246272</id><published>2010-12-15T02:31:00.003-02:00</published><updated>2010-12-15T04:09:16.426-02:00</updated><title type='text'>a vida é um jogo de pôquer</title><content type='html'>você olha as suas cartas sem deixar que ninguém mais as veja. você conhece suas cartas, mais ninguém. você conhece sua estratégia. seu jogo. você sabe como vai agir, sabe quem vai atacar.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é fundamental conhecer seus oponentes. todos à sua volta tem seus próprios modos de lidar com a situação. olhe fundo nos olhos de todos eles. encare com força. deixe as primeiras fichas rolarem ficando à espreita. enquanto isso, você entende seus vizinhos. tenha calma. antes que você faça qualquer movimento, a disputa já terá acabado para alguns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, aja pelo que você sabe de cada um. lembre-se, alguns são agressivos, outros vivem na defesa. a maioria tem medo. não, a maioria não, todos tem medo. nenhuma exceção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o mundo seria um lugar muito melhor se ninguém tivesse medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se você não tiver medo, aproveite, a vitória fica mais próxima. mas se ninguém tivesse medo, ninguém venceria. o mundo é paradoxal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ponha suas fichas na mesa. saiba seus pontos fortes e fracos, saiba os pontos fortes e fracos de cada um. conheça todos. analise todos. entenda todos. é fundamental se colocar nos lugares dos oponentes. leia as jogadas. antecipe. preveja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nunca se esqueça que o baralho é traiçoeiro. fazer tudo certo, ler todos corretamente, não ter medo, se antecipar, prever, nada disso garante o seu sucesso. você pode ser o melhor e não vencer. você pode ser o pior e vencer. não se culpe. os desastres acontecem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas nunca se acostume a perder. e nunca se irrite. nunca deixe de ser você mesmo por causa de uma derrota. mantenha a confiança. leia os oponentes. estude. entenda. antecipe. preveja. vá fundo, com confiança, com os olhos no fundo de qualquer outra pessoa à sua frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;e quando você olha fixamente para um abismo, o abismo também olha pra você.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ganhar ou perder é conseqüência. todos querem ganhar. você é o melhor. ninguém blefa como você. ninguém conta estórias como você. ninguém é tão intenso, visceral, perturbador como você. ria fundo. olhe. seja irônico. se você perder de novo, aguarde. sua vez vai chegar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você vai poder bradar com toda a segurança do mundo, &lt;i&gt;all-in, &lt;/i&gt;sabendo que seus oponentes vão pagar e que o jogo está ganho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4559357514526246272?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4559357514526246272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4559357514526246272&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4559357514526246272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4559357514526246272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/12/vida-e-um-jogo-de-poquer.html' title='a vida é um jogo de pôquer'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-418587288480332941</id><published>2010-11-30T02:45:00.002-02:00</published><updated>2010-11-30T03:06:13.544-02:00</updated><title type='text'>texto a ser transformado em curta-metragem</title><content type='html'>&lt;i&gt;- papai, existe alguém que seja feliz?&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;- algumas pessoas fingem que são.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;- e por que elas fazem isso?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;- não sei. talvez tenham medo ou vergonha de dizer que não são.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(bukowski, um .45 para pagar o aluguel)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;forjara o assalto para poder cumprir seu trabalho. mascarado, invadiu a loja, olhou para a vendedora, ordenou que lhe passasse todas as coisas de valor. dinheiro e jóias. com o pânico generalizado causado, aproveitou e deu três tiros sem dó, um na cabeça e dois no peito, que tingiram aquele chão de ladrilhos brancos de sangue. não levou nada, não seria justo - não fazia parte do combinado. simplesmente saiu correndo e abandonou as provas do crime num terreno baldio e ficou satisfeito por ter realizado mais um serviço com perfeição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no dia seguinte, acordou com tranquilidade. sua esposa fizera carne com molho de abacaxi no almoço, um dos seus pratos preferidos. comeu enquanto bebia uma costumeira cerveja e foi levar o filho, sete anos, para a escola. era um bom garoto e se parecia com o pai. tirava notas excelentes na escola, brincava com quase todos os coleguinhas, até se destacava em seus primeiros passos na escolinha de futebol. um prodígio, orgulho de todos na família. depois de se despedir da criança, tinha uma importante reunião.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era um desses botecos muito pobres de esquina onde achou essa senhora. nada conservada, tinha olheiras maiores que o mundo e marcas roxas. se encontraram lá, tomaram alguma coisa, ela começou a contar seus motivos. &lt;i&gt;aqui não, vamos para o carro. &lt;/i&gt;andaram até o veículo, ele deu a partida e foi até um lugar ermo. então, ela prosseguiu. &lt;i&gt;ele me bate. tem ameaçado nossa filha. eu sei que o pior vai acontecer. tenho medo de ir a polícia... &lt;/i&gt;ela ia continuar, mas ele impediu. &lt;i&gt;senhora, não importa o porquê. são cinco mil. entendeu? você me paga, eu faço. ponto. &lt;/i&gt;ela ficou de pensar e retornar. ele sabia que ela aceitaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deixou a senhora novamente no boteco e começou a dirigir pela cidade. pediu dez pacotinhos de figurinhas em uma banca de jornais. ia levar para o filho. ele adorava colar os cromos no álbum com o pai. aliás, os dois adoravam. era a diversão familiar preferida de ambos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;chegou em casa e beijou a esposa. disse que ela estava muito bonita naquele dia - e realmente estava. abriu uma cerveja, sentou-se no sofá e começou a procurar um filme para ver. logo ela sentou-se ao seu lado e se debruçou em seu ombro. mais tarde, ele iria buscar o menino na escola, jogar video-game e colar as figurinhas com ele, enquanto ela iria lavar as roupas cheias de sangue do dia anterior.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-418587288480332941?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/418587288480332941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=418587288480332941&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/418587288480332941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/418587288480332941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/11/texto-ser-transformado-em-curta.html' title='texto a ser transformado em curta-metragem'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1071309971095691616</id><published>2010-11-16T20:53:00.004-02:00</published><updated>2010-11-16T21:25:58.714-02:00</updated><title type='text'>revolução</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/07/sobre-supersticao.html"&gt;sobre superstição&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;existiu uma época na minha vida na qual eu era absolutamente especialista em perder isqueiros. me irritava a repetição constante da seqüência "levar a mão ao bolso, perceber que ele não está mais lá e ter que correr até o lugar mais próximo para comprar um novo". cheguei a pensar por um tempo que esses pequenos objetos eram agentes secretos enviados por alguma autoridade obscura para simplesmente fiscalizar nossas vidas, sendo que possuíam vontade própria e simplesmente fugiam quando assim lhes parecesse conveniente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um dia, mencionei a uma amiga o fato desses pequenos seres demoníacos sempre insistirem em fugir da minha posse. ela me respondeu, com bastante calma: &lt;i&gt;são as fases da vida. também já aconteceu isso comigo, mas agora é absurdo, os isqueiros se empilham na minha casa, quase saio pra distribuí-los em casas de caridade. &lt;/i&gt;obviamente, ela devia ter partido para o lado do inimigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo começou na noite referida no texto que se pode acessar logo acima. ali estava o objeto tão diferente de todos os demais me esperando em cima da mesa, com sua chama desproporcional, carregado de simbolismos, fantasmas e maldições milenares. depois, eles foram se acumulando, todos iguais, bics brancos ou verdes ou, no máximo, azuis. quando me dei conta, eram dois isqueiros em cima do meu fogão, quatro na minha mochila e três na minha gaveta de papéis. eles estavam tomando conta e planejando a revolução!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;talvez o isqueiro da mesa do bar, aquele que foi apelidado de maçarico, não fosse o portador da felicidade e da dependência, nem habitado por todos os demônios. talvez ele fosse simplesmente o senhor de todos os isqueiros. aquele que faz com que os de sua espécie se acumulem em torno dele. o messias. o responsável pela libertação. &lt;i&gt;ninguém mais nos escravizará, nem se aproveitará de nossa chama. somos livres e independentes, fabricaremos nossos próximos cigarros! &lt;/i&gt;algum dia, vocês ouvirão falar de um incêndio em prédio de kitnets em campinas e saberão que eu tinha feito a interpretação correta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o maçarico continua no bolso da frente da minha mochila, exatamente onde estava quando escrevi o outro texto. às vezes, eu o acendo e fico olhando pra sua chama, lembro daquela noite de terça-feira e dos bons tempos de antes e de depois dela. já acendi alguns cigarros em público com ele, só para me divertir e ver as reações das pessoas. ele é útil. é um companheiro fiel como a maioria dos objetos que estão a longo prazo sendo carregados dia e noite por aquele exemplo absurdo de fieldade, a própria mochila.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu costumo gostar desses objetos porque eles sempre estão ao seu lado. infinitas coisas já aconteceram na minha vida desde que comprei essa mochila, meu óculos-escuro ou achei o isqueiro-maçarico. mulheres, porres, projetos, idéias de vida, dores, doenças, presidentes do país já chegaram, saíram, voltaram, saíram de novo. os objetos continuam lá. talvez se os isqueiros realmente tomarem o poder eu nem me importe, confio no líder deles e o respeito. será um bom governo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1071309971095691616?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1071309971095691616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1071309971095691616&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1071309971095691616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1071309971095691616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/11/revolucao.html' title='revolução'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3088362017826454926</id><published>2010-11-06T01:51:00.002-02:00</published><updated>2010-11-06T02:34:36.265-02:00</updated><title type='text'>um conto de duas noites</title><content type='html'>(I)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;chovia aquela chuva que é acompanhada por um vento gelado, a água mais fina e cortante, batendo contra o rosto com violência. não tinha sido uma idéia nada boa tentar ir pra festa daquele jeito, acabamos ficando ilhados debaixo de um toldo de restaurante no meio do caminho, sabendo que provavelmente com aquele tempo não teria nem uma meia dúzia de pessoas com saco a ponto de sair de casa por algumas cervejas. mas, apesar de tudo, eu não me importava. não só me sinto muito bem em noites daquele tipo, como também aquela garota excepcional da república de uma amiga estava lá. oportunidade imperdível, portanto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tínhamos sido todos completamente idiotas e ninguém carregava nas mãos nenhuma garrafa de nada. vodka, cachaça, nem mesmo uma lata de cerveja. o único jeito de se esquentar era ficando todos juntos, braços dados, calor humano. a chuva não parava. conversa sendo jogada fora, mais proximidade. os braços enganchados se tornam abraços leves e respeitosos. que lugar para se dormir. que lugar para se envolver com alguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;devia ser umas duas da manhã quando a chuva se tornou garoa e pudemos andar sem rumo pela cidade. era fácil concluir que não tinha festa, mas precisávamos de bebida, pelo menos só para nós e o nosso toldo de restaurante. naquele lugar tão deserto e interiorano, achar um bar aberto nessa situação era uma tarefa quase impossível. mas um dos amigos disse que morava ali perto e tinha uma, talvez duas, garrafas de cachaça. não uma simples cachaça - velho barreiro de limão, quase um emblema do álcool vagabundo e destruidor de estômagos e mentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma espécie de churrasqueira ficava nos fundos da casa e ficamos lá. estávamos em seis, formando facilmente três casais. logo os abraços respeitosos dão lugar à pegação, as mãos mais acintosas e à nenhuma vergonha. lugar coberto e aconchegante. a cachaça passando de mão em mão, de casal em casal. quente, descendo e revigorando, salvando de verdade aquela noite. seria excelente ver o nascer do sol naquele cubículo, ainda com alguns pingos caindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aliás, poucas coisas são mais fascinantes que quando o sol nasce em madrugadas chuvosas. a cor é especial, diferente. quando se está bêbado, ela fica ainda mais diferente. o mundo se enche de poesia com a cachaça. é quase como se deus existisse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(II)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cheguei no cinema um pouco atrasado, como sempre. faltavam uns quatro minutos pra sessão começar e eu corri pras fileiras da frente. quando percebi, vi que tinha sentado ao lado de uma loirinha toda simpática, bonita, apesar de muito dificilmente ter qualquer coisa além de uma forma de tábua no corpo. ela tinha um roteiro na mão, espiei de canto de olho, parecia interessante, mas só de leve. as luzes se apagaram. dei sorte de ser um filme ruim e pude ficar contemplando o rosto dela e vendo se havia alguma retribuição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes, ela ria alto, mesmo em cenas que aparentemente não houvesse motivos para isso. achei divertido. passei a prestar mais atenção nela que no filme e, em alguns momentos, ela também olhava um pouco. devia estar assustada, &lt;i&gt;um psicopata. &lt;/i&gt;deixei quieto. a idéia era puxar assunto depois que as luzes se acendessem, comentar algo. das risadas, poderia ser a melhor solução, sim, as risadas.&lt;i&gt; garota, incrível como você ri nessas cenas tão dramáticas, achei sensacional, &lt;/i&gt;falando com um leve sorriso no rosto. infalível, tinha quase certeza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas o filme acabou e eu devo ter esperado demais, não falei nada. ela se levantou e saiu da sala na minha frente, fui andando atrás, vendo qual era seu destino. a augusta? o metrô? ela podia entrar em algum bar, eu entraria e sentaria ao lado e diria que não sou um psicopata. não, não entrou. desceu muitas quadras, não ia ficar perseguindo sem rumo, realmente não sou um psicopata. entrei sozinho mesmo em um bar, pedi uma cerveja e um pedaço de pizza. a noite ainda seria longa, mas não se pode deixar de desfrutar daqueles estabelecimentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aliás, poucas coisas são mais fascinantes que beber sozinho num bar da augusta. pessoas estranhas entram e passam, pedem comida, vendem livros. você está no centro boêmio do país, mergulhado nos seus próprios pensamentos, esquecido em você mesmo. você e a cerveja. o mundo se enche de poesia com a solidão. é quase como se deus existisse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(III)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu queria que esse texto fosse sobre saudade e lembranças, mas aí eu percebi que nenhuma dessas duas noites são fortes o suficiente para que se fale sobre saudade ou lembranças. elas existem, estão registradas, mas não são pessoas que realmente marcaram a minha vida de forma alguma para eu desenvolver uma tese ou um raciocínio maior sobre isso. então, vou tentar explicar, da forma mais porca possível, o que eu queria dizer:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a idéia era que se sente muito mais saudades das lembranças do que &lt;i&gt;não se fez. &lt;/i&gt;elas são as piores, as mais torturantes, as mais dolorosas. o texto seria concluído, aqui nesse item III, com eu dizendo que penso muito mais nos beijos e nos momentos passados com a menina II que com a menina I. simplesmente, não valeria à pena: não cheguei a criar um vínculo emocional com nenhuma delas para dizer que é possível sentir saudades. certo, existe o valor metafórico, pode ser argumentado, mas eu discordo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porém, o &lt;i&gt;depois, &lt;/i&gt;o que não aconteceu, as noites nas qual eu falhei, as oportunidades que eu perdi com as pessoas que realmente me importavam, são as que mais vêm à minha cabeça. olhar de longe e pensar &lt;i&gt;porque eu não sentei naquela cadeira ao lado dela antes que o pior acontecesse, e tomei conta da situação, &lt;/i&gt;e como isso teria sido a partir daí. sempre volta. mais do que os melhores momentos de antes. mais que qualquer positivismo imposto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aliás, poucas coisas são mais fascinantes que a memória. o que ela seleciona, os diálogos que ficam, os diálogos que ela cria, que ela reconstrói. a memória da memória. lembrar do que nunca aconteceu, do que simplesmente você imaginou uma vez que deveria ter acontecido. você e aquilo que não existe para mais ninguém. o seu próprio mundo, a sua realidade interna. é quase como ser seu próprio deus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3088362017826454926?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3088362017826454926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3088362017826454926&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3088362017826454926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3088362017826454926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/11/um-conto-de-duas-noites.html' title='um conto de duas noites'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-152437128222538585</id><published>2010-10-10T03:36:00.003-03:00</published><updated>2010-10-10T04:08:59.190-03:00</updated><title type='text'>sobre nunca chegar</title><content type='html'>&lt;i&gt;you just don't have the guts to be what you wanna be.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando eu entrei na faculdade, quase três anos atrás, ouvia muito falar sobre um professor que estava enraizado lá havia muito tempo, sendo que ninguém entendia o porquê ou como. era um louco, acabado depois de infinitos anos de drogas pesadas e porres homéricos. não conseguia dar cinco minutos de aula sem começar viagens sobre a expressão facial dos alunos e se perder completamente do tema inicial. &lt;i&gt;precisamos fazer alguma coisa! precisamos tirá-lo do departamento!, &lt;/i&gt;todos diziam. eu morria de curiosidade para conhecê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, depois de muitas conversas, eu percebi que aquele senhor que anda se arrastando, tem pêlos por toda a superfície do nariz e fala com uma lentidão de dar inveja no rubens barrichello não é um louco. pelo contrário. que loucos são todos os demais. que loucos são aqueles que nunca tiveram capacidade de entender o que ele pensa da vida, o que ele passou nos seus áureos anos da juventude, com quem ele esteve. loucos são todos aqueles que se afundam na mediocridade diária.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu provavelmente nunca vou chegar perto dos níveis de insanidade dele, apesar de todas as vezes que amigos vieram na minha direção dizendo &lt;i&gt;seu louco, &lt;/i&gt;das mulheres que não aguentaram o meu jeito de levar a vida e dos meus machucados semanais adquiridos em condições cada vez mais obscuras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas eu queria perguntar, com sinceridade: senhores e senhoras, qual a graça do mundo, para vocês? o que faz com que continuem vivos? o tele-jornal? a novela da globo? a trepada com a esposa no final de semana? porra. me expliquem, fico mais curioso a cada dia que passa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;já tentei me explicar inúmeras vezes pras mais diversas pessoas, mas não me acho incompreendido. pelo mundo, perdidas, devem existir pessoas iguais a mim. com certeza elas estão por aí. se bukowski escrevia aqueles poemas sensacionais, se cassavetes filmou &lt;i&gt;love streams, &lt;/i&gt;se eu posso sentar pra tomar café com o clássico professor e ouvi-lo dizer que tomou éter, caiu da escada e passou três dias sem memória, contar dos seus quatro casamentos e da sociedade. se tudo isso acontece, em algum lugar estão esses parceiros de&lt;i&gt; loucura.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não ter medo do escuro é a coisa mais importante que você pode fazer. não ter medo da noite. das ruas. dos caminhos que parecem sem saída. não ter medo de amar. não ter medo de dizer que não acredita mais no amor e depois voltar a perceber que estava errado. não ter medo de ir onde se precisa ir, de falar com quem se precisa falar, de passar pelo terreno baldio às três da manhã. não ter medo do cigarro, da bebida, das carnes gordurosas, da costela, das drogas. dos peitos, das bundas e das bocetas. dos olhos brilhantes e daquelas vozes que sempre parecem implorar pelas suas recaídas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;angst essen seele auf&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos vocês, que tem medo do escuro, da noite, das ruas, dos caminhos, do amor, dos erros, das necessidades, dos terrenos, das palavras, do cigarro, da bebida, da saúde, das drogas, das mulheres, dos reencontros, do mundo, são como bukowski uma vez disse: &lt;i&gt;esperam pela morte com tanta paixão como um sinal de trânsito.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a vida é um erro interminável. simplesmente não tenha a ilusão de alguma vez acertar e siga em frente. errando, mas de coração aberto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-152437128222538585?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/152437128222538585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=152437128222538585&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/152437128222538585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/152437128222538585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/10/sobre-nunca-chegar.html' title='sobre nunca chegar'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4271675338691989457</id><published>2010-09-27T03:35:00.002-03:00</published><updated>2010-09-28T02:58:14.184-03:00</updated><title type='text'>goleadas</title><content type='html'>o time de seu jairo não ia bem no campeonato. já eram algumas derrotas consecutivas, sempre por dois ou três gols de diferença, sem esboçar reações. porém, naquele domingo, tudo tinha caminhado de uma forma diferente. não na vida dele, que fora igual sempre - o almoço feito pela mulher, a comida dada pros pássaros que criava em gaiolas, a conversa com os filhos sobre a importância de ir bem em português e matemática na escola, as cervejas pra aguardar a hora do jogo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas, durante a partida, as coisas eram tão inacreditáveis. aquela equipe realmente corria como se a bola fosse uma refeição sonhada, os jogadores estavam possuídos por algum espírito do além, acertavam jogadas que nunca imaginavam acertar. a vitória estava próxima, seu jairo vibrava com o coração na boca, sentia a respiração acelerada, não conseguia raciocinar, não tentava falar com ninguém da família. jogo empatado, pênalti a favor no último minuto. era a glória. era a chance de tirar o nó da garganta. ou de apertá-lo ainda mais com uma bola acertando caprichosamente a trave.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não era fácil entender, mas aquele empate tinha doido muito mais que qualquer derrota por quatro ou cinco a zero que o time sofrera anteriormente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e seu jairo, um homem simples, não entendia o porquê. crescia uma angustia dentro dele, um sentimento de incompreensão, de inconformismo, de incapacidade. como se sua vida fosse completamente atrelada à existência daquela instituição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele possuia um restaurante de beira de estrada onde basicamente caminhoneiros se alimentavam. cerveja e cachaça baratas eram fundamentais, comida gordurosa, mais ainda. mulheres quase nunca frequentavam aquele local, crianças, menos ainda. a esposa cozinhava, os filhos e irmãos mais novos atendiam no balcão, ele servia e batia papo com a clientela. tinha o juca, o paulão, o barba, aquelas faces que todo dia pediam o mesmo fígado com itaipava, sal e limão. vida que se repete. pro rafaelzinho, seu neto de três anos, o destino era aquele: continuar mantendo o estabelecimento. uma transformação em seu jairo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era estranho nunca ter tido uma chance. de estudar, de fazer outra coisa na vida. ter alguma cultura, ir num cinema ou num teatro. era uma vida cheia de gordura. a palavra mais pronunciada por seu jairo devia ser "bisteca". o dinheiro servia pra manter a rotina e esperar a hora de ir pro túmulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;seu jairo não entendia por que o empate doía muito mais que as goleadas porque nunca tinha empatado. porque nunca tivera um pênalti pra bater no último minuto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas, quando você está cansado de empatar, acaba torcendo pra ser goleado e acabar com isso de uma vez. acertar tanto a trave e nunca ver o gol ser feito é uma rotina muito pior que simplesmente não ter esperanças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4271675338691989457?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4271675338691989457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4271675338691989457&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4271675338691989457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4271675338691989457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/09/goleadas.html' title='goleadas'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2166112327892265220</id><published>2010-09-16T21:17:00.003-03:00</published><updated>2010-09-16T21:55:30.070-03:00</updated><title type='text'>sobre deixar para trás.</title><content type='html'>pessoas e lugares estão relacionadas de forma muito íntima. lembro que, quando eu era criança, havia o quintal da casa dos meus avós, o pátio da escola, a locadora de jogos de vídeo-game, as ruas da vizinhança. eu nunca me importei com nada disso. provavelmente, quando você tem cinco, sete, dez anos, não consegue ter uma memória afetiva muito desenvolvida, ou mais ainda, entender o que significa uma transição. deixar tudo para trás.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é assim que, quando você se vê na adolescência, com novos interesses e novos cenários marcando diariamente a sua vida, começa a surgir uma pequena nostalgia da infância, daquilo que você queria que passasse o mais rápido possível. sempre que eu ia visitar a garota que eu namorava na época dos meus dezessete, dezoito anos, voltava de ônibus, bem à noitinha, passando por alguns bairros de beira de estrada afastados do resto da cidade, bairros não muito bonitos ou chiques. eram casas mal-acabadas, farmácias, botecos de esquina, tudo muito escuro e deserto. eu normalmente lia durante o trajeto, ou ouvia música. eram momentos estritamente meus, de concentração, de contemplação. contemplação dessa nostalgia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a época acaba criando as suas próprias referências. as salas de cinema de jundiaí, tão incrivelmente importantes em infinitos momentos daqueles anos, os bares da avenida principal da cidade, a biblioteca municipal. durante um período, a rotina se desenvolvia ali, e era um presente que talvez não fosse acabar, que talvez não pedisse para ser extirpado. até que, inevitavelmente, acaba.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;prometi pra mim mesmo que nunca mais pegaria aquela linha de ônibus que liga a casa dos meus pais em jundiaí aos cinemas da cidade, que nunca mais iria àqueles terminais de tantas horas gastas, que enterraria minha vida dali, praticamente um túmulo nas minhas lembranças, um espírito que apenas existiria na saudade. cumpri, até porque não fazia mais nenhum sentido continuar nos velhos caminhos, perseguindo os velhos ideais, consumindo as velhas paixões. tudo era simplesmente nostálgico, trazia lembranças demais e realidade quase nenhuma. a vida real se desenvolvia em outros campos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ontem, em uma festa da faculdade em um lugar no qual eu já fui em infinitas outras, eu me peguei tendo essa sensação de novo. estava longe de todo mundo, eu e dois amigos, cerveja na mão, a pista e o bar há muitos metros. eu olhava e me sentia naquele ônibus que liga a casa dos meus pais aos cinemas de jundiaí. simplesmente perdido. nostálgico, mas sabendo que talvez meu tempo ali tenha acabado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sempre tive muitos problemas em deixar as coisas para trás. &lt;i&gt;let it go, &lt;/i&gt;acho a expressão em inglês bem mais densa e concisa. até hoje, guardo muitas coisas da minha infância. já inclusive fiz um texto falando sobre os presentes das mulheres da minha vida e o fato de eu nunca jogar nada disso fora ou coisa do tipo. talvez porque eu seja apegado demais às memórias e à importância delas. um ser humano sem memória não é nada. um escritor, muito menos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas é difícil entender que a hora de deixar esses anos insanos de faculdade para trás, ir buscar novos ares, uma vida nova, a metrópole, está chegando. o bar ainda está lá, todos os dias, com a cerveja me esperando. não qualquer bar, mas o que as pessoas chamam de minha segunda casa. muitos amigos ainda estão aqui. as ruas são marcadas pelos porres homéricos, pelos fracassos amorosos, pelas quedas, pelas risadas e pelas estórias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;só que, apesar disso tudo, hoje eu vi o dia que eu vou subir a longa avenida em que moro, de madrugada, tendo na minha cabeça que &lt;i&gt;é a última vez. &lt;/i&gt;a vida segue. tudo isso vai virar nostalgia e vamos pra próxima fase da vida, construir os novos símbolos, os novos lugares, as novas pessoas. e assim num ciclo eterno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;----------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o livro "mulheres, noites, músicas e pedaços de sonhos" já pode ser comprado por &lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=307&amp;amp;idProduto=312"&gt;esse link&lt;/a&gt;. o próximo passo é deixar a barba chegar no dedão do pé e sair vendendo pela rua augusta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2166112327892265220?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2166112327892265220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2166112327892265220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2166112327892265220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2166112327892265220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/09/sobre-deixar-para-tras.html' title='sobre deixar para trás.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5227810642639258036</id><published>2010-09-07T17:39:00.003-03:00</published><updated>2010-09-07T18:06:43.922-03:00</updated><title type='text'>the lonely rider I</title><content type='html'>já amanheceu. uma garoa leve vai caindo, gelada, cortando a pele do rosto. uma multidão na rua. devem estar indo trabalhar, enquanto eu só quero a minha cama. o cobrador do ônibus diz que não preciso pagar, me deixa ficar na parte da frente. &lt;i&gt;pode descer por aí mesmo, não tenho troco. &lt;/i&gt;gente boa. imagino a que horas ele deve ter que acordar pra ter esse emprego, quanto deve ganhar. mas logo, ele simplesmente desaparece. adeus, cobrador.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;lembro da loirinha da festa. era bonitinha, estava muito, muito bêbada. perguntei o nome dela três vezes, quatro talvez. ela ficava brava. &lt;i&gt;ana júlia, como da música, é fácil lembrar. o seu é carlos, eu lembro, pô. &lt;/i&gt;mas eu nem tinha bebido tanto assim, só umas sete ou oito latinhas. acho que não lembrava o nome dela porque tinha muita coisa em volta pra prestar atenção. pessoas andando, a cor da noite brilhando, o cigarro rasgando a minha garganta. vários sons e imagens no fundo. pessoas se pegando, pulando, dançando. eu simplesmente observo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por algum motivo, não lembro de mais nada da loirinha. devo lembrar do nome porque perguntei três, talvez quatro vezes. mas o que ela fazia, de onde era, como tinha chegado ali, como tinha começado a conversar comigo eu simplesmente não faço idéia. nem tinha bebido tanto assim, só umas sete ou oito latinhas. e ela queria pinga. fomos pro bar, ela virou duas, eu também. passou uma amiga, foram as duas pro banheiro. esperei uns dez minutos, não saíram de lá. é, ela estava muito bêbada, devia estar vomitando as tripas. fui procurar meus amigos pra conversar. adeus, ana júlia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu acho finais de festas as coisas mais fascinantes do mundo. as músicas que colocam pra espantar as pessoas, um ou outro casal ainda em algum canto, amigos sentados fumando e olhando para o nada, caminhada longa pra casa logo a seguir. é como um ritual, uma purificação. purificação que é completada pelo amanhecer. novo dia, nova luz. seus pecados, fracassos, erros, diálogos e esquecimentos ficaram pra trás com a escuridão. agora, tudo é novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e da janela do ônibus, você mantém o seu olhar fixo. sabendo que está renovado, vendo os primeiros raios de sol baterem no concreto molhado pela garoa paulistana. uma fome do cão, parar em algum lugar e comer alguma coisa com urgência. duas coxinhas num bar. salvação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;finalmente, é hora de dormir. logo, tem outra festa. outro amanhecer. outra purificação. nossas almas estarão sempre salvas. e eu pego no sono com um orgulho sincero dessa manhã. de ser viciado em observar amanheceres de janelas de ônibus. &lt;i&gt;sounds fuckin' good.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5227810642639258036?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5227810642639258036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5227810642639258036&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5227810642639258036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5227810642639258036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/09/lonely-rider-i.html' title='the lonely rider I'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-210134524801353055</id><published>2010-08-31T02:42:00.002-03:00</published><updated>2010-08-31T03:25:03.314-03:00</updated><title type='text'>impossibilidades</title><content type='html'>gerson não acreditava na felicidade. &lt;i&gt;ela sempre vem, dura um ou dois minutos, talvez até horas, raramente chega a dias. tudo vai dar certo nesse período, você vai se sentir leve, sem nada por cima. depois, vai embora. fica só o vazio. o desespero. o nada. &lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não tinha trabalhado na teoria. ela simplesmente aparecera, com o dia-a-dia, com os acontecimentos que se repetem, como se a vida fosse um eterno ciclo sem saída. um labirinto em círculos. círculos que sempre se parecem com os anteriores, mas tendo alguma coisa perdida em relação ao anterior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;naquela tarde em especial, ele se lembrava do que tinha vivido alguns meses atrás. não conseguia precisar quantos, mas devia ser quatro, cinco, seis, algo do tipo. devia ser março, era o mês no qual os relatórios são avaliados e o que tinha acontecido era que o de gerson tinha sido reprovado pelo chefe. os gráficos não eram convincentes, não mostravam que os clientes melhoraram a aprovação ao produto. não adiantava nenhuma argumentação, todos sabiam que o chefe era um filho da puta e não ia mudar de opinião. a solução era mudar os planos, mudar as metas e refazer todo o trabalho. um trabalho de cão, pesadíssimo, mas que dava dinheiro suficiente pra beber no final de semana e tentar arrumar alguma burguesinha na balada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gerson chegara em casa e a tv passava o jogo de seu time. o adversário vestia camisas azuis e vencia por dois a zero. nunca ligou muito para futebol, mas aquele era um dia que tudo ficaria marcado. do café da manhã ao último ato antes de se deitar. &lt;i&gt;sempre que coisas importantes acontecem, &lt;/i&gt;pensava, &lt;i&gt;acabamos guardando conosco os detalhes em volta delas. as roupas que vestíamos, a marca dos cigarros que fumávamos, o horário que vimos no relógio. &lt;/i&gt;ele provavelmente tinha razão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que mais atormentava gerson, porém, não era a recusa do relatório do chefe, a derrota de seu time, os amigos com os quais saíra no final de semana terem vomitado e ele ter tido que cuidar de todos ou o pacote de bolachas do café da manhã estar vencido. o que mais atormentava gerson era clarissa. trabalhava na padaria vizinha ao escritório, era bonita e ingênua, moça do interior recém-chegada. tornava-se cada dia mais conquistadora. começo de relacionamento, aquela fase de descoberta que normalmente deixa as pessoas mais felizes que nunca. mãos nos peitos, avançando pro próximo passo no encontro seguinte. mas não haveria nenhum encontro seguinte. clarissa simplesmente desaparecera da padaria, não atendia mais telefonemas, não deu nenhum sinal de vida. um desperdício completo. uma grande interrogação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e então se foram esses quatro, cinco, seis, quantos se queira desconhecidos meses. passaram como o vento, em imersão. dias de trabalho acordando cedo, baladas no final de semana. amigos bêbados falando sobre mulheres, sobre sexo, sobre seus escritórios. um deles casou. gerson parou de fumar e diminuiu a carne vermelha. &lt;i&gt;é engraçado como a maior parte dos dias passa sem que nem notemos. tudo é absolutamente igual, perdido num oceano de fatos no qual você bóia pra todos os lados, olhando pra praia que às vezes se aproxima, mas nunca chegará.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas naquela tarde, tudo parecia diferente. pra começar, o final de semana anterior. gerson bebera demais, vomitara no colo dos amigos, que acabaram por cuidar dele. &lt;i&gt;retribuímos o favor, hein, &lt;/i&gt;disseram com o clássico tapinha nas costas. o chefe aprovara o relatório. as metas tinham sido cumpridas e os gráficos deixavam tudo muito claro. talvez viesse um aumento junto com aqueles papéis. com certeza, uma folga viria. aquela felicidade momentânea começava a tomar conta de gerson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o grande choque, porém, veio ao chegar em casa. ligara a televisão e seu time vencia o adversário de camisa azul por dois a zero. o mesmo adversário. o mesmo placar. uma virada completa. o ciclo estava completo na sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;teve certeza: clarissa ia reaparecer. bateria na sua casa, ligaria, estaria na padaria no dia seguinte. era um fato irrefutável. a vida tinha virado de cabeça para baixo e, agora, ele estava do lado positivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;obviamente, não aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gerson nem sequer ficou muito triste por clarissa. era bonita, simpática, mas não tivera a consideração de avisá-lo que ia embora. porém, mergulhou numa imensa depressão, indo à banca de jornais e pedindo a mesma marca de cigarros que fumava anteriormente. &lt;i&gt;mais alguma coisa precisa continuar igual no ciclo, &lt;/i&gt;pensou. tinha que se apegar. não podia se perder ainda mais no labirinto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e deitou, inconsolável. percebera ali que nunca se pode ter a felicidade completa. que algumas coisas sempre ficarão pelo caminho, perdidas, esquecidas num canto escuro da vida. que o relatório, os amigos, o futebol, os cigarros, até as bolachas vencidas podem ser recuperadas, mas sempre o mundo será incompleto. o que seria da próxima vez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;adormecera. eram três da manhã quando acordou e viu um filme na televisão, antigo, década de 70 provavelmente, com charles bronson. tinha um pote de amendoim em cima da mesa, vestia camisa listrada e estava com a barba por fazer. prestou atenção em todos esses detalhes e simplesmente soube que eles voltariam a ser combinados num futuro próximo, no complemento desse ciclo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e soube que, quando o ciclo estivesse completo, mais um pedaço do labirinto estaria perdido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-210134524801353055?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/210134524801353055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=210134524801353055&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/210134524801353055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/210134524801353055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/08/impossibilidades.html' title='impossibilidades'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-9080520192900096766</id><published>2010-08-23T02:22:00.003-03:00</published><updated>2010-08-23T03:02:08.481-03:00</updated><title type='text'>o porre, a ressaca, o arrependimento, a vida.</title><content type='html'>&lt;i&gt;if i were a train, i'd be late.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a sensação de ressaca é praticamente inconfundível e, depois de um tempo, você simplesmente se acostuma com ela e passa a viver normalmente, simplesmente ignorando-a. forte dor de cabeça, moleza por todo o corpo, boca seca, necessidade constante de ingerir líquidos. ficar com os olhos abertos é complicado, no sol é quase uma tortura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;muito pior e mais difícil de se lidar, porém, é a famosa ressaca moral. dores no corpo são passageiras e não afetam o seu pensamento nem as outras pessoas, enquanto as cicatrizes da alma e do coração podem ficar enraizadas por muito tempo e ter consequências realmente graves. existem dois tipos de ressaca moral: a com lembranças e a sem lembranças. fiquemos na segunda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois de algumas horas de bebedeira, de chegar em casa, de dormir e de acordar no dia seguinte, um período da memória é simplesmente retirado de você, como se um certo tempo nunca tivesse existido. é como se, depois de beber das três da tarde à uma da manhã, você se esquecesse de tudo que fez entre as nove da noite e a meia-noite e meia. esse grande branco, vácuo de lembranças é preenchido por flashes rápidos. flashes que normalmente trazem coisas realmente assustadoras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu tenho alguns problemas bastante graves quando bebo, que são basicamente o fato de eu começar a falar da minha vida em aspectos mais íntimos pra pessoas que eu nunca deveria fazer isso - a chance de você estar no bar comigo e depois de horas saber quem eu peguei, comi, acho gostosa e afins, além de quem eu odeio, mataria e como mataria é muito grande - além de, por outro lado, ficar emotivo e correr atrás de pessoas sem maiores noções de limites, sendo que mensagens enviadas em celulares e e-mails bêbados já me causaram impactos imensos nessa vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, você terá aqueles flashes&lt;i&gt; &lt;/i&gt;durando alguns segundos na sua cabeça enquanto tenta reconstruir o passado e ver o quão trágicos foram seus atos. você não sabe, porém, o que nos flashes é realidade e o que é fantasia, delírio. &lt;i&gt;tenho flashes de ter pego aquela gordinha da sala do lado, de ter contado pra todo mundo que a garota tal não chupa bem, de ter dado em cima de uma outra que nem é tão bonita e tem namorado. &lt;/i&gt;tenha certeza: todos os pedaços de lembranças que forem negativos são verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o medo e a destruição moral vêm dessas situações. encontrar as pessoas na rua, &lt;i&gt;ok, me deu oi decentemente, tranquilo, não devo ter feito nada errado. &lt;/i&gt;aos poucos, você vai percebendo que o mundo segue na parte psicológica também. até o próximo porre. até a próxima amnésia. até a próxima tentativa de reconstrução.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu nunca escondi de ninguém que eu bebo e que eu faço merda bêbado. quando você me conhece, é uma das primeiras coisas que vai ficar sabendo. aprenda a lidar, simplesmente. dependendo do quão profunda é sua convivência comigo, chegamos ao nível também de profundidade que você vai ter que lidar com isso. é natural, uma característica básica de personalidade. mas isso não impede que, muitas vezes, eu me sinta mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não me considero uma má pessoa, mas também não sou bom. na verdade, não acredito em bem e mal e em tudo que envolve esses estereótipos com os quais as pessoas são fichadas de acordo com o quanto seguem as morais da sociedade. simplesmente, eu sinto que estou errado muitas vezes. que estou constantemente errado. queria ter evitado infinitas coisas que fiz bêbado, e até hoje elas me martelam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas aí, eu lembro que já cansei de errar sóbrio também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;se eu não tivesse bebido naquela noite &lt;/i&gt;não me atinge. olhar para todos seus erros, olhar para todas as coisas que você deixou pra trás em escolhas que talvez não precisassem ser feitas. olhar, principalmente, pras pessoas que você machucou sem querer apenas por nunca ter deixado de ser você mesmo. um conjunto interminável de reparações a serem feitas. de lugares a voltar. de beijos perdidos por aí.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sempre me vejo na manhã seguinte, com a forte dor de cabeça, a moleza por todo o corpo e a boca seca, sentado num banco me escondendo do sol com meus inseparáveis óculos escuros, fumando um cigarro e refletindo os erros de mais uma noite. e eu tenho certeza que se eu fosse um trem, eu estaria atrasado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-9080520192900096766?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/9080520192900096766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=9080520192900096766&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9080520192900096766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/9080520192900096766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/08/o-porre-ressaca-o-arrependimento-vida.html' title='o porre, a ressaca, o arrependimento, a vida.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1630123513952386467</id><published>2010-08-16T02:39:00.005-03:00</published><updated>2010-08-16T16:38:04.708-03:00</updated><title type='text'>circular central - introdução.</title><content type='html'>&lt;i&gt;love is dead. love is a fantasy little girls have.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;renata nunca entendeu porque tinha se casado com joão augusto. na verdade, entender não é a palavra correta - podemos falar em &lt;i&gt;se conformar, &lt;/i&gt;em &lt;i&gt;olhar para o passado e não ver um sentido. &lt;/i&gt;à época do ocorrido, ela era uma moça de vinte e poucos anos, ganhando a vida fazendo programas nas noites selvagens da putaria paulistana. saia com jogadores de futebol, com atores, fotógrafos, jornalistas, famosos de ocupações infinitas. era favorecida pelos seus longos cabelos loiros, seu silicone recém-colocado e pelo boquete que tinha se tornado praticamente lendário. às vezes, tinha medo de apanhar. ou que alguém a machucasse. muitos homens não respeitavam sua profissão, tratavam-na como um lixo humano, um depósito de esperma que gemia e de vez em quando resmungava. mas &lt;i&gt;ter medo &lt;/i&gt;era um aspecto facilmente irrelevante quando ela tinha tanto dinheiro para comprar roupas, jóias e televisores de lcd, passear no shopping quando quisesse sem se deter a apenas &lt;i&gt;olhar as vitrines &lt;/i&gt;e morar sozinha em um apartamento de médio porte numa região nobre da maior cidade do país.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;joão augusto, por sua vez, entendia facilmente o porque tinha se casado com renata - ou priscila, quando ele a conheceu. um engenheiro ambiental formado há cinco anos, escalando facilmente os cargos de sua empresa até a direção. sempre fora muito inteligente, mas possuía uma timidez descomunal. durante todo seu tempo na escola, era alvo frequente de bullying dos colegas. chegou virgem ao terceiro ano da faculdade. melhor aluno da sala. tinha poucas amizades, ia em raríssimas festas. um dia, conheceu uma garota pela internet, um chat de sexo. marcou um encontro num motel próximo ao campus, foi até lá. gordinha, mas até apetitosa. ele não tinha nenhuma condição de escolher ou rejeitar, qualquer que fosse a forma. fez o serviço, olhou para o teto e percebeu que nada tinha mudado em sua vida. tempos depois, veio o estágio. mais um pouco, a efetivação. dinheiro, sucesso. um projeto revolucionário deixando o chefe estarrecido. a timidez, porém, continuava lá. o vazio também. uma namorada de verdade, que ele podia chamar de &lt;i&gt;meu amor &lt;/i&gt;com sinceridade era uma ilusão distante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;durante muitos anos, renata sempre pensou em roberto. queria saber o paradeiro dele. se ainda estava vivo. tinha sido com ele a sua primeira vez, ainda na adolescência. quinze anos. não imaginava que se tornaria prostituta, muito menos ele. namoraram por oito meses antes de uma briga dentro de uma sala de cinema. foram expulsos, inclusive. os outros espectadores ficaram altamente incomodados e chamaram a gerência. &lt;i&gt;esses pirralhos que não sabem nem respeitar os outros, &lt;/i&gt;diziam, indignados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;roberto se tornaria alcoólatra. uma gradução em jornalismo numa universidade pública - era carismático, mas pouco sociável. preferia manter distância da maioria das pessoas, gostava dos bares com seus poucos amigos e do escuro da sala de cinema. sim, ele se tornou exatamente o tipo de pessoa que expulsa pirralhos mal-educados desse templo sagrado. fez um mestrado sobre a obra de john cassavetes. &lt;i&gt;love is dead, love is a fantasy little girls have. &lt;/i&gt;era estranho comparar esses personagens dentro de suas limitações. esses diálogos que pareciam dizer tanto sobre o mundo e sobre a humanidade. &lt;i&gt;love is a stream, it doesn't stop. &lt;/i&gt;quem estaria certo, afinal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele morou durante alguns anos com natasha, uma russa que fazia intercâmbio no brasil, apaixonada por esta cultura tropical. muito ironicamente, não tomava vodka. queria saber sobre o carnaval, sobre o cinema novo, sobre uma língua tão diferente, sobre o calor. calor não só climático, mas humano. foi parar justamente com roberto, seu colega de turma na pós-graduação. um avesso, uma projeção de uma vida fria, pensativa, sem dança. ampliara sua estadia por aqui por causa dele. tiveram excelentes tempos juntos, lendo sartre, ouvindo chico buarque e discutindo quem estaria realmente certo nas teorias sobre o amor. um dia, ela percebeu que estava na rússia, mesmo no país tropical. deixou uma carta e voltou para sua terra natal também geograficamente. simples assim. ele nunca foi atrás dela. nunca tentou nem sequer um telefonema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;renata, joão augusto, roberto, natasha. eu poderia falar sobre gualberto, o frentista que juntara salário de três meses para poder fazer um programa com renata. sobre luiza, a aluna de roberto que passava noites no bar com ele e depois se despedia com sexo casual e sem sentimentos. sobre scarlett, a atriz para a qual joão augusto se masturbava. sobre vladimir, o primo com quem natasha tivera um caso na adolescência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;love is dead. love is a fantasy little girls have.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1630123513952386467?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1630123513952386467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1630123513952386467&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1630123513952386467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1630123513952386467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/08/olhares-introducao.html' title='circular central - introdução.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7100093099285055874</id><published>2010-08-09T03:02:00.004-03:00</published><updated>2010-08-09T03:50:13.766-03:00</updated><title type='text'>memórias e músicas</title><content type='html'>&lt;i&gt;cê gosta mais de red label ou ice?&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenho um gosto musical incrivelmente restrito, composto basicamente por rock dos anos sessenta e setenta, alguns sambas clássicos, um ou outro jazz ou blues e algumas trilhas sonoras de filmes. nada que seja usualmente tocado em festas. nada que costume fazer as pessoas - pelo menos os jovens de hoje - dançarem e pularem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meu comportamento nessas festas acaba sendo bastante clichê, um comportamento marcado e que todos conhecem - eu vou ficar normalmente longe da pista ou do palco, preferencialmente em um lugar aberto, com meu cigarro numa mão, minha bebida na outra, conversando com pessoas que eu acabe julgando válido fazê-lo, sejam meus amigos, amigas ou quaisquer outras garotas que possam acabar se desenvolvendo em uma noite produtiva. porém, vez ou outra, um caso específico acaba me levando a estados que eu costumeiramente manteria distância.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;essa noite foi um dos maiores exemplos, com essa garota que eu estava de olho há algum tempo. morena, um rosto comum, nada de extraordinário, mas ela prometia ter peitos muito bonitos, por mais que não parecessem grandes ou vantajosos. o resto do corpo também era muito promissor. tínhamos conversado algumas vezes, criado uma ou outra piada interna, essas coisas que são quase que obrigatórias pro nascimento de um semi-relacionamento, mas sempre com pressa, sempre sem nenhum campo pra tentar dar o passo decisivo. até que ali estávamos, na mesma rodinha, discutindo numa festa estranha, com música ruim e cerveja cara.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em um certo momento, a música ruim e a cerveja cara passa a não importar absolutamente nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a velha e quase infalível técnica da rodinha fechada entre os dois, afastando-se cada vez mais dos outros integrantes da conversa. "&lt;i&gt;a música está ruim, não? e a cerveja cara. não sei, essa festa está estranha". "é você quem faz a festa. quer ver, vem comigo."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela pegou meu braço e me levou até perto do palco, e o som era exatamente esse desastroso &lt;i&gt;cê gosta mais de red label ou ice?, &lt;/i&gt;que eu não sabia o nome da banda e não faço questão de saber até hoje. risadas, olhares, conversas de pé de ouvido. uma dança bastante falsa encenada, vocês sabem, isso deve ser um forró, coisa que eu absolutamente passo longe de dançar. nesse momento, é praticamente uma conquista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os segundos que antecedem um primeiro beijo em alguém que você está afim há algum tempo são fascinantes. você sabe que está na eminência de acontecer. você está falando absolutas bobagens ali, no ouvido, com os rostos colados, uma mão nas costas dela e a outra no cabelo, você percebe aqueles sorrisos quase sem graça, sente as covinhas do rosto, sente o movimento. a hora certa se aproxima. sempre existe a dúvida. mas, normalmente, quando esse momento chega, ela já se dissipou. então, o ato consumado. esqueça o resto. a música martela na cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois, todo o delicado jogo de mãos, buscando melhores posicionamentos no corpo dela, buscando &lt;i&gt;sentir &lt;/i&gt;se os pensamentos que você tinha têm maiores chances de ser verdade - você se divide em três partes - o ambiente externo, a língua e o &lt;i&gt;os peitos parecem ser muito legais mesmo! hum, essa cintura é na medida certa, excelente. &lt;/i&gt;em alguns minutos, você acaba cansando, perde o fôlego. olha pra ela, bebe outra cerveja, fuma outro cigarro e espera a próxima sessão de beijos enquanto anda de mãos dadas pela aglomeração de pessoas realmente pulando e se divertindo com a música ruim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sai mais umas duas vezes com essa garota depois dessa noite. não deu certo, simplesmente. sempre acontece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quase todas as semi-relações acabam sem ninguém errar ou sem desgaste. é só uma questão de incompatibilidade natural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me entristece o fato que eu nunca soube se de fato os peitos eram muito bonitos e se o corpo cumpria expectativa. até hoje penso que podia ter tentado melhor, talvez valesse a pena para uma ou outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas o que realmente me intriga é que, por mais que ela tenha sido um affair de uma semana, sempre que em algum lugar eu ouço o verso &lt;i&gt;cê gosta mais de red label ou ice?, &lt;/i&gt;aquela noite - especificamente os segundos pré-beijo - vem na minha cabeça e ficam por algum tempo. quase todas as músicas acabam atreladas às pessoas e às memórias nas nossas vidas. parece que elas carregam significados. é como um ímã. pessoas são ímãs que atraem pequenas coisas que circulam em volta delas enquanto estão nas nossas vidas. e músicas parecem ser o caso mais estridente disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não consigo ouvir david bowie sem lembrar da garota que ligava &lt;i&gt;the man who sold the world &lt;/i&gt;na hora do sexo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e assim nós vamos seguindo. passo a passo, dia a dia, criando um cemitério de lembranças nas nossas cabeças. provavelmente, um dia vamos atrelar todas as coisas existentes - lugares, filmes, cheiros, gostos - a alguém - e as memórias vão se sobrepor. deve ser deveras triste.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou talvez simplesmente eu esteja errado e lembranças sejam como festas. eu sempre preso no meu clichê, até que alguém faça questão de me mostrar: &lt;i&gt;a memória é você quem faz, &lt;/i&gt;me puxe para o palco e o resto aconteça naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7100093099285055874?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7100093099285055874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7100093099285055874&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7100093099285055874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7100093099285055874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/08/memorias-e-musicas.html' title='memórias e músicas'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7933940513412984676</id><published>2010-08-01T03:59:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T04:36:41.089-03:00</updated><title type='text'>da obscura verdade III</title><content type='html'>&lt;a href="http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/03/da-obscura-verdade.html"&gt;da obscura verdade&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/04/da-obscura-verdade-ii.html"&gt;da obscura verdade II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(alerta de texto extremamente pessoal. não se trata de um conto, crônica, narrativa ou porra nenhuma do tipo. parar por aqui caso não interesse. muito bem-vindo/a a continuar caso contrário.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma ou outra vez, eu tentei explicar. ninguém nunca chegou perto de entender e, conformado com isso, garanto que nunca mais tento. ou não, vou abrir uma exceção. uma última exceção. fica aqui o registro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é mais ou menos assim: às vezes, eu vejo esses filmes ou leio esses livros com personagens tão parecidos comigo. já cansei de descrever um deles, robert harmon, interpretado pelo john cassavetes no &lt;i&gt;love streams, &lt;/i&gt;do próprio cassavetes. são artistas ou pretensos artistas bêbados, irresponsáveis, perdidos numa vida própria de acontecimentos que não os leva a lugar nenhum, por mais que eles queiram. normalmente, eles se importam com muitas coisas, e eles &lt;i&gt;tentam &lt;/i&gt;ser boas pessoas. realmente se esforçam. mas acaba não sendo possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;essa primeira parte não me incomoda em nada, acho realmente excepcional quando vejo alguém que eu me identifico tanto sendo retratado por um autor que eu admiro tanto, que é o caso do cassavetes. principalmente porque ele também era assim, até morrer de cirrose com alguma idade que eu não lembro e não vou pesquisar agora. o que me incomoda é quando passam a retratar essas pessoas por 100, 120 minutos em longos contos, com todos os nossos traços, e no fim simplesmente acontece uma &lt;i&gt;redenção.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vejam, eu não acredito em redenção. mais que isso, eu não quero me redimir. eu não acho que eu precise me redimir. normalmente, nessas &lt;i&gt;estorinhas de redenção, &lt;/i&gt;o protagonista conhece uma &lt;i&gt;garota especial &lt;/i&gt;que faz com que eles se tornem responsáveis, parem de beber e de fumar, dirijam toda a capacidade afetiva pra uma construção familiar clássica e um enquadramento no mundo. o esforço que eles dirigiam às situações e sempre ia por terra em algum porre, alguma situação limite ou simplesmente por incompatibilidade de um outsider com uma &lt;i&gt;garota especial, &lt;/i&gt;num passe de mágica, funciona. o mundo é lindo e os passarinhos cantam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não faz sentido. nada funciona desse jeito. eu tenho vinte e dois anos, esses personagens têm quarenta ou cinquenta. eles já passaram por muito mais coisas e já perderam muito mais &lt;i&gt;garotas especiais &lt;/i&gt;que eu por causa de porres, situações limites ou incompatibilidades. mas eu, com o meu olhar pessimista pro mundo, o jeito cinzento de enxergar, não consigo pensar que daqui a trinta anos, com enfisema, hepatite, barba branca e dentes totalmente amarelos-nicotina vou &lt;i&gt;me esforçar &lt;/i&gt;pela milésima oitava vez e, num passe de mágica, tudo vai funcionar, o mundo será lindo e os passarinhos cantarão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(é engraçado escrever isso quando meu filme é justamente sobre um &lt;i&gt;outsider&lt;/i&gt; buscando redenção. mas com o meu olhar pessimista e jeito cinzento de enxergar, claro.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por isso, com todas essas cicatrizes que vão se acumulando a cada vez que você realmente dá o melhor de si e as coisas acabam subitamente, com todas essas marcas que vão se aprofundando na pele, chega uma hora - e talvez seja cedo demais pra isso - que você aprende que não vale mais a pena. que o ideal é assumir absolutamente quem você é. se fechar dentro do seu próprio planeta e desejar boa sorte pra quem tentar se aventurar por ele. sem se responsabilizar por nada. estando no bar. fazendo as suas coisas de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o coração é imenso, mas cada novo esforço deixa um pedaço dele pelo caminho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu não quero que, daqui a trinta anos, além de enfisema, hepatite, barba branca e dentes totalmente amarelo-nicotina, eu também esteja totalmente sem coração. não poderia mais escrever. não poderia mais fazer filmes. não poderia mais dizer sequer um &lt;i&gt;oi &lt;/i&gt;para uma &lt;i&gt;garota especial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é por isso que quando você ouvir alguém dizendo que &lt;i&gt;vai me visitar na minha segunda casa, o bar, &lt;/i&gt;saiba: essa pessoa está errada. o bar é minha primeira casa. meu lar. é onde eu realmente me sinto bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é onde meu fígado e meus pulmões são despedaçados, mas não o coração. e eu não preciso deles para escrever, para fazer filmes ou para me esforçar com a próxima &lt;i&gt;garota especial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não sei se alguém vai entender. fica &lt;i&gt;o esforço. &lt;/i&gt;a sinceridade. mesmo que você, que chegou até aqui, não tenha entendido, fica meu agradecimento. afinal, essa foi a última tentativa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7933940513412984676?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7933940513412984676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7933940513412984676&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7933940513412984676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7933940513412984676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/08/da-obscura-verdade-iii.html' title='da obscura verdade III'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3130443620147677738</id><published>2010-07-19T02:06:00.005-03:00</published><updated>2010-07-19T14:00:44.769-03:00</updated><title type='text'>manoela</title><content type='html'>manoela acordava todos os dias às duas horas da tarde. assistia dois ou três de seus programas de televisão preferidos - principalmente comédias e sitcoms americanas - comia alguma coisa rápida, tomava banho, colocava uma roupa mediana e ia para o cursinho. assistia aulas até às onze da noite, chegava em casa e começava a estudar. ficava ali, com os livros e os cadernos até por volta de quatro ou cinco da manhã - sua mãe sempre se revoltava com esse hábito estranho de organizar os horários, mas entendia. afinal, era um sacrifício válido pra entrar no concorridíssimo curso de nutrição na faculdade pública.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes, a mãe de manoela também reclamava da rotina da garota. ela parecia não ter vida além daquela rotina pegajosa. não tinha namorado, apenas três ou quatro amigas. mais ou menos dois sábados por mês ela ia para a balada, ouvia música eletrônica, dançava, bebia coquetéis de qualidade duvidosa e ia para algum motel com algum cara que lhe tivesse dado uma cantada "inteligente". dessa última parte, obviamente, a mãe não sabia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas manoela não se importava com isso. ela estava simplesmente esperando. na faculdade, tudo seria melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela conseguiu. entrou na faculdade, no concorridíssimo curso de nutrição. foi morar em outra cidade, em uma república com outras garotas que estudavam ali mesmo. a mãe ficou demasiadamente orgulhosa, mas o que valia era a esperança dentro de manoela. a esperança que tudo, finalmente, mudaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;passou a acordar todos os dias às sete horas da manhã. conversava com as amigas enquanto tomava café da manhã, ia até o prédio em que tinha aulas e ali ficava até o meio dia. almoçava, passava a tarde na biblioteca, à noite se dividia entre ver seus dois ou três programas de televisão preferidos - principalmente novelas globais - sair com algum eventual rolo do curso de medicina e ir em festas universitárias típicas. não entendia porque, mas não se sentia bem. o mesmo vazio permanecia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas manoela não se importava com isso. ela estava simplesmente esperando. ela sabia que quando estivesse no mercado de trabalho, tudo seria melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vieram a formatura, o primeiro emprego, um cargo de relativa importância numa multinacional. até uma certa independência financeira. o próprio dinheiro, as próprias roupas, o próprio apartamento. a vida era um sonho - mas só olhando de longe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;acordava todos os dias às seis e meia da manhã. pegava seu carro zero, um compacto adquirido em consórcio, dirigia até o emprego, onde ficava até as cinco da tarde. voltava para casa, passando num restaurante para encomendar comida no caminho. jantava, assistia seus dois ou três programas de televisão preferidos - principalmente telejornais e seriados policiais americanos - colocava um pijama e ia dormir. nos finais de semana, encontrava seu namorado. sim, agora namorava firme, fazia sexo semanalmente - sendo que até tinha se aventurado a fazer coisas que nunca tinha feito e achava um absurdo quando ouvia falar nelas - ganhava flores mensalmente e se sentia amada e idolatrada. porém, no fundo, não entendia o sentido de nada. não era feliz. ainda estava presa a uma rotina, sem saída, sem opções. namoro? emprego? dinheiro? a prisão só aumentava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas manoela não se importava com isso. ela estava simplesmente esperando. ela sabia que, quando casasse, tudo seria melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;manoela casou, teve filhos, mudou de emprego, teve um salário capaz de levá-la aos estados unidos nas férias, se divorciou, deu entrevista para o globo repórter sobre as propriedades da batata doce em diabéticos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e eu sempre a achei uma idiota. presa no seu pequeno mundo, com a ilusão que tudo seria melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um dia, eu entendi. eu era igual a manoela. todos nós somos iguais a manoela. estamos sempre esperando. quando estamos de férias, esperamos a volta da rotina. quando estamos na rotina, esperamos as férias. temos sonhos, visualizamos futuros, pensamos nos nossos próximos projetos, pensamos o que vamos fazer no dia seguinte. esperando. eternamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a diferença é simplesmente que eu não tenho mais nenhuma ilusão que qualquer coisa será melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3130443620147677738?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3130443620147677738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3130443620147677738&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3130443620147677738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3130443620147677738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/07/manoela.html' title='manoela'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8451382875069660235</id><published>2010-07-11T02:56:00.005-03:00</published><updated>2010-07-12T01:05:37.805-03:00</updated><title type='text'>sobre superstição</title><content type='html'>lembro que não era pra eu ir no bar naquele dia. já tinha passado infinitas horas lá na véspera, uma segunda-feira, estava de ressaca e tinha coisas importantes pra fazer. porém, alguns convites são irrecusáveis, e quando a garota que você está afim te convida pra beber cerveja com ela e as amigas, é perfeitamente natural esquecer a ressaca, a situação financeira, os compromissos acadêmicos descartáveis de sempre e tudo o mais, deixar sua casa, vestir uma blusa e se dirigir para aquele aconchegante local que algumas pessoas que você conhece chamam de sua segunda casa.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas essa história não é sobre essa garota específica, nem sobre nenhuma outra, nem sobre todas elas. o fato central que eu gostaria de frisar é que, ao chegar no bar e escolher uma das únicas mesas vazias daquela noite, um objeto abandonado jazia ao lado dos copos vazios deixados pelos últimos ocupantes do local. como em um filme de terror, ciganos lançado maldições em pingentes que passam de pessoa para pessoa, brincos, pulseiras, colares, o que quer que seja, carregando demônios, gênios, a vontade sobre o bem e sobre o mal. desejos realizados ao preço da alma. superstições e descrenças valorizadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tratava-se de um isqueiro. não era um isqueiro comum, possuia uma chama gigantesca, praticamente um maçarico. "olha, o massari achou um maçarico", alguém disse. risadas. guardei no bolso. vida que segue entre cervejas, olhares pra garota e conversas vazias em mais uma noite no bar. eu absolutamente nunca fui supersticioso.  não achava que aquele objeto específico poderia melhorar minha vida, me dar um pacto com satanás - que eu nem acredito na existência - ou piorá-la de uma vez. mas o fato é que por alguns dias, eu o usei. mesmo com a chama completamente desproporcional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nas duas ou três semanas seguintes, minha vida alcançou níveis inesperados de sucesso pontual. consegui a tal garota, excelentes notícias sobre o filme e o livro, muitos dias de bastante traquilidade no bar com a cerveja, os amigos e o maçarico. uma festa pesadíssima que me rendeu soluços por dois dias seguidos. não importava, mesmo. mas, aos poucos, fui usando cada vez menos e menos o objeto. acabou esquecido no fundo da minha mochila, substituído completamente por um outro isqueiro convencional, daqueles branquinhos que você perde três por dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nem lembrava do tom de filme de terror que tinha dado a ele, nem das estórias de fantasmas que podiam caminhar junto com ele. que, na verdade, eu queria que caminhassem. talvez isso tudo seja porque eu sempre quis que qualquer coisa sobrenatural facilitasse um pouco minha vida, mas meu ateísmo, ceticismo, entre outros "ismos" sempre me disseram pelo lado da razão que se tratava de uma idéia absolutamente ridícula.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;três meses depois daquela terça-feira, muita coisa mudou. não estou mais com a tal garota, tento lentamente vender o livro e distribuir o filme, sabendo da dificuldade que um iniciante tem em ambas as tarefas. jogo menos pôquer que naquela época, mas ainda ganho. porém, não me sinto tão bem. na verdade, acho que eu preciso de outro convite pro bar numa terça-feira de ressaca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;faz mais ou menos uma semana que eu lembrei do tal isqueiro. junto, lembrei de todas as estórias de fantasmas, que talvez se eu voltasse a acender a chama dele e a usá-lo, as forças sobrenaturais protetoras e os demônios que habitam o fluído ali dentro voltassem a colaborar com a minha vida e eu voltasse a me sentir feliz como naquelas duas ou três semanas, tranquilamente as mais felizes desse ano. acendi imediatamente um cigarro com ele. depois, outro. depois, outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nada aconteceu. era só um isqueiro. como polvos são só polvos, pássaros são só pássaros, fantasmas são só fantasmas, pessoas são só pessoas, convites são só convites.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele está aqui do meu lado agora, enquanto escrevo. um dia o fluído vai acabar e eu vou abandoná-lo numa mesa de bar. alguém vai achar que fantasmas estão junto com ele e pegá-lo como talismã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas será só um isqueiro. menos que isso, um isqueiro vazio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8451382875069660235?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8451382875069660235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8451382875069660235&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8451382875069660235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8451382875069660235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/07/sobre-supersticao.html' title='sobre superstição'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3647512747050902124</id><published>2010-07-02T01:35:00.002-03:00</published><updated>2010-07-02T01:55:02.799-03:00</updated><title type='text'>dias de glória</title><content type='html'>era um mês frio - não lembro se maio ou junho - e eu tinha uns treze anos. não era uma época fácil, tinha problemas seríssimos de disciplina na escola e uma visão de mundo totalmente diferente da maioria das pessoas da minha idade. gostava de jogar futebol, claro, todos nessa idade gostam. às vezes, até tênis de mesa. gostava de olhar pras meninas mais bonitas da sala e tentar conversar com elas. não costumava dar muito certo, então partia pras guerras de bolinhas de papel.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas naquele mês frio, em uma noite aleatória, eu fiquei assistindo televisão até a madrugada chegar. e existia um filme passando, nunca vou me esquecer. era &lt;i&gt;um sonho de liberdade, &lt;/i&gt;de frank darabont, um filme sobre prisão e prisioneiros, sobre seres humanos, crimes, culpa, injustiça, principalmente sobre redenção. óbvio que eu não conseguia enxergar metade disso com treze anos. mas aquela estória me pegou, me fez querer ver filmes todas as noites, me fez querer entender e procurar o cinema. deve ter passado uma semana até que eu vi &lt;i&gt;cassino, &lt;/i&gt;do scorsese, em outra madrugada. o estrago tinha passado a ser irreversível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todas as pessoas chegam aos seus dezesseis ou dezessete anos sem ter a mínima idéia do que querem fazer. eu não. eu tinha certeza - queria fazer cinema e nada mais interessava. queria que alguém, em algum país perdido no mundo, em alguma noite fria, visse algo que eu tinha filmado e se apaixonasse. mais que isso, era só olhar pro passado e recordar. com cinco anos, eu pegava meus briquedos - dinossauros, power rangers, qualquer coisa que fosse - e imaginava a câmera e que aquilo era um filme. tinha até os intervalos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não existia duvida. nenhuma duvida. era aquilo e pronto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você cresce, tatua o nome de um filme alemão no seu antebraço e todo mundo te pergunta o que aquilo significa. você conversa com seus amigos no bar, eles falam de micareta, você fala de dez cineastas franceses dos anos sessenta. você aprende uma moral própria, você constrói sua personalidade a retirando de dentro de todas as outras personalidades, você quer ser travis bickle, você quer ser jake lamota, você quer ser antoine doinel, você quer ser tyler durden. você descobre que praticamente é robert harmon e nada pode te diferenciar disso. destino, meus caros, destino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, acontece a reviravolta. com dezesseis, dezessete anos, você se senta em frente ao computador e começa a criar roteiros. quando eu esbocei minhas primeiras tentativas, elas duravam dois ou três dias. achava todas péssimas e deletava com uma velocidade incrível. personagens vazios, narrativas frágeis, diálogos desesperadoramente ruins. mas não importa. você deixou de ser a pessoa que quer estar dentro da tela para ser a pessoa que está do lado de fora e cria as do lado de dentro. no baile do criador e criatura, você passou a ser o criador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ontem, pela primeira vez um filme meu foi exibido em uma sala de cinema. era uma sala muito ruim, com um projetor que transformava a fotografia em um verde estranho e tudo que era branco virava rosa. o áudio não era muito melhor. o público era de umas trinta pessoas, todas conhecidas, meus veteranos ou meus bixos, além da equipe e de metade dos atores. acabou. tirei o dvd. mais uma etapa superada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de criador, você passou a realizador. são dias de glória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3647512747050902124?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3647512747050902124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3647512747050902124&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3647512747050902124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3647512747050902124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/07/dias-de-gloria.html' title='dias de glória'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6504073611290239057</id><published>2010-06-19T01:19:00.002-03:00</published><updated>2010-06-19T01:44:18.199-03:00</updated><title type='text'>salame e provolone</title><content type='html'>mulheres costumam dar presentes estranhos. sapos de porcelana, canecas estampadas, corações de pelúcia, livros com dedicatórias, óculos de sol, cartões brilhantes. nunca tive essa criatividade. nós, homens, de um modo geral acabamos sendo pouco criativos. retribuo com dvds, livros sem dedicatória - mas agora, vejam vocês, posso dar meus próprios livros - os infalíveis bichos de pelúcia ou, os meus preferidos, calcinhas provocantes e coisas similares.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nunca joguei fora nenhum presente que recebi de nenhuma mulher. não sou uma pessoa rancorosa, nem ao menos ingrata. relacionamentos são construídos em cima de símbolos, e todos esses objetos são fundamentais nessa pequena semiótica interna. nunca entendi o sentido de um sapo de porcelana dado pra um homem em uma tarde aleatória, mas a intenção deve ter sido boa. esse sapo, inclusive, caiu no chão uma vez e teve um dos seus pés quebrados. colei com superbonder e recoloquei no seu lugar. o passado sempre tem seu valor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ontem eu fui a um dos meus bares preferidos, absolutamente sozinho. pedi a cerveja mais cara vendida no local e um lanche com salame italiano e queijo provolone. enchi de pimenta, levei um bom tempo pra comer. enquanto isso, me fechei dentro da minha cabeça, relembrando as mulheres que me deram esses presentes. relembrando os dias nos quais eu os ganhei, descartando datas comerciais e todas essas coisas que tiram o singelo valor de uma entrega inesperada. pensei nos beijos de agradecimento, nas trepadas que vieram minutos ou horas depois. pensei nas músicas, nos filmes, nos sites, nos livros, nos diálogos, nas piadas internas, nos apelidos que construíram cada um desses pequenos desastres. e, por fim, nas brigas, nos desentendimentos, nos desaparecimentos, nos silêncios que fizeram todos eles ruirem. e como, multiplicados, eles eram - ou não - os motivos de eu estar ali sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não sei se elas todas tem, como eu, hábito de guardar os presentes do passado. se sim, devem ter tido serventia para fazer outros homens felizes. afinal, sapos de porcelana ficam em um criado mudo, óculos de sol em uma gaveta antiga, livros com dedicatória em uma prateleira. calcinhas enfiadas na bunda e espartilhos devem ser utilizadas. um outro cidadão, uma cama perdida em algum quarto mais perdido ainda por aí, outra semiótica, mas grudado no corpo, causando uma ereção, um símbolo de um relacionamento passado. a vida é mesmo lindamente irônica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas a principal conclusão que eu cheguei ali, comendo pão com salame italiano e queijo provolone e tomando uma cerveja cara, foi que eu não jogo fora nenhum desses presentes não por não ser rancoroso, gostar do passado ou ter resquícios de sentimentos, mas porque é muito confortável ter a lembrança que essas garotas, algumas muito bonitas, inteligentes, boas de cama, divertidas, cultas - obviamente, nenhuma delas cumprindo todos esses adjetivos - um dia me amaram. sabendo dos meus defeitos ou não, aceitando os meus defeitos ou não. e isso me dá tranquilidade pra engolir o último pedaço de pão, dar o último gole na cerveja, pagar a conta, acender um cigarro e ir embora pra casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6504073611290239057?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6504073611290239057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6504073611290239057&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6504073611290239057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6504073611290239057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/06/salame-e-provolone.html' title='salame e provolone'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6312542694284477044</id><published>2010-06-10T20:52:00.002-03:00</published><updated>2010-06-10T21:25:57.366-03:00</updated><title type='text'>sobre essa tal copa do mundo</title><content type='html'>dia 3 de julho de 1994. eu tinha seis anos e quase nenhuma noção das coisas que aconteciam no mundo e à minha volta. já tinha ouvido falar sobre morte e sobre pessoas que deixavam de existir, mas era algo distante e incapaz de atingir qualquer momento de uma vida de criança. nessa data, o melhor amigo do meu avô, companheiro de tempos de exército, de décadas atrás, havia falecido. toda a família - e aí entenda-se meus pais, meus avós, meus tios, minhas primas, meus vizinhos, até as formigas da casa - tinham ido ao enterro. fiquei sozinho, em um quarto no qual os visitantes costumavam dormir. a televisão estava ligada. passava suécia x arábia saudita, duelo pelas oitavas de final da copa do mundo. e eu fiquei ali, vendo o jogo e colando figurinhas no álbum. nada mais importava. morte? o que é isso, afinal?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dia 13 de junho de 1998. eu tinha dez anos e um pouco mais de noção das coisas que aconteciam no mundo e à minha volta. sabia que as pessoas viviam bem e confortavelmente graças à tecnologia, que eu tinha que ser um bom menino na escola (coisa que nunca consegui, obviamente), que a morte era corriqueira e que meu pai estava de férias. essa era a data de holanda x bélgica, pela primeira fase da copa do mundo. novamente, fui ver os jogos do dia na casa do meu avô, porém, a televisão, as luzes e tudo o mais foram interrompidas por um blecaute. desespero. angústia. até que um radinho de pilha se mostra a solução. 0 a 0 narrado por josé silvério, mito do rádio nacional. e a tranquilidade de um jogo não perdido. tecnologia? televisão? alta definição? o que é isso, afinal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 de junho de 2002. eu tinha quatorze anos e pensava que já entendia o mundo. gostava de filmes, de escrever, de mulheres das revistas - apesar de ter de me contentar com poucas garotas da sexta ou sétima série nos intervalos de aulas -, tinha aprendido que ser um bom menino nunca me levaria a lugar nenhum e que deveria lutar por alguma coisa que realmente interessasse. porém, essa era a primeira madrugada da copa do mundo. às duas e meia da manhã, jogariam camarões x irlanda. eu tinha visto um filme por volta das dez da noite, o último tango em paris, e ido dormir. acordei com o despertador e liguei a televisão. minha mãe perguntou se eu queria comer algo, e eu disse que sim. ela fez pão com cheddar. ela voltou a dormir, eu fiquei vendo o jogo. e os jogos. até às dez e meia da manhã. até morrer de sono. e assim por trinta dias. sono? saúde? o que é isso, afinal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10 de junho de 2006. eu tinha dezoito anos e tinha entendido que o mundo, as pessoas, a sociedade e tudo que os cercam eram coisas nada confiáveis, mas que existiam algumas poucas exceções. dia dos namorados, e eu namorava. jovem, sem carro, sem dinheiro, tinha escolhido aquele ano para ficar em paz comigo mesmo, vagabundear o máximo possível, sem nenhuma preocupação. ano de copa, afinal. mas havia, sim, uma preocupação. por isso, no dia dos namorados, um pernoite em um hotel vagabundo de centro seria uma idéia excelente. nos quatro anos anteriores, tinha levemente aprendido a conviver com mulheres, tinha conhecido os vícios da bebida, dos cigarros e do sexo, tinha me aproximado muito mais do que sou hoje. mas todos eles eram vícios novos. o futebol persistia. na manhã seguinte, jogariam holanda x sérvia, pela copa do mundo. nada como acordar no meio do sono pós-sexual, deixar a garota em casa e rumar para a sua a tempo para não perder o jogo. e assim foi feito. mulheres? sexo? o que é isso, afinal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;amanhã começa mais uma copa do mundo. não sei qual data dentro dela eu vou me lembrar daqui há dez ou quinze anos, mas existem muitas coisas grandes pra acontecer. também não sei o que eu, hoje, com vinte e dois anos, já aprendi. meu avô já morreu, não moro mais com meus pais, não tenho notícias da cidadã citada em 2006 há muito, muito tempo. o que permaneceu foi a paixão pelo futebol, pelas 32 nações, por cada lance, cada jogada, cada gol. a necessidade de seguir e vibrar com cada jogo, seja no bar, seja voltando à cada dos meus pais, seja sozinho em casa, seja com mulheres, com sexo, com mortes, com amor, com qualquer coisa que seja. é uma paixão que não vai te trair, não vai deixar de honrar os compromissos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a qualquer momento que você ligue a televisão pelo próximo um mês, ele, o futebol, estará lá. pronto para te fazer feliz. pronto para te fazer esquecer de tudo. e qualquer coisa que aconteça na sua vida durante esse tempo, você vai poder dizer "mas o que é isso, afinal?".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6312542694284477044?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6312542694284477044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6312542694284477044&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6312542694284477044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6312542694284477044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/06/sobre-essa-tal-copa-do-mundo.html' title='sobre essa tal copa do mundo'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-523087519261179845</id><published>2010-05-30T01:46:00.003-03:00</published><updated>2010-05-30T02:18:22.501-03:00</updated><title type='text'>uma declaração de amor</title><content type='html'>vomitar e continuar bebendo. uma hora, duas horas, três, cinco, dez horas. um copo, uma garrafa, um litro. cinco litros. cerveja, vodka, cachaça, o que estiver disponível. não importa o momento, o dia, o mês. não importa a causa, a felicidade, o livro, a paixão. infinitas doses. olhar perdido, tontura, palavras confusas. marcas pelo corpo. outra dose.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esquecer dos erros pelo menos por algumas irrisórias horas. entorpecido pelo desconhecido. as lembranças são poucas, se confundem com sonhos, com pesadelos, com a realidade e com a mentira. as frases soam desconexas. as pessoas, quem eram elas, mesmo? as músicas parecem ruídos distantes. uma hora, duas horas, três, cinco, dez horas. nesse período, você não tem nada para se culpar. não errou. não carregou o eterno fardo de estar sempre errado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela é o analgésico da alma. onde todas as palavras de conforto, as lágrimas, as pessoas, os sorrisos, os cuidados insistem em falhar, ela insiste em salvar. onde todas as dores, todas as memórias ruins, todas as feridas do passado, todas as torturas de cada dia insistem em martelar, ela insiste em anestesiar. onde todos os amparos insistem em cair, a sua capacidade de escrever, de criar, de beijar, de amar, de morrer, de fugir, de explodir, insiste em desaparecer, ela insiste em ressuscitar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela não tem medo, não é infantil, não é imatura, não tem mudanças de humor, de pensamento, de convicção. ela não esconde por trás da melhor bunda ou do melhor par de olhos que você já viu a decepção, a tristeza, a melancolia, a impaciência. com ela, você não errará. ela não vai te recriminar, não vai te pedir nada em troca. só que você dê a próxima dose. mais uma, duas, três, cinco, sete, dez doses. e você se lembrará da melhor bunda e do melhor par de olhos e das melhores pernas e do melhor cabelo e da melhor língua e dos melhores gemidos, mais agudos, mais destruidores que você conseguir, e de tudo que veio com eles, e se entregará novamente. é um preço, de fato, muito pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos os momentos de felicidade sem ela te obrigarão, nos momentos de tristeza inevitáveis que provocarão, a voltar aos seus braços. você parafraseará bukowski. &lt;i&gt;beer is a continuous lover. &lt;/i&gt;você buscará infinitas outras amantes, e torcerá com força, com tensão, espremendo seu coração, pela vez que alguma não se demonstrar, no dia seguinte, três semanas, cinco meses ou dez anos depois, infantil, imatura, medrosa, comum, fraca, alienada. mas, sinceramente, você não vai encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e não importa se no dia seguinte, três semanas, cinco meses ou dez anos depois, lá estará você novamente, sabendo que ela é sua melhor amiga, melhor amante, melhor companheira. depois de mais um porre, vai voltar às ruas, procurar pela melhor bunda, pelos melhores olhos, pelos melhores peitos, pela melhor língua, pelos melhores gemidos, pelo mais mortal sorriso que você já teve. ou pelos que os superarão. numa busca eterna. um ciclo vicioso, perdido, sem nenhuma saída. voltará pra tomar mais uma, duas, três, cinco, dez doses. e voltará à busca. e encontrará. e descobrirá que estava errado. e voltará pra tomar mais uma, duas, três, cinco, dez doses. e perderá a noção de tudo. da vida e da morte. do amor. do tempo. dos seus erros. do seu próprio ciclo vicioso. dos seus defeitos. dos seus filmes preferidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na madrugada, num beco qualquer, com amigos quaisquer, você contará seus fracassos. você torcerá para ter mais chances. você vai querer ter mais chances. você não sabe se isso será possível. mas ela estará lá, abraçada com você, tonto e sem memória, mas nunca desamparado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-523087519261179845?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/523087519261179845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=523087519261179845&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/523087519261179845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/523087519261179845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/05/uma-declaracao-de-amor.html' title='uma declaração de amor'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8657810751196461377</id><published>2010-05-19T03:03:00.002-03:00</published><updated>2010-05-19T03:20:00.155-03:00</updated><title type='text'>sobre as mesmas coisas de sempre</title><content type='html'>tinha pensado em voltar às narrativas, um texto com duas personagens. duas personagens com nomes, nos quais ainda não tinha pensado. tinha pensado, sim, no título desse texto - "sobre pessoas com nomes". uma vez que, vocês já devem ter percebido, é raríssimo eu batizar qualquer figura que apareça em algo que criei. não que isso já não tenha gerado discussões - obviamente gerou, mas tenho e mantenho meus motivos e convicções. talvez seja algo bom.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;enfim, seriam duas garotas, amigas há muito tempo, mas com uma diferença brutal entre elas: a primeira, uma devoradora de namorados, que precisa estar sempre com alguém, que diz &lt;i&gt;eu te amo &lt;/i&gt;após uma semana e meia de convívio com algum cidadão aleatório em motéis ainda mais aleatórios. a segunda, aquele tipo que vemos sempre por aí, das meninas com medo de se relacionar, que fogem de qualquer possibilidade de envolvimento emocional devido a algum pânico ou trauma interno que absolutamente ninguém - sobretudo elas mesmas - sabe explicar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;conheço muito bem esses dois tipos, já me envolvi com ambos e com consequências nada recomendáveis ou memoráveis. são dois extremos quase alegóricos, dois extremos que se puxam e se completam, mas que existem com força, com a colocação mental inexplicável de cada um. e mais que isso, é dentro delas que deve existir a maior de todas as lutas - que eu não posso decifrar e talvez nem queira. a não ser nas telas e nos papéis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vamos, então, ao que importa. nas últimas duas semanas, um verdadeiro turbilhão de coisas aconteceu na minha vida, começando na noite que escrevi o texto aí embaixo (que, aliás, tem um comentário que eu gostaria de comentar com mais calma algum dia, sobre &lt;i&gt;parar de procurar mulheres descartáveis. &lt;/i&gt;só queria dizer que eu não procuro, raramente sei o que são mulheres descartáveis, simplesmente elas se fazem assim. mas algum dia, desenvolvo). tinha um livro e um filme em imersão há bastante tempo, e ambos vieram à tona e estão muito próximos de serem lançados. e é aí que eu volto aos textos nos quais eu falava sobre eu e sobre a construção de um enorme fracasso pessoal e me sinto praticamente ridículo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas essa é uma reflexão complexa. hoje eu estava numa péssima noite, perfeita para um texto muito depressivo. deixei as horas passarem e fiz outras coisas antes de escrever, e meu humor simplesmente não desenvolve mais um texto depressivo. apesar de o vazio ainda ser estonteante. apesar de eu ainda olhar e não enxergar nada. não ver corações, sangue, almas pulsando. ver objetos, ver passos, ver fumaça. mas o vazio, de repente, é preenchido por uma necessidade de dormir, algumas cervejas no dia seguinte e talvez um bom futebol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sei que ele vai voltar. e mais forte que nunca. amanhã à noite, quinta-feira, domingo. e vai me fazer mandar e-mails bêbado, mensagens em celulares, vai me fazer vir aqui e escrever. mas eu vou me perder. e vou continuar andando. agora eu sou uma pessoa vazia com um livro e um filme, vejam vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e nem sei qual a relação do começo do texto com o resto dele. sinceramente, não importa. algum dia transformo aquilo em crônica. ou em roteiro. realmente, não importa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8657810751196461377?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8657810751196461377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8657810751196461377&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8657810751196461377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8657810751196461377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/05/sobre-as-mesmas-coisas-de-sempre.html' title='sobre as mesmas coisas de sempre'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5187042024977127191</id><published>2010-05-07T00:54:00.002-03:00</published><updated>2010-05-07T01:15:21.384-03:00</updated><title type='text'>mulheres</title><content type='html'>você aprende desde muito cedo a amá-las. você ainda nem sabe o que é sexo ou para que isso serve, mas já é sugado pelos olhos, pelas vozes, pelos jeitos, pelos sorrisos, pela meiguice. você já quer abraçá-las. quer entender seus mundos. quer descobrir o que existe por trás de tantos enigmas, de sentimentos tão diferentes que os seus.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você começa a entender porque a televisão veicula tantas imagens com elas seminuas. passa a viver por elas, tentando arrancar beijos, tentando fazer com que elas gostem de você de um modo diferente que um amigo. você quer seus corpos. os olhos, as vozes, os jeitos, os sorrisos, a meiguice ainda interessam. mas você quer os peitos, as bundas, as coxas, as referências táteis. você quer o calor humano. você quer a companhia nas horas mais inusitadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, em um dia de glória, você aprende a tirar sutiãs.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você passa a ter essa companhia nas horas mais inusitadas. uma vez, duas vezes, infinitas vezes. elas dormem no seu peito, você beija suas testas e percebe que os peitos, as bundas, as coxas, as referências táteis talvez sejam menos importantes que os olhos, as vozes, os jeitos, os sorrisos, a meiguice. o calor humano está lá. ela está dormindo, imersa no mundo dos sonhos, e você olhando para o teto, pensando, refletindo, mas nunca se esquecendo do que está ali com você. do momento. da pessoa. do corpo. da alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;até que, uma noite, você bebe demais. ou fala o que não devia. ou se sente mal. ou simplesmente não faz nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, fadado a não entender, percebe o maior de todos os vazios. sua cama está fria, desocupada, seu peito idem. não há ninguém ali em cima, nenhum corpo para seu tato deslizar, nenhum sutiã para tirar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você anda entre mares de olhos, de vozes, de jeitos, de sorrisos. nenhum deles te interessa. é como um silêncio eterno que castiga, que machuca, que corrói. a procura acontece. para todos os lados, para todos os sentidos. e você se importa. e você persegue. e você corre. e você luta. completamente em vão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo que você quer é aprender lições. aprender a entender as mudanças de humor, aprender a conviver com elas. aprender que esses seres não são iguais a você. aprender que tudo isso talvez tenha a mesma importância de tirar um sutiã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas desistir parece o caminho mais fácil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5187042024977127191?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5187042024977127191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5187042024977127191&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5187042024977127191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5187042024977127191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/05/mulheres.html' title='mulheres'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-701361446563271176</id><published>2010-04-28T12:16:00.004-03:00</published><updated>2010-04-28T12:24:51.158-03:00</updated><title type='text'>pequenas doses de poesia</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;i&gt;now i lay down to sleep, pray the lord my soul to keep. if i die before i wake, pray the lord my soul to take.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era uma cabine de banheiro público com esses escritos. doors, reconhecimento fácil. na verdade, é uma oração norte-americana antiga, mas não me importa. muito mais que isso, é uma música que sempre me marcou bastante. infinitas manhãs, tardes e noites ouvindo esse e outros versos extremamente intensos na voz de jim morrison em ônibus, em ruas que não acabavam nunca, simplesmente sentado olhando o nada. poesia que inspira até o título desse blog. poesia que já inspirou contos aqui postados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas era uma cabine de banheiro. não era um papel, um livro, um disco riscado emitindo ruídos em uma vitrola velha. não era alguém amando, sentindo, respirando, brigando, morrendo. era uma caneta, um lugar inesperado, pessoas que nunca reconheceriam aquilo lendo por dias e dias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você encontra poesia onde menos se espera. quando menos se espera. você cola figurinhas a cada quatro anos e faz isso com paixão. você vai trocar com todo mundo que conhece, fazer peregrinação entre bancas, abrir envelopes com cuidado e fazendo rituais de sorte. cada número, cada proximidade do fim. cada nova leva. cada decepção ao ouvir "hoje acabou".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você encontra poesia naqueles olhos azuis-acinzentados que você acha verdes. muita poesia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;hoje a janela está fechada. o vento, lá fora, corta nos corredores do meu pequeno prédio com o barulho e a intensidade de sempre. ouço, é quase um filme de terror. amanhã é meu dia quase ritualístico - cerveja, futebol com os amigos, futebol na televisão, festa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vou chegar em casa e copiar jim morrison. mesmo não acreditando que exista um senhor capaz de guardar ou levar minha alma embora. não importa. o valor é da poesia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-701361446563271176?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/701361446563271176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=701361446563271176&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/701361446563271176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/701361446563271176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/04/pequenas-doses-de-poesia.html' title='pequenas doses de poesia'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1024775052675134336</id><published>2010-04-08T05:12:00.004-03:00</published><updated>2010-04-08T05:32:50.988-03:00</updated><title type='text'>da obscura verdade II</title><content type='html'>cinco e doze da manhã. cheguei de uma festa. não simplesmente uma festa, mas uma festa na qual, mais uma vez, eu fui eu mesmo. vejam, quando eu digo que sou a pessoa que observa da escuridão, estou sendo totalmente sincero. havia pessoas nessa festa, muitas pessoas. havia pessoas nessa festa com as quais eu aprendi a me importar, mesmo que levemente, nos últimos anos, meses ou dias. e eu queria poder falar delas aqui.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;normalmente, eu faço isso. venho aqui e escrevo sobre meu cotidiano, sobre as mulheres com as quais estive, sobre as bebidas que tomei. porém, existem duas soluções: ou generalizo, ou escondo em metáforas complexas o bastante para que ninguém se reconheça. quando eu digo que cometi um assassinato, estou me referindo a uma pessoa. quando digo que a redenção passou pela minha frente, estou me referindo a outra. quando eu digo que minha mão pinga sangue, estou me referindo à conjunção de todos esses fatores. mas isso cansa. mais, isso simplesmente aumenta a solidão, o nó na garganta de realmente nunca ser compreendido por ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ao mesmo tempo, eu não tenho coragem de chegar para essas pessoas e dizer o que elas realmente significam. "oi, você é a redenção". as pessoas lêem isso, mas faz parte da brincadeira que não se reconheçam. se eu quisesse que elas se reconhecessem, não precisaria esconder embaixo de metáforas. se eu quisesse que elas se reconhecessem, citaria nomes e faria descrições fatuais. "ontem eu fui no motel com aquela garota de cabelo verde com três piercings na sobrancelha chamada valentina." não é assim que as coisas funcionam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não sei bem porque estou escrevendo isso. são cinco e vinte da manhã. meus clichês são totalmente óbvios dentro de todos meus textos - mulheres, cerveja, cigarros, futebol, apostas, pôquer, sombras, distãncia, solidão. mas porra, eles todos fazem parte de mim tão fortemente que não posso vir aqui e escrever sobre férias alegres na praia tomando sol, comendo batatinha e dando risada de como a vida é bonita. os clichês dos meus textos são os meus clichês. o que eu escrevo aqui é tão fortemente sincero que tem a intenção de me libertar. mas acaba funcionando ao contrário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quanto mais eu escrevo, mais eu me sufoco. afinal, as verdades estão envoltas em metáforas. assassinato? redenção? par de cincos? excelente. quem são elas, afinal? algum dia eu vou beber o bastante ao ponto de dizer algo sobre isso? provavelmente não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não se assustem. esse sou eu de verdade. totalmente. quando você me vê, fumando no meu canto o vigésimo cigarro da noite, bebendo no meu canto a enésima cerveja da noite, conversando sobre algum assunto que não te interessa, eu não estou representando nada. não vou até a pista e dançar uma música que considero ruim para parecer uma pessoa melhor. não vou dar risada de uma piada que considero sem nenhuma graça para parecer uma pessoa melhor. não vou dar um oi repleto de animação para alguém que odeio para parecer uma pessoa melhor. você me conhece. pode conviver comigo a dois anos ou três semanas, mas você me conhece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que você julga disso, é totalmente por sua conta. mais uma noite se passou. cinco e vinte e nove da manhã. esse texto teve uma fluência quase kerouaquiana. a solidão persiste, enraizada cada dia mais fundo em meu coração. por mais que eu tente, não adianta. cada nova tentativa será uma decepção. cada nova tentativa de sair do meu mundo ou de trazer alguém para ele será uma decepção. vou dormir. amanhã tem festa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1024775052675134336?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1024775052675134336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1024775052675134336&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1024775052675134336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1024775052675134336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/04/da-obscura-verdade-ii.html' title='da obscura verdade II'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2910886768438217532</id><published>2010-04-04T03:25:00.003-03:00</published><updated>2010-04-04T04:14:55.429-03:00</updated><title type='text'>um fiel companheiro</title><content type='html'>segunda-feira, bar depois da aula. terça-feira, um litro de vodka vagabunda em uma festa. quarta-feira, bar depois da aula, pausa para o futebol, mais bar depois. quinta-feira, um litro de vinho sozinho em casa. sexta-feira, um fardo de cerveja jogando pôquer com dois amigos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu não lembro bem quando o álcool se tornou meu fiel companheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meu estômago ainda se revira com o conjunto de pingo d'ouro, salame, bacalhoada, lasanha de microondas, pastel de feira e batata frita de boteco. os tempos são difíceis. acordar, andar, parecer normal, ler, enfrentar o tempo. enfrentar esse ciclo que me diz que amanhã é segunda-feira de novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;preciso apostar. preciso ganhar mais dinheiro no jogo. preciso matar a saudade da augusta. preciso matar a saudade da paulista. preciso ver os filmes de terror que baixei. preciso escrever. preciso criar. preciso escrever mais. preciso criar mais. preciso do clima paulistano reacendendo meu coração. preciso comprar o álbum de figurinhas da copa do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;amanhã é segunda-feira. não vou fazer nada disso. simplesmente vou para o bar depois da aula, beber mais cerveja e comer algum lanche contendo carne dura e linguiça calabresa de má qualidade. tenho coisas muito importantes agendadas para essa semana. encontros e reencontros. trabalho. reuniões, talvez. gravações, espero. seria excelente se tudo isso acontecesse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas, sinceramente, não me importo se tudo der errado mais uma vez. meu fiel companheiro estará comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2910886768438217532?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2910886768438217532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2910886768438217532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2910886768438217532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2910886768438217532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/04/um-fiel-companheiro.html' title='um fiel companheiro'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5321446389801998289</id><published>2010-03-24T03:14:00.004-03:00</published><updated>2010-03-24T11:46:15.259-03:00</updated><title type='text'>da obscura verdade</title><content type='html'>conheci várias mulheres durante minha vida. de muitas, nem lembro o nome. de outras, lembro de vagas referências táteis e talvez visuais. duas se tornaram minhas namoradas, uma delas por muito tempo. o fato é que todas se foram, de um meio ou de outro, seja porque eu estava bêbado demais, sóbrio demais, porque não lhes provia mais o que era necessário, não lhes dava mais segurança, porque tiveram medo de mim ou simplesmente porque o tempo foi avassalador com qualquer característica afetiva.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dentre todas elas, o que eu sempre quis foi encontrar alguma que pertencesse ao meu mundo. eu ali, bebendo uma garrafa de natasha no gargalo na alta madrugada, enquanto as estrelas correm amedrontadas de uma vindoura tempestade. rodando as ruas já totalmente escuras, nas quais a luz no poste mal se sustenta, procurando apenas um bar aberto vendendo cigarros. uma garota sem medo. uma garota que olhasse para a escuridão e a enfrentasse. uma garota que me visse andando nas calçadas esburacadas e sorrisse para isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;encontrei garotas animadas, que sambavam ao som de qualquer fósforo sendo batido. encontrei garotas tristes, que choravam ao som de qualquer assobio que lhes parecesse sem amor. encontrei garotas com múltiplas personalidades, para as quais não importava o fósforo ou o assobio, mas o choro e o sorriso estariam sempre presentes e dúbios. encontrei garotas que bebiam tanto ou mais que eu. garotas que fumavam tanto ou mais que eu. virgens e viciadas em sexo. singelas e devassas. que queriam andar de mãos dadas numa estação de metrô da paulista em busca da próxima atração cultural ou que queriam simplesmente curtir o próximo show, fosse em jaguariúna ou americana. absolutamente de nada me importava. mais que isso, de nada importava a elas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu queria dizer simplesmente que nenhuma delas me conheceu de verdade. até hoje, eu ainda espero quem queira conhecer. estar em um quarto frio, debaixo de um edredon, na maior proximidade que dois corpos podem estar, não é suficiente. eu acariciava os peitos, a barriga, beijava o pescoço e descia lentamente. depois, acendia mais um cigarro. "veja, você é um outsider, você escreve, você joga pôquer, você bebe natasha no gargalo. você me trouxe aqui. eu te amo". eu podia simplesmente deixar a garrafa de lado, abraçar tristemente, acariciar mais tristemente ainda e voltar a dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ninguém quis me conhecer de verdade e eu quis conhecer todas elas de verdade. sempre me importei demais, e por isso fracassei. sempre me importei com pessoas mais que com peitos, com sorrisos ou olhares. obviamente, são três coisas fundamentais, mas não se comparam a uma psicologia, a uma bipolaridade, aos sussurros doces no ouvido que só uma bela mulher é capaz de dar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de todo meu fracasso, eu deixo o recado. se você quiser, eu estou aqui. saber quem eu realmente sou, por trás dos textos, do pôquer, da natasha no gargalo, dos motéis vagabundos, dos palavrões sem sentido, do jeito de falar. por trás de tudo isso, há uma outra face. e não sei se fico feliz ou triste pela garota que primeiro alcançá-la.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5321446389801998289?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5321446389801998289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5321446389801998289&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5321446389801998289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5321446389801998289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/03/da-obscura-verdade.html' title='da obscura verdade'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5655707510359355804</id><published>2010-03-06T02:30:00.002-03:00</published><updated>2010-03-06T02:49:19.477-03:00</updated><title type='text'>das minhas piores noites II</title><content type='html'>minha mão direita ainda está suja de sangue. amanhece devagar, luzes opacas que atingem o concreto, alguns poucos carros e quase nenhuma alma - sou uma delas e ao mesmo tempo não sou. ando por uma rua longa, uma reta, um corredor infinito. tropeço nas minhas próprias pernas. dou um soco em uma árvore com espinhos e sujo a minha mão direita de sangue.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era mais uma promessa de diversão. beber já é uma rotina tão forte que não significa absolutamente nada, como tantas outras coisas não significam. como as mulheres não significam embora eu sempre tente dar sentidos a elas. tantas e tantas noites embaladas a vodka, a gargalo e à minha voz rouca conversando com pessoas aleatórias sobre infinitos assuntos. fazia um ano, seis meses, dois dias ou cinco horas. estive com muita coisa à minha volta. muitos olhos, muito sofrimento, muitas blusas mal colocadas em mulheres atraentes. cigarras cantando. cigarros na boca. continuo andando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pára de fumar, alguém me diz. pára de beber, outra pessoa me diz. encontros durante as longas horas. desculpem, não tenho interesse em nenhuma das duas propostas. não tenho interesse na minha garganta ou no meu fígado. muito menos, tenho interesse no meu coração. se tudo o que eu faço com todos os órgãos é tão destrutivo, porque eu continuo andando, com minha mão direita suja de sangue? socar a árvore foi tão profundo quanto uma nova paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me fecho novamente dentro do meu próprio clichê. sentado, em um banco, com uma expressão cansada, uma lata de cerveja numa mão, um cigarro na outra. converso com um amigo. vejo ela passar. desfilando à minha frente, como tantas e tantas vezes. tudo bem, aqui dentro, nada pode me atingir. os escritos em russo no meu braço dizem que eu não tenho medo. mais uma tragada. mais um gole. mais um olhar para frente. mais um olhar para o chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;minha mão direita ainda está suja de sangue. cometi um assassinato esta noite e o cadáver está enterrado dentro do meu peito. venho cometendo assassinatos há meses e meses, semanalmente, mensalmente. faço uma pilha de corpos e de cruzes. em todas essas cruzes, uma coisa em comum - a tentativa da redenção. ela nunca veio. ela provavelmente nunca virá. ela é inalcançável, desfilando à minha frente enquanto dou uma tragada, tomo um gole, olho para frente e olho para o chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o sangue pinga. mais uma gota. alguém pisará nele em alguns minutos. continuo a caminhada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5655707510359355804?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5655707510359355804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5655707510359355804&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5655707510359355804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5655707510359355804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/03/das-minhas-piores-noites-ii.html' title='das minhas piores noites II'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8593657079760756026</id><published>2010-02-26T03:11:00.002-03:00</published><updated>2010-02-26T17:23:43.903-03:00</updated><title type='text'>das minhas piores noites I</title><content type='html'>&lt;div&gt;fui jogar poker. all-in. par de cincos contra par de reis. o sempre valente par de cincos, como diz o cidadão ao meu lado. ele lutou, mas dessa vez, não foi suficiente. aperto as mãos do vencedor e saio andando, muitos reais mais pobre. são aproximadamente onze e meia, alguns ônibus ainda passam, em um deles eu entro. não sei bem no que pensar durante o percurso. joguei mal? provavelmente. não era uma boa noite para mim, nem o valente par de cincos se sustentou. são quinze, talvez vinte minutos ali dentro, rumo à minha casa, às horas horas que teimariam em não passar. precisava de cervejas e de cigarros. sabia onde encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desci do ônibus, andei duas ou três quadras. um beco muito escuro, um casal de mendigos se pegando. ninguém teria interesse em me assaltar, ainda mais em um momento de amor. além disso, eu não teria o que oferecer. poucos trocados na carteira, nada no coração. eles tinham muito mais naquele momento que eu. segui andando. numa esquina, um bar. o tempo era limpo, muitas pessoas ali se aglomeravam, conversando, discutindo sobre a vida. algumas mulheres bonitas, quase todas acompanhadas. muitas cadeiras vazias. em uma, eu me sento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ambiente deveras agradável. da mesinha externa que eu estava, vista para a televisão. um jogo de futebol passando, copa libertadores da américa, sendo um dos times do equador. times do equador costumam ser tão valentes como pares de cincos, ainda mais enfrentando times do brasil, os pares de reis. cerveja, cigarros, belas mulheres em volta. uma banda tocava john lennon, stand by me. talvez nada fosse assim tão ruim. talvez tudo ainda tivesse alguma salvação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todos nós sabemos que essas noites nunca tem salvação. começa a chover. água na cerveja. água nos cigarros. tudo se estragando rapidamente. as pessoas deixam a área para fumantes, passo a ser o único ali. quando a chuva aperta, tenho que sair também. minha cerveja já está consideravelmente aguada, mas encontro um lugar com boa vista para a telvisão na área coberta. o time brasileiro e o equatoriano ainda estão empatados. par de reis um, par de cincos um. ele é valente, mas sempre perde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quarenta e dois minutos do segundo tempo. ainda chove e eu ainda estou na área coberta, onde não se pode fumar. peço outra cerveja, esta não aguada. as mulheres bonitas andam pelo bar, vão ao banheiro juntas, com seus sorrisos sempre desafiadores. algumas usam vestidos muito curtos, outras são mais recatadas. é nesse momento que, em uma boa tabela, o par de reis marca um gol e derrota novamente o par de cincos. não sei bem como me sentir, mas a vida se repete. com certeza, é hora de terminar a cerveja, com os últimos goles, e ir embora para casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em casa. sem internet, sem televisão, sem sono, sem dinheiro, sem amor, sem coragem, sem comida. lembro de charles bukowski em "como ser um grande escritor", porém, não acredito. queria ao menos ter alguém para ligar. na verdade, eu teria, mas me falta coragem. me falta coragem e me falta há muito tempo. lembro de outras noites, tão ruins quanto essa, nas quais eu poderia ter resolvido todos os problemas - inclusive até hoje - com um pouco mais de coragem. "não, você não vai. hoje você é minha. e daqui pra frente, também". olhar para trás nunca resolve nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que me resta é procurar pelo papel com o telefone do homem responsável por consertar o cabo da internet, que de tão velho, se esfarelou. não acho. acho uma folha de caderno com um texto que escrevi para a minha ex-namorada no dia em que faríamos quatro anos de namoro. obviamente, nunca mandei. escrevi aquele texto num banco de praça, numa madrugada talvez tão ruim quanto essa. ele começa com "estou bêbado e drogado". nunca mandei. obviamente, nunca mandei. como não disse praquela outra garota, que me deixava absolutamente maluco, que ela não iria embora, que ela era minha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o tempo se acumula e vai ficando cada vez mais destruidor. quem sou eu, afinal? um jogador de poker? o par de cincos é valente, mas não se sustenta. um cineasta? vai completar dois anos a produção do meu primeiro filme. um sedutor? levo um ano pra dizer a uma garota que gosto dela de um jeito diferente. um escritor? estou aqui, fazendo esse texto que provavelmente cinco ou seis pessoas lerão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meu último real contato humano hoje foi o aperto de mãos pós-eliminação. são duas da manhã. um travesseiro, um ventilador ligado, uma geladeira, uma carteira, roupas jogadas, louça suja na pia. não sei como vou acordar amanhã. só queria ter internet, televisão, sono, dinheiro, amor, coragem, comida e um bom livro de charles bukowski ao meu lado. e que o par de cincos vencesse o par de reis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8593657079760756026?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8593657079760756026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8593657079760756026&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8593657079760756026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8593657079760756026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/02/das-minhas-piores-noites-i.html' title='das minhas piores noites I'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7160627783190438039</id><published>2010-02-22T03:20:00.004-03:00</published><updated>2010-02-22T14:49:44.692-03:00</updated><title type='text'>sobre não dormir</title><content type='html'>era sábado. fui ao supermercado com a missão de comprar um pacote de capelletti e uma garrafa de vinho. ela estaria me esperando em seu pequeno apartamento com uma lingerie sensual e a promessa de uma longa noite. tudo combinado, risadas típicas de um quase casal ao telefone e nada para atrapalhar. nem a chuva. nem a aglomeração. nem as famílias passeando e enchendo seus carrinhos com guaraná light e trigo integral, que obviamente são melhores para a saúde.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em cada corredor, tipos diferentes desfilavam. um senhor, à beira dos oitenta anos, meia dúzia de cabelos grisalhos na cabeça e um óculos que em nada combinava com o formato de seu rosto, comprava alpiste. devia colecionar pássaros, como fazia meu avô. chegaria em casa, trataria de todos eles, assistiria o jornal nacional e conversaria com a antiga companheira sobre a corrupção no país. depois, não conseguiria dormir, esperando pela morte, pensando sobre quantos dias ela ainda demorará pra chegar. talvez um. talvez mil dias de pássaros, jornal nacional e conversas sobre a perdição do brasil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;continuei caminhando para a adega. antes, havia o balcão de frios, com infinitas senhoras de meia idade pedindo apresuntado da marca com mais comerciais na televisão. bem fatiado. fresquinho. elas chegariam em casa, fariam lanches com esse apresuntado, junto com o queijo saboroso e o pão quente para toda a família. depois, veriam a novela das oito com os maridos, enquanto os filhos sairiam pra uma balada de música eletrônica, onde tentariam ficar com garotas que não foram beneficiadas com o dom do cérebro ao nascer. não conseguiriam dormir pensando no perigo das ruas, nos assaltantes de cada esquina, sequestradores e estupradores, como todos os dias o cidade alerta mostra tão veementemente. pensariam em mais quantos sábados levaria pros filhos arrumarem uma boa esposa. talvez um. talvez mil sábados de muito perigo com a tão louca vida de uma casa noturna da classe média.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na adega, escolhi o vinho. não tinha dinheiro para nada muito caro, mas tentei pegar algo de qualidade. ao meu lado, um homem na casa dos quarenta anos, com início de calvície, bem vestido, comprava uma garrafa de san tomé. ele não entendia nada do assunto, mas alguém lhe dissera que beber vinho faz bem para o coração. ele chegaria em casa, pediria uma pizza e abriria o vinho. a esposa protestaria sobre a qualidade. eles beberiam. fariam o sexo mensal e tentariam dormir, um virado para cada lado. ele pensaria em mais quantas garrafas de vinho precisaria pra ter uma trepada boa de verdade. talvez uma. talvez mil garrafas de san tomé quente com pizza portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fui ao corredor de massas e peguei o último item da minha lista. ali, uma garota relativamente bonita, provavelmente com menos de vinte anos, comprava macarrão com um pequeno filho no colo. ela tinha excesso de maquiagem no rosto. chegaria em casa, jogaria a compra na panela e serviria ao filho e à babá, uma vizinha da mesma idade. sairia, então, pro pagode, onde encontraria mais um rapaz forte e musculoso, que perguntaria se ela vai sempre naquele lugar e a levaria pra sua casa. ela gozaria, mas depois, voltaria pra casa, deitaria abraçada com o filho e se perguntaria em mais quantas noites daquelas ela encontraria algum homem bom de verdade. talvez uma. talvez mil noites servindo como puro objeto sexual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, fui embora. sacolas na mão, caminhei na chuva, cheguei ao apartamento, apertei a campainha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a lingerie era realmente sensual. decote excelente, fio dental mais ainda. um grande sorriso no rosto. deixei as compras em cima da mesa. ela quis me provocar: "o capelletti primeiro". foi cozinhar. queimou. ficou mal humorada. comemos mesmo assim, quase que por obrigação. sorrisos de canto. guardanapo. provocações. o sexo acabou sendo ruim, com um ventilador ligado fazendo muito barulho. corpos quentes e suados, lado a lado, preenchendo uma cama vazia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não consegui dormir. fiquei me perguntando pra quantas outras mulheres eu precisaria comprar capelletti e vinho, sorrir, ser simpático, ouvir o ventilador encobrindo os gemidos e o rosto abafado pra me apaixonar de verdade de novo. talvez uma. talvez infinitas tardes me movendo na multidão, observando e sendo observado, sabendo que todos passariam a noite rolando na cama, sem rumo, aguardando por uma luz vinda de algum lugar que provavelmente já deixou de existir há tempos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7160627783190438039?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7160627783190438039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7160627783190438039&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7160627783190438039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7160627783190438039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/02/sobre-nao-dormir.html' title='sobre não dormir'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7200349723093287343</id><published>2010-02-11T03:25:00.002-02:00</published><updated>2010-02-11T03:41:41.435-02:00</updated><title type='text'>mais escura que a noite</title><content type='html'>alguma coisa em especial me prendeu nela. estava sentado na banqueta do bar, bebendo uma cerveja e olhando pro jogo de futebol na televisão, apesar de não estar realmente concentrado nele. minha cabeça insistia em tocar repetidamente &lt;i&gt;a trick of light, &lt;/i&gt;who. era noite de quarta-feira. ela entrou no bar escura, tão escura que até a alma parecia queimada. um vestido preto muito decotado, cabelos também da mesma cor. mas, sobretudo, olhos escuros, tão escuros e profundos que pareciam capazes de hipnotizar e derrubar qualquer um.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;devem ter sido eles que me prenderam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;passou-se meia hora ou mais desde a sua chegada. não parava de olhar para ela. ela retribuia algumas vezes, talvez com um pouco de sarcasmo. a cerveja gelada me obrigava a fumar. o futebol estava desinteressante perto daqueles olhos e daquele decote. o tempo seria implacável com todos eles. engraçado que talvez não fosse com o futebol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela saiu para fumar. melhor oportunidade, impossível - acabar com a sede por nicotina da garganta e a sede de conhecê-la do resto do meu corpo. chovia. ficamos presos embaixo da pequena marquise, olhando a noite e os carros passarem. o vestido e os olhos eram mais escuros que a noite, e ela parecia mais perigosa que todas as noites juntas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;elogiei os olhos e o decote. ela sorriu ironicamente, sem se revelar. fez um comentário sobre a marca de cigarros que eu fumava. tentei também ser sarcástico na resposta. não funcionou. tentei me aproximar com o olhar, sem nenhum sucesso. a profundidade daquele par de olhos era imbatível. eu ficaria cego em alguns minutos. e esse tipo de cegueira é o pior que existe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;acabamos nossos cigarros e entramos. voltei para a minha banqueta e para o futebol. havia um escanteio naquele momento. a cobrança veio e o zagueiro cortou para outro escanteio. ela voltou para a sua mesa e pediu mais uma bebida. esperei mais cinco minutos e fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela era mais escura do que eu. fico com a noite, minha parceira de escuridão, com quem eu me entendo tão bem. olhando para o céu, para as cigarras cantando sem parar e para as filas de luzes artificiais. somos iguais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no dia seguinte, descobriria que na cobrança do novo escanteio saira um gol. li a notícia e passei para a próxima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7200349723093287343?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7200349723093287343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7200349723093287343&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7200349723093287343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7200349723093287343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/02/mais-escura-que-noite.html' title='mais escura que a noite'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1308240793960878595</id><published>2010-01-28T17:24:00.003-02:00</published><updated>2010-01-28T17:41:22.092-02:00</updated><title type='text'>edição especial</title><content type='html'>eu devia ter quinze ou dezesseis anos quando fui à biblioteca da escola na qual fazia o ensino médio e peguei &lt;i&gt;O Apanhador no Campo de Centeio. &lt;/i&gt;muita gente tinha me falado daquele livro, sobre como eu lembrava o protagonista dele, um tal de holden caulfield. eu li, e aquela foi a primeira vez na minha vida que eu encontrei abrigo em um livro. o personagem - um adolescente rebelde, expulso do colégio, rodando sem rumo por nova york por alguns dias, tendo a solidão como sua melhor amiga - foi praticamente um espelho de tudo que eu sentia naquela época. e passei a tê-lo quase como um livro de cabeceira.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meses depois, eu estava com a minha então namorada em um sebo, procurando algumas coisas interessantes. nós avistamos uma cópia dele na prateleira, pegamos e comentamos que era o melhor livro que nós conhecíamos. a dona do sebo disse que não entendia porque tanta gente gostava dele, admirava, julgava-o um dos melhores livros de todos os tempos. ela tinha lido, achado absolutamente comum. não tinha sentido nada. e perguntou à minha namorada porque nós gostávamos tanto dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;porque somos nós, &lt;/i&gt;foi a resposta dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;jd salinger, que morreu hoje aos 91 anos, era um desses autores que sabia que escrever é uma coisa que se faz com o coração. muita gente se preocupa com a forma, com o social, com colocar milhões de temas relevantes no papel, com ganhar dinheiro. não, meus caros. vocês estão errados. totalmente errados. pra escrever, precisa-se de um coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esse retrato da adolescência e da juventude é, ao mesmo tempo, acolhedor e desesperador. acolhedor por fazer você perceber que não está nunca sozinho, que muitas pessoas iguais estão por aí. desesperador por mostrar que todas elas estão tão perdidas como você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois, eu conheceria charles bukowski, henry miller, john fante, entre outros autores de honestidade cortante em seus textos. mas a lembrança de salinger é e sempre será a primeira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1308240793960878595?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1308240793960878595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1308240793960878595&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1308240793960878595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1308240793960878595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/01/edicao-especial.html' title='edição especial'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4361946490964059544</id><published>2010-01-26T02:42:00.002-02:00</published><updated>2010-01-26T02:59:43.467-02:00</updated><title type='text'>take a sad song and make it sadder</title><content type='html'>fazem aproximadamente quatro meses que, em um momento de depressão qualquer, provavelmente corriqueiro, eu escrevi um texto chamado "auto-retrato", no qual eu dizia várias coisas sobre mim, de forma praticamente escancarada e raivosa. minha suposta inteligência, meu jeito de lidar com as mulheres, meu repertório cinematográfico, a minha falta de capacidade de amar alguém adquirida há mais ou menos um ano e meio atrás. sobre a inutilidade de tudo. sobre o vazio. sobre andar por todos os caminhos e não enxergar nenhuma saída.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;hoje foi uma segunda-feira. levei alguns objetos à minha nova residência, coisas básicas - um colchão, alguns talheres, um ventilador. joguei pôquer, e ganhei. esperei uma mensagem, que veio e me animou por alguns minutos - talvez algumas horas. assisti a um dos piores jogos de futebol de todos os tempos. conversei. comi. olhei pela janela. escureceu e coloquei o pijama. amanhã é terça-feira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu não sei bem sobre o que é tudo isso. os dias passam e o tempo é avassalador. dentro de oito dias eu terei vinte e dois anos. sem que eu sequer perceba, eu terei quarenta. como uma grande cruz. carregando o peso interminável de cada segundo e, ao mesmo tempo, convivendo com o vazio de levar coisas à nova residência, jogar pôquer, assistir futebol, conversar, comer, olhar pela janela e dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se eu pudesse simplesmente voltar a amar, as coisas seriam diferentes. talvez não seja pedir muito. olhar para uma mulher, sorrir, sentir um leve toque nos lábios. sem mãos imediatas na bunda ou nos peitos, sem a língua e outras coisas no fundo da garganta com fulminância. se o tempo é a cruz de todos, ele é a cruz do amor. mas, afinal, estamos todos fadados a morrer nessa cruz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;amanhã é terça-feira. vou acordar, esperar uma mensagem que talvez me alegre por uma hora, um dia ou três anos. é provável que ela não venha. vou jogar pôquer. é provável que eu não ganhe, apesar de cartas serem muito melhores que pessoas. vou comer, apesar de ser provável que a comida não tenha gosto nenhum. e vou andar por aí, sem rumo, tendo a certeza de que não vou achar nada que realmente me interesse. e depois de amanhã será quarta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu ainda estou aqui, parado, no mesmo lugar. tudo como há quatro meses atrás. e eu só queria saber até quando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4361946490964059544?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4361946490964059544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4361946490964059544&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4361946490964059544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4361946490964059544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2010/01/take-sad-song-and-make-it-sadder.html' title='take a sad song and make it sadder'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6335257158700660125</id><published>2009-12-25T03:45:00.002-02:00</published><updated>2009-12-25T03:59:09.759-02:00</updated><title type='text'>o sol ainda não voltou.</title><content type='html'>e nem voltará.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;entro naquele bar que ia sempre com você. peço uma cerveja, um pedaço de pizza e me dirijo à mesa de fora. ali, acendo mais um cigarro, tomo o primeiro gole, pego a faca e corto primeiro o queijo, depois a massa. como. bebo. fumo. olho para cima e tudo segue escuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não sei que horas são agora. pode ser três, cinco, sete, meia noite. pode estar chovendo lá fora. pode estar chovendo até lá dentro. todas aquelas garrafas podem estar cheias de água da chuva, caída de algum lugar distante desse céu. todas aquelas garrafas podem estar vazias, vazias como eu estou há muito tempo, vazias como eu estou desde que entrei sozinho nesse bar pela primeira vez. não importa. eu sei que simplesmente o sol não vai voltar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, eu deixo o prato vazio, deixo o copo vazio, deixo o cinzeiro cheio, pago a conta e me levanto. ando pelas ruas da cidade. é quase natal e obviamente elas estão lotadas. bem mais que isso, elas estão transbordando de gente, gente que vai comprar lembranças para os filhos advogados cujo sonho é ter um apartamento, gente que vai comprar blusas para as velhas mães cujo sonho é ter uma chácara e plantar milho. os ônibus soltam fumaça pelos escapamentos e mancham todos esses sonhos. mancham e acinzentam. eu não tenho mais nenhum sonho. eu sei que simplesmente o sol não vai voltar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na livraria, nos cinemas, o clima é o mesmo. as mulheres sorriem sorrisos fáceis, vestem blusas que são tiradas com um toque e não se importam com isso. é um sorriso recíproco na direção delas, um puxão na parte de trás da blusa e uma mão embaixo da calcinha que elas já estão derretidas na cama mais próxima. e assim segue o mundo. de noite em noite. de mulheres vazias e frias em mulheres vazias e frias. não sei se elas conhecem o sol. eu já conheci, mas não tenho mais esperanças. eu sei que simplesmente o sol não vai voltar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um cigarro a mais ou a menos. uma cerveja a mais ou a menos. muitas cervejas a mais. nada disso me importa mais. o que me importa, agora, é seguir em frente. mesmo com tudo o que me aguarda sendo noite e madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6335257158700660125?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6335257158700660125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6335257158700660125&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6335257158700660125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6335257158700660125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/12/o-sol-ainda-nao-voltou.html' title='o sol ainda não voltou.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-142950798509909866</id><published>2009-12-05T03:22:00.003-02:00</published><updated>2009-12-05T04:03:19.599-02:00</updated><title type='text'>when you're strange</title><content type='html'>nunca fui uma pessoa essencialmente sociável ou extrovertida. por questões mais obscuras de personalidade, andar sozinho por onde a maioria não andaria deu o tom da minha vida desde que me dou por gente, e isso inclui passar a maioria dos intervalos sozinho na segunda/terceira série, chegar em casa pra ver filmes de terror e outras coisas que as crianças habituais detestariam ou teriam medo. não sei bem se essa é uma definição exata, mas eu sempre gostei da sombra, da margem, de estar onde os demais evitariam estar. e, a partir daí, muitos outros fatores que são fundamentais em mim foram se desenvolvendo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com o amadurecimento, os anos chegando, o discernimento das coisas e o olhar mais aprofundado sobre o mundo, o "andar sozinho" ganhou novos sentidos. descobri que eu não gostava dos filmes que todos os outros gostavam, muito menos das músicas. não tinha paciência nenhuma para ouvir axé, para me espremer entre milhões de pessoas ouvindo letras ruins e ritmos sem pé nem cabeça. descobri no silêncio o meu refúgio, nas canções lentas e tristes, nos filmes e livros que estudavam e dissecavam lentamente pessoas em seus estados naturais, agindo, sendo seres humanos. longe das corridas de automóveis que nunca levavam a lugar nenhum. longe da luz. longe da simpatia e dos sorrisos fáceis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;apesar disso tudo, eu nunca fui realmente sozinho. descobri que existiam mais pessoas assim, coisa que me ajudou a seguir em frente, e descobri que tinha uma capacidade incrível de expressar em textos ou imagens o que eu sentia e pensava. esses dois fatores combinados me renderam amigos, me renderam mulheres (não que não hajam na classe anterior também - ela é composta principalmente delas. o que muda aqui é o sentido e a relação) e me renderam o que, hoje, é o mais importante de tudo: estórias. estórias que vocês cansam de ler aqui, sempre com a noite como personagem central, sempre com bebida, personagens estranhos e que raramente convivem com o mundo de plástico, o mundo do axé e dos filmes de carros velozes, o mundo da alegria exacerbada e das paisagens globais. estórias que cada vez mais tornam contornos impressionantes até para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então falemos de mais uma noite, uma noite chuvosa, absurdamente chuvosa, sendo que essa chuva já tinha levado embora todas as esperanças dos mortais e o escuro era tanto que os moradores de rua procuravam luzes em postes para enxergar o dia seguinte. eu estava nessa chuva, a água já escorria pelo meu rosto obstruindo minha visão e não sabia onde eu queria chegar. ah, sim, sabia - precisava ir até outra cidade. uma cidade não muito distante, com certeza não uma cidade melhor. talvez, porém, uma cidade onde não estivesse chovendo tanto e onde as pessoas não precisassem ter medo do dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o fato é que caminhei por essa chuva por algum tempo e decidi procurar carona. felizmente, encontrei. felizmente, os personagens que aparecem a seguir tinham o mesmo destino que eu. felizmente, eles renderam esse texto. um deles atendia pela alcunha de "marrom", o outro, particularmente, não me recordo. ao entrar no carro, me apresentei como um escritor que voltava de uma conferência sobre seu livro. eles, sem saber disso, se apresentaram como dois outsiders. praticamente dois beats. e, mais que eu, dois ouvintes de "when you're strange".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no carro, marrom e seu parceiro consumiam cocaína, mesmo dirigindo, e ensaiavam diálogos sobre o glorioso hotel plaza, onde passariam os próximos dias. os alto-falantes traduziam com certa altura o sentimento dos dois em música. as perguntas sobre a vida de escritor continuavam. a chuva continuavam. as perguntas sobre as vidas dos amigos daquela noite continuavam. e assim foi, pelo tempo daquela viagem. ou por quase todo o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;infelizmente, quando as mulheres e seus encantos e seus malefícios já eram o tema central a ser discutido no veículo, o parceiro de marrom começou a sofrer efeitos colaterais fortes: me confundia com um ladrão. insistia que eu estava ali para roubá-lo. insistia que eu estava armado, era perigoso e que ele não sobreviveria àquela noite. se o fim do caminho já não estivesse próximo, eu certamente teria sido expulso do carro e percorrido infinitas milhas a pé, com a chuva escorrendo no meu rosto e obstruindo minha visão, com meus pés obstinados a encerrar mais uma longa estrada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que esta figura noturna não sabia é que ele estava certo. eu estava ali para roubá-lo, mas não dinheiro, cartões, jóias ou cocaína. eu estava ali para roubar sua existência e colocar em um texto. estava ali para roubar seus medos, seus olhares assustados, suas falas, sua ausência de sonhos, seu vício, suas falhas, seus desânimos, seus fracassos amorosos, sua quase certa morte precoce. e por mais que eu não tenha precisado falar nada disso aqui, tenho certeza que vocês todos imaginaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desci do carro, deixei temporariamente esses dois personagens para trás e liguei a música. jim morrison cantava &lt;i&gt;when you're strange faces come out of the rain. &lt;/i&gt;chuva que não parava, escorria pelo meu rosto e obstruia minha visão, mas eu sabia que já tinha mais uma estória para contar e, portanto, a noite tinha sido satisfatória.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;i&gt;esse texto é uma tentativa de poetizar um conto que, indiscutivelmente, fica muito melhor com cerveja e risadas numa mesa de bar, sem repetições, chuva escorrendo pelo rosto e obstruindo a visão, imitações das pessoas e dos medos de alguém assustado te confundindo com um ladrão. sendo assim, espero que alguns de vocês tenham a oportunidade de conhecer essa versão um dia. grato.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-142950798509909866?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/142950798509909866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=142950798509909866&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/142950798509909866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/142950798509909866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/12/when-youre-strange.html' title='when you&apos;re strange'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5240057274552011377</id><published>2009-11-22T03:27:00.004-02:00</published><updated>2009-11-22T14:26:13.264-02:00</updated><title type='text'>sobre um homem dito bem-sucedido</title><content type='html'>algumas pessoas tem a clara necessidade de manter o conforto e a tranquilidade, e esse era um exemplo quase visceral: homem até que inteligente na casa dos trinta anos, muito conhecido por seu talento literário na juventude, resolveu abandonar esse dom para fazer faculdade de direito e somar muito dinheiro. também com muitas namoradas diferentes e até ao mesmo tempo, logo acabou se casando com uma cidadã sem absolutamente nenhuma graça, peitos inexistentes e olhos mal-desenhados, sorriso torto e vício em novelas, sexo uma vez por semana e ciúmes desenfreados. entendam, minhas leitoras, um ou dois desses elementos não faz, de forma alguma, uma mulher desinteressante, mas todos eles conjugados são absolutamente destruidores.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ele vivia sua vida lentamente, os anos passavam sem que nada mudasse - algumas coisas até poderiam mudar, como um escritório do qual ele fosse proprietário, um caso de muito dinheiro, um filho, mas nada que desse novo sentido e essência àquela situação toda. às vezes animava sua vida sexual com uma prostituta, às vezes ia a um bar ver o jogo do seu time com um ou outro colega de trabalho - já que amigos absolutamente não tinha. chegava até ao cúmulo máximo do risco - vejam só! - de tomar três latinhas de cerveja no almoço de domingo na casa da sogra e voltar para casa dirigindo com a esposa e as já duas crias no carro. realmente, um homem de aventuras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era mais uma tarde de trabalho, com uma chuva batendo de leve na janela do seu escritório e um vento levemente incômodo devido ao barulho que fazia, quando ouviu alguém bater à porta - o próximo cliente, sem dúvidas. no caso, era uma cliente. bem mais que isso - era a cliente. uma loira maravilhosa de vinte e poucos anos, com peitos claramente acima da média e um olhar arrasador, sorriso brilhante e jeito de quem não tinha tempo para novelas, caminhar de quem precisava de sexo vezes ao dia e de todas as formas e que certamente entendia o quanto desnecessário o ciúmes é. ela se sentou ali e começou a expor seus problemas, uma disputa de herança com as irmãs. ele imediatamente aceitou cuidar do problema e, mais que isso, já a convidou para discutir tudo num jantar na noite seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que se passou entre os dois foi uma questão de meses e que os leitores claramente podem imaginar. só digo que todas as suspeitas de nosso personagem eram absolutamente corretas, além de outras coisas que ele ficou completamente perdido ao descobrir. a mulher em questão o levou a uma casa de swing, fez com que ele consumisse maconha - que, vejam só, ele não consumia desde os perdidos e comunistas tempos de universitário - e causou inúmeras viagens de trabalho para cidades de todo o brasil e até da américa latina. a pobre esposa já ficava desesperada com isso, mas obviamente, a novela era uma boa companheira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;infelizmente para o nosso advogado, porém, logo que o caso foi resolvido e a herança integralmente entregue à loira fatal, ela desapareceu de seu radar, nunca mais deu nenhuma notícia e nem atendeu um telefonema. ele suspeita que ela tenha ido a algum lugar paradisíaco como uma ilha no pacífico, mas viver de suspeitas é tão inútil quanto a vida que ele levava antes de conhecê-la. as decisões estavam mais que tomadas - ou melhor, nenhuma decisão estava tomada. o que viria daí em diante seria absolutamente desconhecido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;primeiro, comunicou à mulher e aos filhos que estava indo embora e eles nunca mais o veriam nem deveriam procurá-lo. pegou as remunerações conquistadas nos anos de advocacia e começou a gastar em sexo, drogas e pôquer. depois, viagens. depois, cachaça. depois, em nada. não tinha mais nenhum dinheiro, estava perdido, barbudo e com duas ou três peças de roupas em uma cidadezinha qualquer de um país da américa central, sendo que mal falava espanhol. tinha, porém, o que nunca tivera antes: liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nosso personagem andou então a um boteco, comprou um maço de cigarros com suas últimas moedas e foi andando pela cidade, fumando até o filtro todos aqueles canudos de nicotina e se lamentando ao final de cada um deles. mas, enquanto andava, sorria. sorria por ver dentro do outro lado dos muros as nuvens que antes o cobriam e impediam qualquer pensamento, qualquer reflexão, qualquer olhar sobre a vida. elas estavam dentro dos lares bem-sucedidos, oprimindo as pessoas ditas felizes. ele, por sua vez, não tinha missa no domingo pra ir. ele só tinha as ruas e as sarjetas, nas quais repousam os vômitos dos bêbados e as bitucas queimadas com todas as suas incontáveis porções de sabedoria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5240057274552011377?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5240057274552011377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5240057274552011377&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5240057274552011377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5240057274552011377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/11/sobre-um-homem-dito-bem-sucedido.html' title='sobre um homem dito bem-sucedido'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-8858193837920703050</id><published>2009-10-21T21:25:00.004-02:00</published><updated>2009-10-27T01:28:23.393-02:00</updated><title type='text'>anúncios</title><content type='html'>são três - e todos importantes,&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a) vários contos que faziam parte deste blog desapareceram. os melhores. os que mais receberam elogios. o motivo é simples, e muito bom - eles foram enviados para uma editora, que simplesmente aceitou publicá-los. farão parte de um livro com uma compilação, chamado "mulheres, noites, músicas e pedaços de sonhos", a ser lançado em alguns meses. isso não significa, porém, que deixarei de postar contos novos aqui. talvez, até pelo contrário. mas conto com o apoio de todos vocês, meus poucos fiéis leitores, para o lançamento!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;b) em imagens - cu&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;rta&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;-&lt;/span&gt;metragem com roteiro meu, exibido no último festival de curtas-metragens de são paulo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre; font-family:Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=tpbWbOMkC_0&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre;font-size:10px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;c) a partir de sexta-feira, começa a cobertura completa da trigésima terceira mostra internacional de cinema de são paulo no www.cinefilosonline.zip.net - participem, comentem, enfim, o que vocês quiserem. tentarei fazer textos diários, mas a maratona é deveras complicada pra isso às vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando vocês menos esperarem, retorno com mais um conto, ou anúncios, ou sabe-se lá o que!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PS: só revisando: por pane no sistema do cinéfilos, novo blog pra cobertura da mostra foi criado: criticasmassarianas.blogspot.com&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-8858193837920703050?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/8858193837920703050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8858193837920703050&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8858193837920703050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8858193837920703050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/10/anuncios.html' title='anúncios'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6753422666253714945</id><published>2009-10-05T00:55:00.002-03:00</published><updated>2009-10-05T01:15:18.582-03:00</updated><title type='text'>amores, noites, jogos e histórias II</title><content type='html'>nos corredores daquele velho motel, eu andava lentamente, pensando no que me estaria me esperando quando batesse na porta. tudo era de um vermelho tão forte que fazia doer os olhos, com luzes desnecessárias, passagens curtas entre um oceano de portas. gemidos vinham de todos os lados, menos do elevador e das escadas. algumas vezes, talvez até deles.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;era sexta-feira e eu tinha recebido uma mensagem rápida, misteriosa, dizendo simplesmente que queria me rever no lugar do último encontro. sabia que era aquela garota do salão de poker que tinha mandado, aquela que certamente mexera muito comigo, pela beleza, pelo jeito único de enxergar o mundo e viver sua vida, pela nossa relação consideravelmente rápida, consideravelmente diferenciada e consideravelmente memorável. o porquê desse pedido agora, porém, era indecifrável. havíamos combinado de não nos encontrarmos mais e de levarmos aqueles dias como se fossem quase imaginários.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bati na porta e foram poucos segundos até ela abrir. a surpresa foi que já estava só de calcinha, e me deu um beijo bastante quente, quase apaixonado, antes que qualquer palavra fosse dita. a partir daí, o mesmo episódio que ocorrera várias vezes naqueles dias passados voltou a ocorrer, e ela esgotou as minhas forças, com todo seu ímpeto e toda sua disposição. eu sabia quem ela era, facilmente. mas não conseguiria nunca entender o que ela queria ou o que sentia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o fato é que logo me peguei olhando fixamente no espelho, observando nele a disposição de seu corpo, já deitado a meu lado, enquanto as primeiras palavras irrompiam. eram futilidades. ela perguntava da minha vida, dos meus problemas, eu notei que ela fizera uma nova tatuagem, a elogiei e seguiram duas risadas leves, daquelas de canto, que acabam rápido. nos olhamos por algum tempo. tinha a clara impressão de que ela não era mais tão bonita. o rosto era mais fino, os olhos não tinham o mesmo brilho, os peitos e a bunda realmente davam a impressão de ser menores. eu sabia que ela não estava doente e que não havia modificado nada. eu sabia que o problema era comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela dormiu deitada no meu peito sem que eu precisasse contar nenhuma estória, ao contrário de todas as noites de quando tivemos nossa pequena relação. apagou, com seu corpo quente grudado ao meu, enquanto eu ligava a televisão e procurava por alguma coisa que me distraísse até também pegar no sono. finalmente, achei um jogo de poker. poker que eu jogava e ela assistia quando nos conhecemos. agora eu assistia e ela dormia. logo, eu dormiria também, sentindo a sua presença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando acordei, ela não estava mais lá. fora embora da mesma forma que pedira pra me rever. não tínhamos descoberto mais nada um sobre o outro. não tínhamos quebrado nenhuma promessa. não tínhamos causado nem ódio, nem amor, nos mantendo como pessoas quase que do imaginário, mas que nossas lembranças sabiam que era reais. tudo que esse encontro de uma noite, sexo, poucas palavras e olhares perdidos proporcionou foi mais um capítulo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6753422666253714945?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6753422666253714945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6753422666253714945&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6753422666253714945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6753422666253714945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/10/amores-noites-jogos-e-historias-ii.html' title='amores, noites, jogos e histórias II'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5446222860286293813</id><published>2009-09-14T01:30:00.003-03:00</published><updated>2009-09-14T01:54:29.877-03:00</updated><title type='text'>auto-retrato</title><content type='html'>e então, carlos massari, olhe no espelho. olhe sem medo, direto nesses teus olhos fundos, e preste atenção:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;aí está você, com vinte e um anos na cara. tudo parece extremamente fácil, você não tem absolutamente nada do que reclamar, não? passou no vestibular pra um dos cursos mais concorridos da segunda melhor universidade da américa latina, ganhou um edital na primeira vez que inscreveu um roteiro seu em um, tem vasto repertório sobre cinema e esportes, não tem dificuldades com as mulheres, escreve maravilhosamente bem e pode se considerar uma pessoa livre, que anda por onde quiser e quando quiser. que vida linda, não? tudo absolutamente perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não. puro engano. trágico, infeliz, desesperador engano. porque tudo, absolutamente tudo, está em milhares de pedaços espalhados pelo chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pois veja bem: tudo seria absolutamente perfeito se o seu bendito curso não estivesse sucateado, sem estrutura, lotado de professores e matérias boçais, e, sobretudo, não te agradasse em praticamente nada. se você não se surpreendesse com a limitação acadêmica, com os conceitos fechados e mesquinhos que, no lugar onde teoricamente se produz o conhecimento, reinam com força ainda maior que aquela que já te irritava anos atrás, no ensino médio. seria perfeito se tudo o que você quisesse agora não fosse sair correndo de lá com seu diploma, pelo menos com a recordação de algumas pessoas legais que conheceu e a possibilidade de desenvolver suas reais capacidades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo seria absolutamente perfeito se este edital não fosse de uma prefeitura do interior que, sem nenhuma explicação, resolveu suspender a verba, travando o processo de pós-produção do seu primeiro filme. se isso não tivesse gerado dívidas em uma amiga sua, não tivesse causado uma avalanche de problemas. seria perfeito se você não tivesse que provavelmente enfrentar uma batalha judicial pra tirar o resto do dinheiro, prometido por contrato, e poder finalizar o filme. se você não estivesse praticamente sem saída sobre como agir com tudo isso, agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo seria absolutamente perfeito se estes repertórios não servissem pra absolutamente nada, a não ser, uma vez por ano, ensinar as regras do futebol americano pra alguém, ganhar alguma miséria com apostas esportivas, explicar o que foi a nouvelle vague francesa e construir roteiros que vão ganhar editais, futuros calotes. seria perfeito se você não se sentisse praticamente maluco por, quando está com a milésima infecção de garganta no mesmo ano, ficasse feliz por estar deitado na cama, com febre, vendo um jogo de beisebol, e não encarando mais uma vez a mesma noite que já te traz calafrios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo seria absolutamente perfeito se a mulher que você amou e dedicou sua vida por mais de três anos não tivesse, poucos dias depois de dizer que não te amava mais, começado a sair com um cidadão sem um milésimo da sua inteligência, cultura, sentimento por ela e milhões de outras coisas que não valem a pena citar aqui. seria perfeito se, depois disso, você não tivesse praticamente excluido a palavra amor da sua vida, passado a ir atrás sempre de mulheres estranhas, em busca de sexo fácil, prazer momentâneo e poucas recordações, sabendo que você iria embora, teria um texto novo para escrever, deitaria na cama e ela, aquela mulher de sempre, voltaria a assombrar seus sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo seria absolutamente perfeito se você não fosse extremamente repetitivo, ficasse sempre em crônicas sobre amores que nunca dão certo, usasse sempre as mesmas palavras e expressões, querendo sempre metaforizar as mesmas coisas. seria perfeito se você tivesse mais de meia dúzia de leitores em um pequeno blog, que às vezes deixam comentários com alguns elogios que, você acredita, são sinceros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo seria absolutamente perfeito se você pudesse realmente largar tudo. ir embora, pra um canto distante do mundo, você e a sua imagem de lobo, de animal selvagem, com os seus pulmões e o seu fígado já tão castigados pela nicotina e pelo álcool, com sua alma já tão castigada pelos sonhos quebrados, pelas promessas que nunca são cumpridas, pelas lembranças que sempre torturam, pelo vento de todas as noites que a corta no meio. seria perfeito se você não tivesse compromissos, lugares para ir, uma vida, um talento para alimentar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;então, meu caro carlos massari, é necessário te dizer: já passou da hora. levante-se, junte esses pedaços e reconstrua tudo. reconstrua cada centímetro da tua vida, mesmo com toda a arrogância e prepotência que te acompanham mundo afora. porque o tempo passa, e a cada segundo, tudo faz menos sentido. então, levante-se. levante-se, olhe para frente, caminhe e chegue onde você quer chegar: muito, muito longe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5446222860286293813?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5446222860286293813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5446222860286293813&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5446222860286293813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5446222860286293813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/09/auto-retrato.html' title='auto-retrato'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' 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rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=8214866539181092428&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8214866539181092428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/8214866539181092428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/05/ausencia.html' title='ausência'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4893967601849650203</id><published>2009-04-30T03:04:00.002-03:00</published><updated>2009-04-30T03:13:21.262-03:00</updated><title type='text'>às vezes</title><content type='html'>às vezes, só às vezes, acontece uma ou outra coisa que me faz achar tudo isso tão bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e pra achar tão bonito, eu preciso achar tão feio. e preciso já ter achado tão bonito. e já ter achado tão feio antes. é meio paradoxal, eu sei, mas é necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dois anos atrás eu tinha uma vida amorosa teoricamente perfeita, mas nenhuma perspectiva artística/profissional, meus dias eram atolados por um cursinho besta, meu time era incapaz de fazer qualquer coisa útil e outra centena de tragédias paralelas.&lt;br /&gt;então, o tempo passa, e em dois dias você, primeiro, ganha dezoito mil reais no primeiro projeto de incentivo à cultura que se inscreveu, e no dia seguinte vê seu time ter uma das vitórias mais impressionantes da história do futebol, e sabe que pode mandar a faculdade ir tomar no cu a qualquer momento pra beber e fumar eternamente num bar ao lado dela, com seus amigos, comemorando os fatos. ao mesmo tempo que sua vida amorosa ruiu e há um bom tempo não existe mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sabe, o bonito disso tudo não é você ter ganho seu projeto, não é você ter amado alguém, não é você poder encher a cara. o bonito disso tudo é que essas coisas simplesmente não podem coexistir. que felicidade plena é uma lenda. que nas maiores alegrias, sempre há uma tragédia por trás. mas você está lá, rindo, e tremendo, e com a tensão gostosa de qualquer uma dessas situações. sem nunca saber o porque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse texto não tem absolutamente nada a ver com o blog. não é uma crônica, não é profunda, não é nada.&lt;br /&gt;eu simplesmente precisava dizer isso.&lt;br /&gt;que às vezes, só às vezes, eu consigo ver um mínimo de beleza nisso tudo. e sorrir de canto de boca às três horas da manhã de uma quinta-feira de abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4893967601849650203?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4893967601849650203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4893967601849650203&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4893967601849650203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4893967601849650203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/04/as-vezes.html' title='às vezes'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3421118627416047961</id><published>2009-04-26T03:46:00.003-03:00</published><updated>2009-04-26T04:14:59.085-03:00</updated><title type='text'>um ano.</title><content type='html'>um ano de crônicas massarianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ano de centenas de amores que deram errado. um ano de infinitas viagens de ônibus. um ano com rocks dos anos sessenta e setenta sendo repetidos incessantemente. um ano de melancolia. um ano de palavras que tentam ser poéticas, mas no fundo, são tão vazias quanto seu autor. um ano de experimentos ocasionais. um ano de mágoas em forma de textos. um ano de pessimismo. um ano de olhares constantes para o mesmo lugar. um ano de promessas quebradas. um ano de passados que insistem em viver. um ano de sentimentos mortos que, na verdade, nunca estão realmente mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ano de alguns poucos amores que deram errado. um ano de infinitas viagens de ônibus. um ano com rocks dos anos sessenta e setenta sendo repetido incessantemente. um ano de melancolia. um ano de tardes filosofando palavras vazias, ou engraçadas, ou desesperadoras, em bares aleatórios. um ano de passos razoavelmente calculados. um ano de mágoas exprimidas nas mais diversas formas. um ano de olhares constantes para os mais diversos lugares. um ano de promessas quebradas. um ano de passados que insistem em viver. um ano de sentimentos mortos que, na verdade, nunca estão realmente mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ano de vermute. um ano de iguarias preferidas por uma garota do passado. um ano de marteladas. um ano de alegrias em verde e branco. um ano de promessas quebradas. um ano de relatos cinematográficos. um ano de infinitas viagens de ônibus. um ano de casais perfeitos que nunca se falariam. um ano de casais errados que se amavam. um ano de objetos que contam uma história. um ano de contos sobre amor, noite e música. um ano de casais que se escondem do destino. um ano de cavaleiros solitários. um ano de vidas sem sentido. um ano de dolorosas lembranças escritas quase com sangue sobre amores perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ano de solidão. um ano de perdas. um ano de olhares constantes para o mesmo lugar. um ano de chopp e vinho e cerveja e vodka em bares aleatórios. um ano de noites tristes em rodoviárias. um ano de guerra interna e externa. um ano de mentiras por causa de necessidades egoístas. um ano de quase nenhum amor verdadeiro. um ano de quase nenhuma perspectiva nos quase nenhum amores verdadeiros. um ano de mulheres erradas nas tardes erradas. um ano de mulheres erradas nas tardes certas. um ano de mulheres erradas nas noites erradas. um ano de mulheres erradas nas noites certas. um ano de cigarros filados de francesas em festas confusas. um ano de cigarros no mesmo banco com a mesma publicidade. um ano de cervejas que são o conforto da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um ano de crônicas massarianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque a intenção deste blog é contar histórias. sejam elas falsas ou verdadeiras. sejam elas inspiradas ou não na realidade. sejam elas livres para tomar seus próprios caminhos ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que agora, muitas outras histórias surjam - não só aqui, mas sobretudo, na tela, em tons de sépia e acinzentados, com homens fazendo a barba e fumando cigarros em uma praça escura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3421118627416047961?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3421118627416047961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3421118627416047961&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3421118627416047961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3421118627416047961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/04/um-ano.html' title='um ano.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2928042126373834262</id><published>2009-03-07T18:34:00.003-03:00</published><updated>2009-03-07T18:57:28.415-03:00</updated><title type='text'>confessionário</title><content type='html'>poucas pessoas conseguem entrar em um mundo composto por palavras, referências e lembranças, sentar-se, observar tudo com calma e transformar isso em textos com sentido ou imagens. essa é normalmente a minha intenção quando eu venho aqui, e sei que uma meia dúzia de pessoas acompanha essa tentativa quase mensal de me retratar ou de viajar em outros universos de sensações e pensamentos e traduzi-los nesse pequeno canto. quando eu sento em frente à minha mesa e coloco meus dedos sujos com todas as idéias que acabarão aqui nos teclados, praticamente faço um trabalho de purificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é como se este blog fosse um padre rezando uma missa pela minha alma. com os salmos sendo o que eu realmente passei. com os provérbios sendo o que eu inventei. com o apocalipse sendo a junção de tudo, culminando nesta montanha de poeira, quase violenta, quase romântica, quase exploradora, quase alentadora, que é o ato de expôr toda uma ânsia de liberdade em alguns parágrafos. pode não servir para alguma coisa, mas trata-se da fé na representação e no poder de uma linguagem e de um mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vocês nunca saberão o que é verdade entre todas essas mulheres, bebidas, cigarros, noites, músicas e viagens que já foram retratadas por aqui, e entre todas as outras que ainda serão. mas no fundo, talvez nem eu saiba. agora mesmo, eu estou olhando pela minha janela, vendo o céu terrivelmente cinza, encoberto em alguns pontos por algumas árvores e por um terminal de ônibus que fica próximo à minha casa. os barulhos são sobretudo desses ônibus, indo para os mais diversos locais dentro da minha cidade interiorana. nada me impediria de criar uma história sobre isso. nada me impediria de falar de uma mulher com semblante triste, esperando a hora de voltar para casa após mais um dia de trabalho numa loja de calçados. nada me impediria de conhecê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cada dia e cada noite que passam deixam marcas ímpares. até mesmo cada dèja vu que se tem, no final, é ímpar. cada simples criatura neste planeta existe para ser ímpar. eu escolhi isso aqui, escrever, contar histórias, filmar histórias, me envolver com as mulheres erradas nas noites erradas, seguir os caminhos que só me levariam aos lugares errados, tomar as bebidas e fumar os cigarros nos dias errados. vinte e um anos depois, ainda estou aqui, vivo, e meu coração pulsa esperando pela próxima história que poderei contar. seja inventada, seja absolutamente real. até que isso aconteça, eu acendo as velas e espero o padre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2928042126373834262?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2928042126373834262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2928042126373834262&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2928042126373834262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2928042126373834262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/03/confessionario.html' title='confessionário'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2739661160875770307</id><published>2009-01-23T21:43:00.003-02:00</published><updated>2009-01-23T21:44:20.112-02:00</updated><title type='text'>cinzas</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.curtacinzas.blogspot.com/"&gt;www.curtacinzas.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no endereço acima, crônicas sobre ele, o protagonista de cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste blog aqui, continuam crônicas sobre todos os outros meus pedaços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2739661160875770307?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2739661160875770307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2739661160875770307&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2739661160875770307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2739661160875770307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2009/01/cinzas.html' title='cinzas'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-124190571517000890</id><published>2008-12-31T17:21:00.003-02:00</published><updated>2008-12-31T17:31:57.183-02:00</updated><title type='text'>the song remains the same</title><content type='html'>dia trinta e um de dezembro, eu estou aqui no meu momento habitual de quase todos os dias, com a porta do meu quarto fechada, o dvd do led zeppelin na televisão e um recipiente contendo álcool em cima da minha mesa do computador. esse, porém, é o último dia do ano, em breve eu terei que me trocar, tomar um banho e ir com a família para comer peru, beber vinho e ver parentes fazendo simpatias bizarras pra atrair dinheiro, em algum lugar por aí. mas não, hoje nada disso vai me irritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passaram-se trezentos e sessenta e cinco dias cheios de reviravoltas intensas, de momentos de alegria extrema e de tristeza absoluta. das vinte viradas de ano pelas quais eu já passei, essa é a que eu chego com o maior número de novas histórias pra contar, de risadas altas dadas, de lágrimas vertidas, de lugares novos conhecidos, de pessoas que realmente valem a pena com quem se convertou e, mais que isso, de projetos e esperanças para os próximos doze meses que virão. não posso dizer que fui feliz, até porque esse sentimento me parece muito mais algo industrializado e vendido em comerciais de supermercado, mas posso dizer que eu estive presente aqui, neste mundo, de corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se alguém me contasse, lá no dia primeiro de janeiro de dois mil e oito, como esse ano acabaria, eu daria risada e mandaria internar essa pessoa. e agora estou aqui, tentando ainda compreender tudo o que aconteceu, tentando olhar para mim e ver a mesma pessoa de sempre. em muitos momentos eu acabei fugindo de quem eu sou de verdade. mas a essência continua a mesma. eu tenho meus pensamentos, a minha moral, as minhas metas, meu jeito totalmente peculiar de ver o mundo e as pessoas. e é com eles que eu entrarei em dois mil e nove. a única coisa que eu quero é não saber de nada. que eu termine o ano exatamente como estou terminando esse, com o meu dvd do led zeppelin rodando na tela, um recipiente com álcool em cima da mesa, mas, sobretudo, com o recheio absolutamente desconhecido e improvável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-124190571517000890?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/124190571517000890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=124190571517000890&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/124190571517000890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/124190571517000890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/12/song-remains-same.html' title='the song remains the same'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6534276296189492407</id><published>2008-12-12T19:40:00.003-02:00</published><updated>2008-12-12T19:59:21.694-02:00</updated><title type='text'>um pré-ensaio</title><content type='html'>a maioria dos meus textos fala sobre amores mal-sucedidos, mulheres, viagens, todos devidamente e ilusoriamente musicados por rock dos anos 60 e 70. a maioria dos meus personagens é repleta de sentimentos vazios, nutre paixoes por sensaçoes mundanas, gosta de sexo, de bebidas, de cigarros e de arte. são seres solitarios, buscando encontrar lugares em um mundo cada vez mais excludente, em que as pessoas mais parecem ser feitas em série, prontas para ir em qualquer shopping e em qualquer balada de musica eletronica e para fechar o cérebro eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa reflexao me causou desespero numa madrugada dessas. eu tenho vinte anos de idade, faço uma faculdade publica na area de humanas/artes e quero viver contando historias. historias com imagens, mas historias. teoricamente, sou o tipico cara que deveria sonhar eternamente em mudar o mundo, tatuar a foice e o machado nas costas e sair pelas ruas distribuindo folhetos e preparando a luta armada. oh, céus, mas tudo o que eu faço é escrever sobre amores mal-sucedidos, peitos e vodca. o que está acontecendo com o mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entao, eu lembrei justamente de uma das discussoes mais complexas e recorrentes dentro desta mesma faculdade: o vazio da minha, e provavelmente nossa (ja que voces, meus leitores, tambem devem fazer parte dela), geração. nós estamos na pior época de todas - simplesmente nao temos contra o que lutar, contra o que dirigir a nossa poesia, a nossa verbalizaçao, as nossas imagens. por mais que pensemos com mentalidade esquerdista, de "eu odeio essa merda toda", não há para onde se mexer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensemos: antes, os casamentos eram arranjados, as profissoes eram decididas pelos seus pais, o amor era distante, quase lúdico. as proibiçoes, porem, foram caindo. mas ainda haviam os tabus: o sexo era um tabu, as drogas, o alcool, a liberdade era um tabu! nossos pais lutaram contra uma ditadura militar. e havia a politica, duas ideologias vivas, e nós, os estudantes-de-humanas-numa-faculdade-publica, sabiamos perfeitamente por qual deveriamos lutar! todos eles, no mundo todo, tinham motivos e assuntos para direcionar as suas concepçoes artisticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na literatura, as pessoas falam do mundo e mostram a sua revolta. bukowski cria henry chinasky, salinger cria holden caulfield, isso com um intervalo de vinte anos na linha narrativa. depois, o cinema tem bertolucci, tem godard, tem scorsese, tem glauber rocha - e todos eles, ao seu modo, mostrando as suas geraçoes, as lutas lutas, as suas vontades, as suas frustraçoes. os painéis estao lá, claros. as artes sao maravilhosamente pintadas para demonstrar o mundo em efervescencia - e nenhum deles esquece dos amores mal-sucedidos, dos peitos e da vodca, todos estão lá, só que a serviço de algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, anos 2000, nós todos falamos dos mesmos assuntos, mas sem ter contra o que lutar. eu faço um curta sobre uma pessoa que luta contra a sociedade. não. eu faço um curta sobre uma pessoa que se adequa à sociedade. nao existe luta. a geração toda é passiva, conformada, simplesmente por olhar para frente e não ver mais nada alem de pessoas feitas em série, prontas para ir no shopping center, na balada ouvir musica eletronica e pegar vinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a historia definitiva que eu quero contar é a historia dessa geraçao. nao sei ainda como será, quem serão os personagens e o que farão, mas eu sei que quero falar sobre ela. sobre o seu vazio. sobre a sua passividade. com amores mal-sucedidos, com peitos e com vodca, mas já com alguma luta - a luta contra isso que nós somos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6534276296189492407?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6534276296189492407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6534276296189492407&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6534276296189492407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6534276296189492407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/12/um-pr-ensaio.html' title='um pré-ensaio'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-3865904966510248585</id><published>2008-11-28T23:56:00.002-02:00</published><updated>2008-11-29T00:24:08.521-02:00</updated><title type='text'>o lobo e as cinzas</title><content type='html'>não sabia bem o que tinha ido embora primeiro. tudo tinha sido muito repentino, na velocidade que cinzas caem no chão de um cigarro que queima. o fato é que os dias tinham se tornado sem nenhum brilho, o sol não existia mais, nem a chuva, nem o vento - apenas uma interminável névoa que impedia qualquer sensação de existir. ali, sentado em seu sofá, via televisão, bebia em garrafas vazias e esperava telefonemas que nunca aconteceriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era como um lobo, movimentando-se atrás da carne apodrecida, buscando os momentos mais desatentos para fazer prevalecer sua vontade. era como um lobo, mas um lobo já sem forças, desgastado, preso dentro de pornas e janelas incapazes de se abrirem. na mata, as árvores eram muito altas, os matagais tinham espinhos e a água era amarga. restava deitar-se e olhar a toca destruída por uma enxurrada, distante, encoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando observava uma presa em potencial, pensava nos atributos, nas características, no sabor. todas as carnes tinham sabores diferentes, pensava, mas muitas delas não mereciam ser devoradas nem com o melhor dos temperos. sempre gostara das raposas, elas eram vistosas, inteligentes, mereciam ser caçadas, mereciam ser lentamente devoradas. elas sabiam deste gosto, e talvez por gostarem de perigo, simplesmente desafiarem as vontades e a esperteza daquele lobo, andavam muito próximos de sua toca, como se pedissem para que um jogo fosse iniciado. o jogo era feito, normalmente vencido e a carne salgada brilhava naquela bela mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao longe, deitado na relva, via as montanhas crescerem no horizonte. quando uma raposa passava por perto, ele tentava se levantar, mas não valia a pena. nada, nada valia a pena. não havia mais toca, não havia mais carne, não havia mais lobos, não havia mais mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;naquele sofá, a imaginação tinha picos de alguns centímetros. fosse um lobo, uma águia ou um tigre, o chão era o mesmo, tinha as mesmas marcas e as mesmas coisas caídas, coisas que demarcavam um passado distante, onde havia uma toca, havia carnes e havia raposas. seu nome escrito em um documento surrado, há alguns centímetros do tapete, não significava mais nada. acordar daquele pesadelo era uma questão de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando o homem se levanta do sofá, caminha até a porta e a abre, revê o sol no horizonte e decide correr atrás dele, as coisas já estão por demais modificada. a carne, sobretudo, está cheia de vermes representados em anéis de noivado, revistas burguesas e noções desvirtuadas. onde se pode chegar de volta é uma pergunta sincera. talvez na toca. talvez no rio. talvez simplesmente caia definitivamente pelo meio do caminho e lá fique.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-3865904966510248585?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/3865904966510248585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=3865904966510248585&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3865904966510248585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/3865904966510248585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/11/o-lobo-e-as-cinzas.html' title='o lobo e as cinzas'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-567055317538401269</id><published>2008-11-08T19:40:00.002-02:00</published><updated>2008-11-08T19:50:24.976-02:00</updated><title type='text'>sobre fazer cinema II</title><content type='html'>alguns posts abaixo há um textinho chamado "cinzas - argumento". não sei quanto tempo faz que aquilo foi feito, talvez um mês ou dois, talvez menos. o fato é que tudo passa muito rápido, e um argumento se transforma, se recria, vira um texto monstruoso e então, se desgarra da simples imaginação de seu criador e se torna mais real. cada vez mais real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fato é que hoje faltam cerca de cinco meses para as filmagens de &lt;em&gt;cinzas, &lt;/em&gt;e ele começa a crescer. não sei bem até onde isso tudo vai chegar, mas nesta semana foram oito horas de reuniões, com equipes de áreas diversas - e já há mais duas marcadas, uma para segunda e uma para terça. o filme é cada vez menos meu e cada vez mais da equipe toda. e a equipe toda está o adotando com extremo carinho, com cada vez mais alegria nos olhos e dedicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não sei bem no que isso tudo vai dar. cinco meses é muito tempo, mas temos locações e patrocínios para procurar, atores para escalar, muitos, mas muitos problemas para passar por cima. a cada etapa destas que se vai, maior o projeto fica. quando, na última sexta-feira, conseguimos o nosso primeiro patrocínio, pela primeira vez na minha vida me senti preocupado quanto a um projeto - será que eu posso mesmo comandar algo deste tamanho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é desta dúvida que nascerá &lt;em&gt;cinzas. &lt;/em&gt;hoje, não parece tão complicado. é passar idéias, fazer reuniões, auxiliar a produção, coordenar todo o processo criativo. mais pra frente, tudo tomará níveis assustadores. e realmente tomará, pois o tamanho que ele tem hoje, em proporção ao que pode vir a ser no futuro, já é realmente assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o engraçado, então, é ler o post feito em maio ou junho que chamava &lt;em&gt;sobre fazer cinema &lt;/em&gt;- com um projeto de duas semanas, produzido e gravado em um dia, editado em um final de semana. ler aquilo tudo hoje é muito engraçado. e ler isso tudo sobre &lt;em&gt;cinzas, &lt;/em&gt;provavelmente será muito engraçado em algum tempo. mas mais do que isso, será lindo lembrar dos rostos felizes das produtoras no momento do &lt;em&gt;negócio fechado, 2 mil cotas no xerox em troca do logo na divulgação do filme!&lt;/em&gt; e, sobretudo, do que esses rostos representam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-567055317538401269?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/567055317538401269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=567055317538401269&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/567055317538401269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/567055317538401269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/11/sobre-fazer-cinema-ii.html' title='sobre fazer cinema II'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4473442977969997907</id><published>2008-09-28T01:24:00.002-03:00</published><updated>2008-09-28T01:31:52.331-03:00</updated><title type='text'>cinzas - argumento</title><content type='html'>a vida se queima e, lentamente, se transforma em cinzas. todos os passos de um homem levam, inevitavelmente, ao mesmo lugar: a metamorfose final. enquanto houver sentido, porém, sempre haverá lembranças, e elas conseguem manter sua constância enquanto não se juntam ao destino do corpo. sendo assim, as relações humanas tendem ao fracasso, ao mais fundo poço, bem como todas as ideologias e vontades que um dia podem ser desenvolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele tem vinte e poucos anos e sempre sonhou em ser escritor. admirava a beat generation, o existencialismo, todos aqueles que eram inquietos e rebeldes. tinha namorada, amigos, dinheiro para suas doses diárias de álcool e uma fábrica de sonhos e utopias em sua mente. só não tinha um lugar no mundo. só não tinha como evitar que tudo se transformasse em cinzas. que tudo queimasse impiedosamente, sonhos, utopias, namorada, amigos, como o cigarro que fumava durante o crepúsculo de mais um dia que terminava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tem nome – afinal, na hora da sua redução, nenhum verme o distinguirá por este batismo. nenhum verme saberá distingui-lo de um mero pedaço de madeira. nenhum verme saberá o que é carne suculenta ou pedaços de barba. se conseguiu ou não ser um bom escritor. se conseguiu ou não manter seus sonhos e suas aspirações enquanto mantinha a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este é um filme sobre o que o passado já transformou em cinzas. é um filme sobre a destruição de tudo o que move um ser humano e a transformação em mais um escravo da vida. e é um filme sobre a vã busca por impedir a ação do tempo, a ação da psicologia humana, a ação das vontades e movimentos que acabam deixando tudo para trás, seja o mais belo dos sonhos ou o mais feliz dos amores, seja o mais bem cuidado estilo ou o mais bem fabricado cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;este argumento será encaminhado ao departamento de multimeios da Unicamp nesta semana. se aprovado, e todas as outras etapas correrem conforme o esperado, as filmagens ocorrerão entre fevereiro e março de 2009.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4473442977969997907?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4473442977969997907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4473442977969997907&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4473442977969997907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4473442977969997907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/09/cinzas-argumento.html' title='cinzas - argumento'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-1926049173384243016</id><published>2008-09-14T03:08:00.002-03:00</published><updated>2008-09-14T03:27:03.358-03:00</updated><title type='text'>obituário</title><content type='html'>no dia 13 de setembro de 2007, portanto, exatamente há um ano atrás, falecia no Hospital Sobam, cidade de Jundiaí, vítima de câncer de próstata após longos meses de sofrimento, o Sr. Ubirajara Massari, 82 anos, militar reformado. Deixou esposa, inúmeros irmãos, a maioria deles também já mortos, dois filhos e cinco netos, um deles, eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este senhor provavelmente foi uma das pessoas mais importantes da minha vida - meus pais moraram com ele e minha avó até eu ter 4 anos. aos 2, ele me ensinara a ler e escrever usando um tabuleiro de palavras cruzadas, que hoje está em algum armário obscuro aqui do meu apartamento. sempre brincava comigo durante boa parte de seu dia, isso ainda depois que eu já havia mudado de lá, mas insistia em visitá-lo constantemente. foi responsável por meu aprendizado em várias áreas, como nomes de pássaros. não que hoje eu ainda lembre de mais de meia dúzia deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Sr. Ubirajara Massari gostava muito de pássaros, tanto que fazia verdadeira coleção deles, dedicando boa parte do seu dia a ensiná-los a cantar e alimentá-los. também cuidava da extensa horta que possuia no fundo de seu quintal. gostava de faroestes, e seu ator preferido era john wayne. contava inúmeras vezes as mesmas histórias e piadas, talvez já efeito da idade. e, vocês já devem ter lido anteriormente no texto, tinha sido militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece irônico que eu, que rejeito qualquer tipo de ordens, restrições ou pensamentos limitados tenha me dado tão bem com alguém que trabalhou para a ditadura, período da história brasileira que não vivi, mas só de ouvir já tenho calafrios. quando descobri quem ele tinha sido, o que fizera e o que pensava sobre isso, já com meus 12, 13 anos, poderia ter feito diversas coisas. acabei não fazendo nada - nunca toquei no assunto com ele. nunca falei nada a favor, nem contra. nunca perguntei opiniões. não me afastei dele por isso. nem me aproximei mais. nada. foi como se ele tivesse nascido aos 62 anos, pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no velório dele, não chorei. minhas primas, minha avó, minha tia, entre outras pessoas, debulharam-se em lágrimas. eu não. tivera 7 meses para me acostumar com a idéia da morte dele. olhei impassível para o nada durante as longas horas da última visita no hospital à entrada no carro para sair do cemitério, período no qual ajudei a resolver alguns trâmites burocráticos e escolher ornamentos para rituais obituários cristãos. então, voltei para a minha casa. e deixei o tempo passar. e dormi. e acordei. e minha vida seguiu, mesmo sem uma das pessoas mais importantes que passaram por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(este texto deveria ser sobre várias outras coisas, tomou um rumo que não me agradou muito.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-1926049173384243016?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/1926049173384243016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=1926049173384243016&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1926049173384243016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/1926049173384243016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/09/obiturio.html' title='obituário'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-4368422820716337372</id><published>2008-08-14T20:40:00.002-03:00</published><updated>2008-08-14T20:52:21.529-03:00</updated><title type='text'>sobre charles bukowski</title><content type='html'>&lt;em&gt;Nos beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na manhã seguinte, acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava impressão de estar perfeitamente feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim, veio até a cama e me sacudiu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naquele dia, convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não havia chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado, longe da areia. Respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada, com aquela sensação gostosa de estar juntos. Comprei sanduíche, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fôssemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo e então respondeu, pensativa:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Levei-a de volta para o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "Crônica de um Louco Amor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ninguém conseguiu, até hoje, ser tão lindamente melancólico.&lt;br /&gt;Porque falar de amor, sexo e sofrimento são intimamente ligados.&lt;br /&gt;Porque a vida fica incrivelmente mais bonita quando se consegue ser tão triste e tão intenso ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Porque esse foi um dos seres que me fazem acreditar na humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-4368422820716337372?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/4368422820716337372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=4368422820716337372&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4368422820716337372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/4368422820716337372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/08/sobre-charles-bukowski.html' title='sobre charles bukowski'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5244723929768952566</id><published>2008-07-22T03:02:00.004-03:00</published><updated>2008-07-22T03:09:38.965-03:00</updated><title type='text'>três anos</title><content type='html'>há três anos, escrevi este texto para pôr no about me do orkut.&lt;br /&gt;o tempo passa.&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;eu queria ter oito anos pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria ter prazer em acordar cedo porque os desenhos da tv manchete eram muito legais, e depois que eles acabassem arrumar minha mochila e chegar meia hora antes do início da primeira aula na escola pra brincar de pega pega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria achar minhas professoras super letradas, adquirir o conhecimento daquelas aulas copiando tudo que elas ditam e ganhar medalhas no campeonato de tabuada, me achando o ser mais inteligente do mundo por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria não me preocupar com nada, com ter que arrumar um emprego ou ter que dar um jeito na minha vida muito em breve, não ouvir de ninguém que meu futuro vai ser acabar na cadeia ou virar alcóolatra porque gente dessa idade não pode beber desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria jogar bola todas as tardes com meu pai na garagem, inventando os times e os jogadores, e depois pegar meus carrinhos e fazer uma corrida de fórmula 1 também inventando os pilotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria deitar no colo da minha mãe pra assistir televisão, e depois que acabasse a novela dela, ligar meu vídeo-game com a super nova fita do mickey mouse e jogá-la ao lado da pelúcia do mickey até ficar muito tarde pra uma criança estar acordada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria ir na casa do meu avô muito feliz sabendo que ele é a pessoa mais legal do mundo e que só molhar plantas com ele já basta, mas ao mesmo tempo, subir no banquinho e decorar os nomes de todos os pássaros em uma tabela seria excelente e me entreteria por horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria chorar de alegria. por ir no maxi shopping, por saber que eu não vou mais embora de jundiaí e vou poder ficar com meus amigos mais tempo. ou por ganhar uma fita nova de super nintendo. ou por jogar fliperama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eu também queria ser livre.e ninguém é livre com oito anos. não é livre para o mundo que você passa a conhecer quando tem dezessete - o mundo, o cinema, a arte, a namorada. eu queria ter oito anos, mas ter o cinema e a minha namorada. eu queria, talvez, não ter idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou talvez viver dentro de chaves. ser amigo dele e do quico, aprender com os trambiques do seu madruga e dar pauladas no seu barriga. lá todos tinham oito anos pra sempre, lá todos eram livres, numa liberdade ilusória, dentro de um programa de televisão que eles nem sabiam estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então também não servia. eu queria ir para outro planeta, não tendo oito anos nem dezessete. não tendo idade nenhuma. viver num espaço de tempo indeterminado, inócuo e alterável de acordo com meu pensamento. onde só existisse eu e minhas duas paixões descritas ai embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas isso é impossível. e eu vou continuar aqui, com minha alma moralista e hipócrita, pseudo-arrogante, pseudo-foda, escrevendo textos no about me do orkut pra tentar se sentir melhor. e não vou conseguir, nunca.ou talvez algum dia, se eu conseguir me enquadrar em uma sociedade típica, ou se eu achar a minha sociedade, algo que possa ser complementar a mim e às minhas paixões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até lá, nada. perspectiva nenhuma, vida cortada pela minha mania de grandeza, que é falsa como é qualquer coisa sonhada por um menino de oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que eu penso sobre isso hoje?&lt;br /&gt;nada. mas eu não queria ter oito anos pra sempre. como naquela época já não queria.&lt;br /&gt;na verdade, eu não tenho a menor idéia do que eu quero.&lt;br /&gt;talvez que o tempo seja um pouco menos avassalador. com tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5244723929768952566?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5244723929768952566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5244723929768952566&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5244723929768952566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5244723929768952566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/07/trs-anos.html' title='três anos'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-6421786131463087610</id><published>2008-07-04T18:23:00.004-03:00</published><updated>2008-07-04T18:26:38.382-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oculto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inspiração'/><title type='text'>um pedaço de alguma coisa</title><content type='html'>eu escrevo aqui quando tenho vontade. mais precisamente, quando tenho vontade e alguma coisa pra escrever. por isso, é normal que este blog passe por longos períodos sem atualização e etc. acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse último texto aí embaixo começou a me atormentar numa madrugada de domingo pra segunda-feira. deitei pra dormir, precisando estar de pé às 6 da manhã, e ele bateu na minha cabeça. bateu e martelou. não saía mais. tive que deixar a minha cama, ligar o pc e digitá-lo. enfim, coisas estranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como não tenho "alguma coisa" pra escrever desta vez - faz algum tempo que nada me faz deixar a minha cama e vir apertar estes botões - deixo vocês com o trailer do meu curta mesmo. um curta sem recurso nenhum, concluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até a próxima noite de tormentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2Mvt-HLCt5E"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=2Mvt-HLCt5E&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-6421786131463087610?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/6421786131463087610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=6421786131463087610&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6421786131463087610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/6421786131463087610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/07/um-pedao-de-alguma-coisa.html' title='um pedaço de alguma coisa'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-5006988426229663925</id><published>2008-06-04T00:19:00.004-03:00</published><updated>2008-06-04T00:37:21.037-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lembranças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oculto'/><title type='text'>sobre fazer cinema</title><content type='html'>decidi que queria ser cineasta com, sei lá, doze anos de idade. foi em uma madrugada fria, provavelmente de junho ou julho, e eu, sem nada para fazer, comecei a ver um filme no intercine. meus olhos brilhavam, eu passava por uma experiência única de reflexão, de imersão pessoal, de ter um horizonte para seguir a partir dali. o filme daquela oportunidade foi o "meu preferido" por uns dois anos a partir daquilo. seu nome é "um sonho de liberdade" - nunca mais o vi, mas ainda tenho sua lembrança muito forte em minha cabeça. ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;digo "ou não" porque talvez - e muito provavelmente - o que está tão vívido em minha memória seja a experiência daquela noite. acredito que, se voltasse a ver aquele filme hoje, iria gostar, mas não o colocaria nem entre os principais que já vi no ano. ou, quem sabe, ele sempre me emocionaria e manteria seu lugar ali devido à forte carga emocional que me traria. quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois bem. aproximadamente oito anos se passaram. nesse tempo, eu vi centenas de filmes, de todas as épocas, gêneros, da maioria das nacionalidades. tentei fazer alguns curtas, sempre sem sucesso. uma vez, fiz uma espécie de documentário, disponível no youtube, que recebeu muitos elogios. mas, convenhamos, está longe de ser o que eu considero "arte cinematográfica", mesmo que eu me orgulhe dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;semana passada, porém, pela primeira vez eu estive em uma sala, com câmeras de verdade, uma equipe escalada, um roteiro bem estruturado escrito por mim mesmo com bastante cuidado, uma atriz de ofício. me senti estranho com tudo aquilo. durante as filmagens, algumas vezes torci para que acabasse logo. queria voltar para a minha casa, queria deitar na minha cama e, quem sabe, simplesmente apreciar quem realmente sabe fazer aquilo. ser um cineasta - mesmo que de faculdade pública - me soou algo incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para fazer as cenas externas, já olhava tudo de um modo diferente. tinha mais segurança de mim, conseguia, talvez, passar instruções mais exatas. imaginar o filme perfeitamente saindo da minha cabeça e indo para a câmera. imaginar o quadro na tela - não como você imagina, tão utopicamente, quando está escrevendo o roteiro, mas já com uma concepção imagética diferente, algo que me deixou satisfatoriamente contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquela velha maxima sobre cineastas - "quando voce esta filmando, tudo o que quer é acabar logo, quando voce nao esta filmando, tudo o que quer é filmar logo", talvez seja a mais pura verdade. mas o &lt;em&gt;fazer cinema&lt;/em&gt; por si só me trouxe, já após a reflexão, um momento emocional delicadamente proximo àquele do &lt;em&gt;assistir cinema &lt;/em&gt;que tive oito anos atrás. esse meu curta - &lt;em&gt;oculto&lt;/em&gt; é o nome dele - tem pouquíssimas chances de ficar bom, foi feito por uma equipe de universitários pobres, sem verba nenhuma, mas com muita vontade e empenho. só que, por pior que ele fique, estará aqui, comigo, como a lembrança de como foi me sentir &lt;em&gt;fazendo cinema&lt;/em&gt; pela primeira vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-5006988426229663925?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/5006988426229663925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=5006988426229663925&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5006988426229663925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/5006988426229663925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/06/sobre-fazer-cinema.html' title='sobre fazer cinema'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-2048457084710233740</id><published>2008-05-05T22:17:00.003-03:00</published><updated>2008-05-05T22:37:00.211-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='palmeiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='glórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lembranças'/><title type='text'>recordações em verde e branco</title><content type='html'>na primeira vez que eu vi meu time ser campeão, eu tinha cinco anos. não me lembro direito o mês, mas sei que era inverno. aliás, era junho, provavelmente - isso porque naquele dia, logo depois da final, a família toda foi para uma festa junina. aquele deve ter sido um dos últimos anos que eu consegui me divertir minimamente em uma dessas, aliás. pois bem - do jogo, eu tenho vaguíssimas recordações. alguma coisa tipo meu pai reclamando do regulamento já na prorrogação. bem depois, meu falecido avô, já na festa, me retirou de perto do local onde explodiria uma bomba. isso lhe causou a audição por algum tempo, pelo que me constam as histórias de tardes de domingo com reuniões familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conforme eu fui crescendo, virou rotina ver esse time campeão. e na mesma medida, as recordações cresceram. em provavelmente uma das únicas manifestações cristãs da minha vida, eu pedi pra minha mãe acender uma vela para eu poder rezar pela vitória na final do campeonato brasileiro de 1994. depois, veio o time dos 100 gols, veio a copa do brasil, veio a libertadores da américa. foi um tempo glorioso. era comum ver a camisa alviverde brilhando em todas as esquinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia, porém, tudo isso acabou. foi mais uma vez em um mês de inverno que eu não sei definir o qual. foi um torneio de pouquíssima ou nenhuma expressão. eu lembro que estava em uma festa de aniversário de um dos meus melhores amigos da época, e que se realce esse "da época", já que não o vejo há uns bons cinco anos. naquela noite, eu tinha levado uma calcinha para dar de presente pra ele. foi engraçado, mas menos do que eu esperava. e eu fui embora mais cedo para ver o jogo - mesmo que fosse de um torneio insignificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois desse dia, os tempos foram ruins. veio o rebaixamento, veio o tempo de técnicos ruins e jogadores piores ainda, veio as eliminações em primeiras fases de campeonatos paulistas e as duas tragédias contra o são paulo na libertadores, contra as quais a única solução encontrada era se afogar em vodka até vomitar. o tempo passava e não havia sinais de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas como em todo time grande - e no caso, é um gigante - os tempos de glória sempre voltam. e nesse ano, com todos investimentos, com um treinador e jogadores de verdade, sabia-se que a nação palmeirense voltaria a sorrir - e voltou ontem, em outra tarde fria, desta vez de maio. um dia que eu nem mesmo sai de casa e não vou ter nenhuma história pra contar, exceto... é, exceto nada. mas talvez seja melhor assim, com este tão sublime fato reinando isolado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-2048457084710233740?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/2048457084710233740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=2048457084710233740&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2048457084710233740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/2048457084710233740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/05/recordaes-em-verde-e-branco.html' title='recordações em verde e branco'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5514425953035742322.post-7522586506177670595</id><published>2008-04-27T01:24:00.001-03:00</published><updated>2008-05-05T22:37:38.878-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lamentações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apresentação'/><title type='text'>é novo tempo. ou não.</title><content type='html'>meu nome é carlos massari.&lt;br /&gt;isso deve ser fácil de perceber.&lt;br /&gt;eu sou um ser perdido. vagante. alguém que olha o mundo de longe, pensando no sentido das coisas, mas entendendo muito pouco.&lt;br /&gt;porém, não sei se as pessoas percebem isso.&lt;br /&gt;simplesmente, não sei como elas me vêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, na verdade, gosto disso. gosto da sensação de ver que o interno e o externo são dois fatores difíceis de se encontrarem. pelo menos no meu caso, visto que é o único interior que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dentro de mim, as coisas se misturam. eu gostaria de ser um cavaleiro solitário. desses que andam pelo mundo, sem rumo. queria ser um personagem de bukowski, ou de kerouac. tanto faz. na verdade, eu já pensei em um filme sobre isso. alguém sozinho. ele fica em seu apartamento, bebe, bebe muito, vê o tempo passar. viaja. anda. é. o nome seria exatamente esse, o cavaleiro solitário.&lt;br /&gt;milan kundera diz que todos seus personagens são variaçoes do que você poderia ter sido e não foi. é. eu concordo plenamente com ele.&lt;br /&gt;se algum dia eu fizer o cavaleiro solitário, ele terá muitos traços meus. qualquer filme que eu venha a fazer, ou livro, ou texto, ou crônica, será integralmente calcada em meus traços mais íntimos, e que pouquíssimas pessoas no mundo chegarão a conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não estou em bons dias. me sinto em uma luta contra o tempo, e estarei assim pelo menos pelos próximos 15 dias. é um período indeterminado. é um tempo estranho. o tempo sempre é estranho. sempre é cruel. por isso, meus sonhos e desejos são todos utópicos. por isso, o cavaleiro solitário é utópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu nunca o serei. não sei a que ponto isso é bom. mais que isso, talvez eu nunca o filme - e esse é meu verdadeiro sonho/desejo. mas isso o tempo ainda não me tirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse blog terá de tudo. o que me der vontade de escrever - crônicas, contos, lamentações pessoais, textos sobre artes, séries, fotografias, pessoas. menos sobre cinema, pois pra isso já tenho outro lugar pra escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas hoje, especificamente, a única coisa que eu quero escrever é uma lamentação em especial. mesmo não colocando nada aqui ainda. não é hora pra isso. talvez, algum dia seja. talvez, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5514425953035742322-7522586506177670595?l=cronicasmassarianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/feeds/7522586506177670595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5514425953035742322&amp;postID=7522586506177670595&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7522586506177670595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5514425953035742322/posts/default/7522586506177670595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasmassarianas.blogspot.com/2008/04/novo-tempo-ou-no.html' title='é novo tempo. ou não.'/><author><name>carlos massari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17707651745056514815</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_6xkg-Y_U16c/Sj6x67NfsOI/AAAAAAAAABg/sjoXCkpmXxM/S220/ficc27.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
